Tudo pela Felicidade?

Texto escrito por: Pr. Marcos Paulo Fonseca da Costa

 

Foi agradável a entrevista das páginas amarelas da revista Veja (A EQUAÇÃO DA FELICIDADE, 15 jul.2015). Quem falou foi o economista inglês Paul Dolan e o assunto foi felicidade. Mas a entrevista foi controversa também.

Felicidade é daqueles temas que dizem respeito a qualquer um, mas que, à semelhança da Liberdade, pouca gente comenta com leveza e acerto. Dolan consegue isso.

Fortão, de baby look, óculos brancos, e em fundo pink, o economista inglês não parece economista, muito menos inglês. Do estereótipo, ele escapou no visual, mas não conseguiu escapar na opinião. Seu pensamento anda na linha do velho pragmatismo das ilhas, no melhor estilo Jeremy Bentham e Jonh Stuart Mill.

Evitar a dor, buscar o prazer – eis a boa vida do homem, eis a felicidade. Em nenhum momento da entrevista, Dolan fala em doar-se, em concessão, em saber perder para evitar mal maior. A impressão que dá é que, pela felicidade, vale tudo. Até o divórcio ele incentiva “se o casamento não está dando certo.”

Porém, pergunto: por que não tentar melhorar o matrimônio, preservar a família e ser mais feliz ainda?

Como se não bastasse, Dolan afirma que suas pesquisas sobre comportamento alimentam banco de dados do governo britânico para ajudar em políticas públicas. Ou seja, mais engenharia social à vista.

Contudo, nem tudo na conversa milita contra ele. Dolan consegue apontar traços das pessoas felizes e o que elas têm em comum: alguma grana, saúde, emprego, amigos, amigos, amigos, religião – fica implícito, como mero instrumento de serviço ao homem – e até (pasmem!) matrimônio, para o qual ele prescreve divórcio em caso de “mau funcionamento”.

Mais à frente, Paul Dolan diz que, à medida que a economia volta a elaborar modelos a partir da fala das pessoas, não só das ações, é possível ter mais confiança nos seres humanos.  Alguém já disse que se os homens se amassem verdadeiramente não haveria direito. Nem exército e nem polícia, digo eu. O homem confia no homem desconfiando do homem.

Ao final, quando perguntado sobre o que faz para espantar a tristeza, Paul Dolan respondeu que escuta música. Não surpreende. Tudo, para o economista fashion, deve estar a serviço da felicidade.

Por que não a música? Por que não Deus?

 

Por  Pr. Marcos Paulo Fonseca da Costa

 

Leia Também:

 

Os salvadores do mundo segundo Gregório Duvivier

O copo do Melanchton e a “pátria educadora”

Casamento homossexual: Pode o cristão desobedecer ao Estado?

GREGÓRIO DUVIVIER: O ATEU QUE NÃO CONHECE A BÍBLIA

Cultura agoniza no país da crise ética e moral

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *