Sniper Americano: Cada disparo, uma decisão

A vida tem muitos sabores: doce, amargo, azedo, etc. mas o melhor sabor da vida talvez seja o que não se dá à gustação – a capacidade de decidir que possuímos.

Das pequenas decisões de cada dia que afetam apenas o mundinho de quem as toma, aos grandes decretos governamentais que influenciam milhares, se está no terreno da decisão e da liberdade.

Não raras vezes, as escolhas do indivíduo se contrapõem às do Estado. O crime é um exemplo acabado desse conflito. Alguém ultrapassa a cerca estabelecida pela norma jurídica – protetora de bens considerados importantes pela comunidade – e, uma vez descoberto, passa a ser procurado pelo Estado que, nesse exemplo, age como voz da sociedade que representa.

O crime, então, é exemplo que ilustra bem o conflito entre a vontade de um (ou alguns) e a vontade de muitos. Mas há outros tipos de contraste de vontades.

No recente filme Sniper Americano, Clint Eastwood também lança luz sobre o sabor de decidir (doce, amargo, azedo?) e traz considerações interessantes sobre tomar decisões.

A história relata aspectos da vida de um atirador de elite na guerra do Iraque levada a efeito por George W. Bush. É o bom velho filme “baseado em fatos reais”.

Tenho total consciência de que, por vezes, o simples ato de decidir – fazer ou não fazer algo – pode trazer miligramas de remédio amargo, pelo qual a mesma dose que cura o “mal” da decisão, pode carrear o efeito indesejado de angústia duradoura e severa.

É o caso de parte da vida de Chris Kyle, o herói de Sniper Americano. Kale é atirador de elite da Marinha e faz parte de tropa especial – Os Seals. E, nas ruas da Falujalh ocupada pelas forças americanas, o soldado atirador tem que tomar decisões que vem junto com o remédio amargo.

Matar, escondido, mesmo num contexto de guerra, mulheres, crianças ou qualquer um, é sempre atitude tangente à covardia. Mas, nesse caso, havia interesse envolvido da sociedade americana, do Estado que a representava e do próprio Kyle.

Para cada disparo a ser feito, Kyle consulta, via rádio, um superior e descreve o que vê. A resposta, invariável, que vem do lado de lá, é: “Você decide.”. Ou seja, para Kyle, cada disparo é uma decisão.

Em outro flanco, o do lar, Kyle enfrenta a pressão da mulher. A cada período de arejamento do combate, ele escuta que sua esposa quer atenção para si e para os filhos e pede para ele não retornar mais ao teatro de operações no Iraque.  A esposa de Chris Kyle alega que ela e os filhos são a vida real do Fuzileiro e não a Marinha; ele retruca e diz a ela que precisa proteger o país do terror.

Penso que a vida nossa de cada dia seria péssima sem a capacidade de decisão. E, embora muitas vezes decidir traga embutido miligramas do remédio amargo, é essa capacidade de decidir, o desejo de vencer e a própria incerteza do que virá amanhã, que traz graça e sabor à existência.

Quão infeliz seria a vida se fôssemos robôs de carne e sangue.  Porém, dou graças ao Altíssimo por não precisar viver com o peso de Kyle, mesmo sabendo que, em geral, na vida, cada disparo é uma decisão e cada decisão é um disparo.

 

Por Pastor Marcos Paulo

 

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