Série The Crown é simplesmente imperdível

A série The Crown é simplesmente imperdível. Não sou eu apenas quem faz essa afirmação e sim o colunista Rodrigo Constantino.

Em ótimo artigo, cujo titulo é: The Crown, da Netflix, é simplesmente imperdível, alimento para nosso cérebro, Rodrigo Constantino explica o por que da série The Crown ser viciante.

Beleza, sofisticação e refinamento são como o Bis da propaganda: depois que você experimenta um, não consegue mais parar. Confesso ao leitor: estava em crise de abstinência após “Downton Abbey”, de Julian Fellowes. Por isso fui ver “Dr. Thorne”, em apenas quatro episódios, adaptado por ele da novela de Trollope, passado na era vitoriana. Não bastou. Fui, então, ler Belgravia, seu livro ambientado em mesmo cenário. Excelente, mas ainda não foi o suficiente.

Já estava, portanto, a babar pelos cantos, feito um adicto enlouquecido, mendigando por pedaços de beleza, por pequenas quantias de sofisticação, por um segundinho só de refinamento e inteligência. Aplacava a angústia com os filmes de super-heróis no cinema, com os 007s, os mutantes da Marvel, os espiões Bourne da CIA, tudo num estímulo frenético de cenas impressionantes possíveis por produções milionárias.

Era bom enquanto durava, admito. Naquelas duas horas eu era transportado a um mundo paralelo, sob uma chuva tão grande de imagens inacreditáveis que a realidade era esquecida. Mas o cérebro, em seu estágio mais elevado, ficava de fora. Não era alimentado devidamente. E pouco tempo depois lá vinha ela, a maldita crise de abstinência. “Preciso de beleza!”, gritava tal qual um lunático. “Me dê refinamento!”, bradava aos olhares suspeitos de minha mulher, inclinada a chamar logo os homens de branco e encerrar o delírio.

Até descobrir “The Crown”, da Netflix. Que alívio! A sensação de vício atendido foi imediata, como um corpo em delirium tremens que entra em contato com a primeira gota de álcool. Pulando de um capítulo ao outro dos dez da primeira temporada, como quem tenta degustar cada pedacinho do Bis restante, acompanhei a história da jovem rainha Elizabeth, elevada à Coroa após a morte do pai, que por sua vez fora catapultado ao cargo pela renúncia do irmão, que escolheu o amor de uma mulher em vez do reino.

Que diálogos! Que delicadeza nas cenas! Que fascinante a atuação de John Lithgow como Sir Winston Churchill, talvez a personagem mais marcante de todo o século XX. Peter Morgan nos legou um marco da televisão, que atualmente só a televisão tem sido capaz, com uma mensagem de viés conservador tão em falta no mundo moderno. O embate entre o antigo e o novo está lá; a tensão constante entre o “progresso” moral e a necessidade de se conservar tradições está lá; o dilema entre a dignidade e a eficiência, como colocava Bagehot acerca do papel da monarquia e aquele do governo executivo, também está lá. Nem tudo é “produtividade”.

Finalizo

A série The Crown, além de tudo isso que Constantino pontuou, nos deixa com uma pontinha de inveja dos britânicos. O que a República trouxe de positivo para o Brasil?

Voltemos à Direita 

2 comentários em “Série The Crown é simplesmente imperdível”

  1. República golpista. Aquilo sim foi golpe.
    Falando em séries, já assistiram House of Cards? Parece muito com o que acontece por aqui, mas claro, aqui é um nível muito mais hardcore.

  2. Assisti e adorei cada minuto. Foi por recomendação do Evaristo, ex apresentador JH que agora mora em Londres. O texto do Rodrigo é significativo, tem momentos que precisamos sim de beleza.

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