Rodrigo Janot acusa Gilmar Mendes de decrepitude moral

Rodrigo Janot, Procurador-Geral da Republica, rebateu de forma veemente o ministro do STF Gilmar Mendes. Mendes, no inicio da semana, fez duras criticas à PGR e ao Ministério Público Federal por supostos vazamentos de nomes investigados na Lava Jato.

Ao atribuir a divulgação de alguns nomes citados em delações premiadas a uma ação feita, segundo se noticia, pelo próprio MPF, o ministro do Supremo disse o seguinte:

Quando praticado por funcionário público, vazamento é eufemismo para um crime. E os procuradores certamente não desconhecem“, disse Mendes.

Hoje, foi à vez de Rodrigo Janot contra-atacar e de forma dura e veemente. Disse Janot

Não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre essa imputação do Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios. Mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos e instrumentos legítimos de comunicação institucional”.

Continuou o Procurador-Geral da República:

Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar todos a sua decrepitude moral e para isso acusam-nos de condutas que lhes são próprias, socorrendo-se, não raras vezes, da aparente intangibilidade proporcionada pela posição que ocupam no Estado”.

E arrematou

Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder público e repudiamos a relação promíscua com a imprensa”.

Encerramos

Já criticamos duramente Rodrigo Janot. Já elogiamos e criticamos duramente o Ministro Gilmar Mendes.

É inegável que Brasília é um pântano e que há crocodilos famintos por todos os lados. Não se descarta, portanto, que estejamos diante de mais um teatrinho envolvendo os dois personagens, Janot e Gilmar Mendes.

É bem verdade que as criticas de Mendes tem razão. Para sanar o problema, retira-se o sigilo.

As palavras de Janot têm sentido, mas a refrega poderia ter sido abordada em tom menos belicoso.

O que queremos dizer com isso?

A priori, sou contra a retirada de sigilo dos nomes citados na delação da Odebrecht.

Isso é o que a classe política deseja e entendo esse desejo como uma estratégia de antecipar fatos que poderiam vir a tona em ano de eleição, ou seja, lidando com tudo agora, em 2018 o eleitorado já terá absolvido e se acostumado com o impacto de ter boa parte dos profissionais da política envolvidos em propinas, caixa 2, lavagem de dinheiro, etc.

Na mesma toada, a reação de Rodrigo Janot pode ter sido calculada, mas não em defesa da lisura, ética e transparência, mas sim, com o intuito de rajar de vez as relações entre PGR e STF. Resultado: maior retardamento de julgamentos e sentenças, negação de provas, etc, etc.

Como bem lembrou O Antagonista, quem ganha é a Orcrim.

A verdade é que está cada vez mais difícil sabermos quem faz parte da Orcrim e quem está contra a Orcrim.

Por Jakson Miranda

 

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