Seja o seu próprio Lutero

Há 500 anos o monge Martinho Lutero leu a Bíblia e percebeu que o sistema clerical agia à revelia da Palavra de Deus.

Lutero entrou para a história como o principal reformador do cristianismo. Enfrentou a fúria de um papa poderoso, Leão X, queimou publicamente a bula papal, não se retratou quando acossado pela alta cúpula de Roma e não desistiu do propósito de denunciar os crimes, heresias e abusos da Igreja.

Atualmente uma nova reforma seria necessária, entretanto, não há sistema central contra o qual se levantar. Há incontáveis denominações, muitas delas sérias, compostas por servos verdadeiros do Deus vivo, ligadas ainda aos preceitos bíblicos readquiridos com a Reforma.

Entretanto, não há somente um papa protestante.

Há milhares deles.

Líderes denominacionais que, cada qual com sua nomeação, de pastorado, bispado, apostolado e etc, se tornaram papas de seus rebanhos, conduzindo suas igrejas de modo pouco diferente do sistema que Lutero enfrentou.

Lutero se ergueu contra uma Roma que impedia a divulgação da Bíblia em língua corrente, mantendo o público néscio, sem condição de questionar as ordenanças antibíblicas.

Hoje em dia, falsos líderes minimizam o papel da Escritura, tanto através da falta de incentivo ao seu aprendizado, como por meio da realização de cultos inflados de atividades diversas que deveriam ser secundárias ou mesmo abolidas, em detrimento à ministração da Palavra.

Lutero questionou a venda de indulgências, que eram, em resumo, a venda de perdão de pecados.

Os papas evangélicos de hoje também utilizam o dinheiro como fonte de realização dos desígnios do homem diante de Deus. Se antes o preço pago era pelo perdão, hoje é pela benção.

Os papéis que perdoavam pecados foram substituídos pelos carnês, ofertas especiais e trízimos, que são os novos documentos de liberação da “benção financeira” e da “prosperidade” que, má ensinada aos crentes sob sua tutela, se tornam sinônimos de satisfação pessoal proporcionada por objetos de consumo.

Lutero se ergueu contra o ensino de que havia intermediação entre Deus e os homens para orações e perdão de pecados, ensinando que a salvação era um dom gratuito e que todos tinham acesso ao Pai, sem necessidade de santos ou padres como intermediários.

Os atuais Reis de Roma, reis de suas próprias Romas denominacionais, se posicionam exatamente como ungidos de caráter especial, superiores e superlativados, considerando-se inquestionáveis, mesmo quando agindo em desacordo com a Palavra, se referendando com títulos pomposos e postura soberba.

Não haverá um novo Lutero para realizar a Neo Reforma. Dispomos dos instrumentos fornecidos por Deus, que por sua ação perfeita possibilitou que Sua Palavra chegasse até nós, do Espírito Santo que revela a profundidade desta Palavra e dos indicativos que grandes servos de Deus nos forneceram.

Cada um de nós precisa realizar a sua própria Reforma, apurando o filtro para identificar falsos profetas e aproveitadores, distinguindo através das escrituras, para não acabar embrenhado nas ciladas dos que falam em nome de Deus, mas buscam apenas o próprio engrandecimento pessoal e/ou financeiro.

Todo cristão verdadeiro tem o dever de ser um reformador, não o responsável pela reforma global do cristianismo, mas um reformador em pequena escala. Que identifique, denuncie e, em amor, alerte os incautos, para que não sejam pagadores de indulgências dos papas denominacionais.

Se você congrega num ambiente que ensina a você sobre um Deus gênio da lâmpada, disposto a lhe conceder desejos, mediante a contrapartida de ofertas generosas, seja o seu próprio Lutero.

Se você congrega num lugar que minimiza a relevância da Escritura, não lhe dando a devida importância como Palavra de Deus, substituindo-a por movimentos, atividades e apelações emocionais e alucinatórias, seja o seu próprio Lutero.

Se você congrega num lugar cujo líder se ergue à categoria de supra-ungido inquestionável e inatingível, seja o seu próprio Lutero.

Se você é um cristão e percebe que muitos irmãos estão sendo enganados e vivendo debaixo de um evangelho falso e oportunista, já sabe:

Seja o seu próprio Lutero.

Por Renan Alves da Cruz 

 

Publicado no portal Gospel Prime 

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6 comentários em “Seja o seu próprio Lutero”

  1. Que lixo de texto! Nem é qualquer protestante que comete a boçalidade de defender essa tão falsa como romantizada versão de Lutero! Vejo isso mais em livros de Historia de doutrinação esquerdista visando atacar a Igreja Católica.

    “Há 500 anos o monge Martinho Lutero leu a Bíblia e percebeu que o sistema clerical agia à revelia da Palavra de Deus.” O maior exemplo era o próprio Lutero, que chegou a alterar o conteúdo da Bíblia para adaptá-la a suas próprias heresias, como o “sola Scriptura”, contraditório em si porque a Escritura é fruto do Magistério da Igreja que ele próprio repudiou!

    “Lutero entrou para a história como o principal reformador do cristianismo. Enfrentou a fúria de um papa poderoso, Leão X, queimou publicamente a bula papal, não se retratou quando acossado pela alta cúpula de Roma e não desistiu do propósito de denunciar os crimes, heresias e abusos da Igreja.” Falácia do espantalho.

