True Detective: um embate entre luz e trevas

Na transição do século XX para o século XXI, a televisão parecia fadada a completa ruína artística. Conteúdos apelativos em excesso, repetição de velhas fórmulas, baixarias em horários impróprios…

A máxima vigente era simplificar, buscando atrair um contingente maior com porcarias, em teoria, mais palatáveis, mesmo que isso às vezes significasse ultrajar um público qualificado.

Um movimento, a princípio moroso, começava a se desenvolver entre alguns produtores nos EUA. Fora do mainstream, justamente por proporem um investimento na qualidade dos roteiros, partiam do pressuposto de que haveria público para histórias nutridas de maior carga cultural, recheadas de referências, símbolos e leituras.

Nascia a atual e vigente Era de Ouro da TV, que nos últimos dez anos proporcionou grandes obras primas como Breaking Bad, Mad Man, Downton Abbey e etc.

E isso não é pouco. A televisão é a única forma de arte – e repito para reforçar – a ÚNICA forma de arte, que vive no presente atual seu ápice!

Cinema, pintura, escultura, literatura, fotografia, música, teatro e etc… Todos já viveram seus ápices, e hoje sobrevivem abaixo de seu potencial máximo já alcançado e perdido.

Nic Pizzolato é um dos “caras” do atual momento da TV americana. É o produtor e roteirista de todos os episódios de True Detective, série em formato de antologia (muito popular nos anos 50 e 60, abandonado nas décadas seguintes), em que cada temporada conta com uma história e elenco diferente, embora calcada na mesma premissa.

Com atuações primorosas de Woody Harrelson e Matthew McConaughey  (cada vez melhor, entrando de vez no primeiro escalão de Hollywood), a trama se concentra na trajetória de dois detetives que atuam no caso de um serial killer durante 17 anos. As evidências principais são de crimes rituais envolvendo um culto satânico, ademais, o mote que sustenta os oito episódios são os segredos, pecadilhos e dramas dos personagens principais: os detetives.

True Detective é uma investigação em que o menos importante de tudo é tentar descobrir quem praticou os crimes. A valência profunda está no prisma oposto.

O que vale mesmo é analisar quem investiga.

A primeira temporada possui oito episódios. Dá para assistir num fim de semana. Não sou, pessoalmente, adepto desta prática cada vez mais utilizada de assistir um seriado numa sequência única. Acho que privilegia a pressa e impede que as diferentes fases da trama sejam ruminadas. Porém, para quem gosta, fica a dica.

Aproveitemos o momento da TV americana. A mediocridade pode ressurgir a qualquer momento.

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

Leia Também:

 

Nosso mundo é The Walking Dead

Não fale com estranhos

Quem patrocina a imoralidade? O funk e o sagrado

Tragédias e terremotos. Onde está Deus?

Downton Abbey é o melhor programa da televisão atual!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *