O que há de tão especial em Breaking Bad?

Lembro-me da primeira vez que me perguntei o que tornava Breaking Bad tão especial.

Estava conversando com amigos e percebi que eles nutriam pelo seriado que conta a saga de Walter White o mesmo respeito que eu sentia. A figura de White, imortalizada na atuação primorosa de Bryan Cranston, nos suscitava uma reverência sem par no cortejo de personagens da ficção recente.

E, quando no alter ego de Heisenberg, quase lhe batíamos continência.

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Sou um conservador e estou falando também de um grupo de amigos que compartilham os mesmos valores e princípios.

Ademais, como aconteceu de maneira global, num dos maiores sucessos de público e crítica dos últimos tempos, lá estávamos nós, admirando a robustez criminosa de Heisenberg / White.

Havia lido algumas resenhas sobre a série, algumas críticas que iam além da mera análise descritiva de episódios. Vi algumas filosofadas vazias e também topei com tentativas forçadas de entendimento psicológico. A maior parte clichê óbvios de análise que repetia a interpretação advinda dos críticos mais rasos.

As teorias mais repetidas eram de que as pessoas se identificavam com Walter White porque tinham vidas tediosas e infelizes e, como não tinham a mesma coragem dele, projetavam no personagem suas ambições secretas; outra, atribuía-lhe um charme canalha atrativo, que na verdade, não acompanha o personagem… É atributo de alguns outros famosos vilões que acabam heroicizados. Não Walter White.

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Acabei deixando o assunto de lado, mas me prometi que um dia reassistiria o seriado com um olhar mais atento, tentando discernir, através do meu viés cultural e analítico que parte do prisma conservador, o que há de tão especial na saga de Walter White.

Breaking Bad é um seriado perene. Vivemos a Era da Rapidez e da Insaciedade. Tudo é rápido, desesperado e pouco desfrutado. Há limites de caracteres, impedindo que se aprofunde ideias. As páginas das redes sociais recebem novas atualizações segundo a segundo e somos reféns desta dinâmica.

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As pessoas não esperam mais uma semana pelo próximo episódio do seu programa favorito. Fazem maratonas de 10, 12, 20 horas. Tudo para acabar logo e começar o próximo, e depois o outro, e depois o seguinte.

Digo que Breaking Bad é perene porque já é possível perceber que se diferenciou. Que daqui há trinta anos haverá grupos de fãs ainda discutindo sua relevância e impacto. Será um daqueles acontecimentos culturais que suscitam cultos em torno de sua mitologia, não por fruto de fanatismo adolescente, mas por representar um marco transgeracional, cujo legado acabará permanecendo.

Há elementos técnicos e atuações brilhantes em Breaking Bad. Os roteiros mantém nível altíssimo e a direção consegue dosar momentos frenéticos com outros de lentidão extrema. A história é contada com vagar e este é um dos trunfos, justamente por afrontar a velocidade extrema de tudo o que ronda a vida no século XXI. O seriado funciona tão bem por todas estas qualidades, mas ainda acredito que todas elas, mesmo que dignas das mais altas notas, não seriam o suficiente para que o impacto positivo fosse tão grande.

Sem mais delongas, o que acredito é que o sucesso de Breaking Bad, além de tudo o que foi elencado, traduz um momento histórico… uma necessidade sócio-cultural desprezada, cujo público órfão encontrou em Walter White seu improvável porta-voz.

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Se você está lendo um texto meu pela primeira vez, caiu aqui vindo do Google após digitar Breaking Bad e não está entendendo onde quero chegar, tentando estragar algo tão legal com essa linguagem robotizada de “momentos históricos” e “necessidades sócio-culturais”, prometo que não vou estragar sua visita com uma continuidade nesta linha, mas era preciso esclarecer, até porque sou historiador, e escrevo aqui sob uma perspectiva conservadora… então preciso usar estes termos como marcos de orientação, entretanto, prometo tentar manter a linguagem e a análise num nível mais “passeio com a primeira namoradinha numa quermesse” do que no “abram os livros de sociologia na página 133”.

Chegou a hora, portanto, de lhe responder o que há de tão especial em Breaking Bad. Você provavelmente clicou no link para saber que resposta darei à pergunta do título. E eu lhe responderei, ademais, já lhe adiantando que de forma até simplória, sem aprofundamento.

Por uma razão simples: Breaking Bad é especial porque não tentou impor uma filosofia ou corrente de pensamento, ou defesa de grupo, ou discurso politicamente correto como “moral da história”.

E o que isso quer dizer?

Bom, aí o assunto é mais amplo. Envolve uma conversa maior, um leque mais vasto de análise e aprofundamento.

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Breaking Bad é sensacional demais, merece uma série e não apenas um artigo.

No próximo, vamos analisar a Primeira Temporada.

Obrigado por ter vindo até aqui. Espero que siga adiante conosco.

Por Renan Alves da Cruz 

 

 

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