    “Lutero se ergueu contra uma Roma que impedia a divulgação da Bíblia em língua corrente, mantendo o público néscio, sem condição de questionar as ordenanças antibíblicas.” MENTIRA! A Igreja Católica sempre prezou a alfabetização, sendo que o latim era a língua comumente utilizada para estudos e escritos em geral, tanto que até hoje são utilizadas expressões latinas como termos técnicos em várias áreas por conta dessa herança cultural. Dizer que o latim era usado para evitar que as pessoas lessem chega a ser ridículo, já que o analfabetismo em qualquer idioma era regra até mesmo entre a nobreza, cabendo aos escribas/escrivães a tarefa de ler e escrever pois isso era uma qualificação técnica pouco difundida. Quem escreveu esse texto nunca se perguntou o porquê de Cabral ter mandado Caminha escrever a carta em vez dele mesmo ter escrito? O analfabetismo no mundo é um problema até hoje e só começou a ser mitigado no Ocidente no século passado.

    “Lutero questionou a venda de indulgências, que eram, em resumo, a venda de perdão de pecados.” Essa mentira foi inventada no século XIX em um livro anticatólico chamado “O Papa e o Concílio”, escrito a mando de Bismarck a título de guerra cultural contra o Catolicismo. Essa fraude histórica grotesca ficou famosa por aqui porque Rui Barbosa traduziu esse livro, mas quando se converteu repudiou publicamente essa obra. Fiquei até admirado em ver alguém ainda escrever isso quando a era da Internet está aí a desmarcar fake news and “olds”. Antes que me esqueça: isso não é citado nas tais 95 teses, pois Lutero fala em malversação, não em venda das indulgências, em um caso envolvendo Johann Tetzel, não uma situação generalizada como as mentiras de Bismarck repetidas pelos protestantes fazem crer.

    “Lutero se ergueu contra o ensino de que havia intermediação entre Deus e os homens para orações e perdão de pecados, ensinando que a salvação era um dom gratuito e que todos tinham acesso ao Pai, sem necessidade de santos ou padres como intermediários.” Leiam “De Servo Arbítrio”, a verdadeira heresia-mor de Lutero, que é uma mistura de ideias de Jan Hus, gnosticismo e fatalismo islâmico, e virem ateus com tamanha decepção com o seu “herói” ou repudiem o protestantismo e virem católicos. Já vi acontecer as duas coisas e com frequência. Por sinal, se não há intermediários, Lutero, Calvino e quem escreveu esse texto estão fazendo o quê? Criando caminhos? Dizendo como deve ser? Que moral vocês têm para criticar o modus operandi das outras vertentes protestantes? O autor do texto usa a palavra “papa” de forma pejorativa, sendo que Lutero era igual e pejorativamente chamado de “papa de Wittenberg” por ex-discípulos exatamente por essa contradição!

    “Não haverá um novo Lutero para realizar a Neo Reforma. Dispomos dos instrumentos fornecidos por Deus, que por sua ação perfeita possibilitou que Sua Palavra chegasse até nós, do Espírito Santo que revela a profundidade desta Palavra e dos indicativos que grandes servos de Deus nos forneceram.” Se não há necessidade de intermediação, qual é a desses “indicativos” dos “grandes servos? Quem diz quem são os “grandes servos”? Quem valida esses “indicativos” com base no livre exame da Bíblia? Quem garante que Lutero e não Karlstadt, Ecolampádio ou Thomas Müntzer, que abandonaram Lutero, estavam certos?

    “Se você congrega num ambiente que ensina a você sobre um Deus gênio da lâmpada, disposto a lhe conceder desejos, mediante a contrapartida de ofertas generosas, seja o seu próprio Lutero.” O livre exame deles contra o do autor do texto: quem está certo? A discórdia que impera no movimento protestante já nasceu na cabeça de Lutero e sua “sola Scriptura”…

    “Seja o seu próprio Lutero.” Não, obrigado. Até porque sem o Papa São Dâmaso não existiria Bíblia e para acreditar na Bíblia é preciso crer no Dogma da Infalibilidade Pontifícia.

    • Respeito a sua posição, mas mantenho o que escrevi. Respeito o catolicismo, mas sou reformado e produzi o texto no sentido de criticar heresias do meio evangélico, afirmando haver necessidade de uma reforma dentro deste meio evangélico. Abração.

  2. O artigo é bastante oportuno quando temos em mente a cena evangélica brasileira. Diferente do comentário do senhor Pedro Rocha, que não consegue apresentar uma defesa bíblica do seu catolicismo.

  3. Belo texto, também acredito piamente que precisamos de uma reforma “dentro da reforma”. Mas não havia parado para pensar nesta perspectiva: a de fazermos, cada um, a reforma. Primeiro precisamos mudar nós mesmos, deixar nossos erros, misticismos etc. Esperar sempre dos outros não é a melhor solução. Grato sempre a Lutero, embora reconheçamos que tenha falhas (pois que intrínseco à natureza humana), foi um homem intrépido, corajoso, humilde. Como o profeta Elias, como Jesus, os quais cada um no seu tempo protestou contra o sistema religioso falido e falso, Lutero também protestou.

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