Venezuelanos em Roraima – Se o Brasil não acolher, será mais cúmplice do que já é

(Artigo publicado em 21/08/2018)

O noticiário sobre as eleições de 2018 tem dividido espaço com a crescente presença de venezuelanos em Roraima. E a tendência é de que muitos continuarão a chegar ao Brasil.

Nos últimos dias, muito se comentou sobre atos de violência envolvendo a população da pequena cidade de Pacaraima em Roraima e os venezuelanos ali presentes. Tudo motivado após um comerciante da cidade ser assaltado e agredido por bandidos, que suspeita-se, sejam do país vizinho.

Imagens publicadas nas redes sociais e veiculadas pela agência de notícias Reuters mostram uma fila de venezuelanos atravessando a fronteira de volta ao seu país neste sábado (18), após atos de violência e destruição em acampamentos de imigrantes em Pacaraima, em Roraima. Os moradores da cidade chegaram a bloquear a BR-174, na entrada da cidade, por cerca de 5 horas.

É compreensiva a revolta da população. Todavia, não compactuo com esse tipo de reação generalizada. A população revoltada por um crime reagiu da mesma forma que o governo venezuelano reage àqueles que lhes fazem oposição: com violência e destruição. Por obvio que não estou equiparando os moradores de Pacaraima à Nícolas Maduro e sim equiparando a dor de um povo que fugindo da fome, da instabilidade política e da truculência de um ditador, depara-se, por culpa de dois ou três, com um ambiente hostil e nada acolhedor.

Não obstante, chega a ser surreal que o governo de Roraima se veja obrigado a travar uma verdadeira batalha com o governo federal. Já está claro que a situação dos venezuelanos em Roraima, chegou ao patamar de crise humanitária e trata-lo como algo menor do que isso só tenderá a aumentar a irresponsabilidade do governo brasileiro, ou melhor, a cumplicidade com o regime criminoso e ditatorial de Maduro.

Chamo de cumplicidade porque, diante do histórico de desrespeito aos Direitos Humanos, liberdade individual e fraude eleitoral praticado desde a Era Chávez não há outra explicação para o fato do Brasil até agora não aprovar nenhuma sanção contra a Venezuela. Se não é cumplicidade, é covardia e ambos os adjetivos são incompatíveis com uma pretensa posição de protagonista que o Brasil exerce na América do Sul.

Entendo que o fechamento da fronteira como querem muitos, seria uma atitude de abandono, ignorando famílias inteiras que em meio ao desespero, não possuem outra esperança senão recomeçar suas vidas, em Roraima, no Amazonas ou em qualquer outro lugar do Brasil ou nos demais países da região.

Diante do exposto, acredito e defendo que devemos encarar o acolhimento como um ato de oposição à ditadura da Venezuela. Negá-lo é aceitar ainda mais a cumplicidade que o governo brasileiro expressa a tal regime.

Por Jakson Miranda

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