Rock não é apenas música… É estilo de vida

Muitos pensam que rock é apenas música. Que é apenas mais um ritmo entre tantos. Mas não é. Agregado ao rock vem um estilo de vida bem peculiar. É dito que rock é música de contestação e enfrentamento.

Contestar o quê? Enfrentar quem?

A tradição, o dado. As ideias e posturas herdadas dos pais. É certo que nem todo costume ou hábito particular dos pais ou de famílias sejam bons por si mesmos. Porém, a ideia geral de que a herança de sabedoria dos mais velhos é boa e deve ser observada é útil e é de bom alvitre que seja levada em conta na hora de organizar a sociedade.

Tornei-me fã de muita coisa que Luiz Felipe Pondé escreve. Dentre elas, está o livro Os dez mandamentos (+um) Nele, Pondé explica a importância do respeito aos pais a partir da visão hebraica. Os trechos a seguir indicam bem a ideia:

“…para os hebreus, os fundamentos dos valores, das crenças e das verdades se assentava na tradição.” (p.64)

“Embora não enfrentemos predadores, como nossos antepassados faziam, continuamos a ter de lutar com nosso demônios internos, que se materializam na cultura e permanecem à espreita, além de termos de encarar o desafio de precisarmos fundamentar decisões morais em um mundo de valores voláteis e instáveis – o que é um ato de coragem.” (p.73)

O rock, de ordinário, vai contra esse entendimento. Deixo dois exemplos que indicam isso.

O primeiro, dos aclamados Beatles. No famoso e consagrado álbum de 1967, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, conhecido como apenas como Sgt. Peppers (Sargento Pimenta), cuja capa traz personagens emblemáticos da história escolhidos a dedo pelo quarteto. Para surpresa de muitos, aparece ali nessa capa a foto do ocultista Aleister Crowley, alguém que se intitulava o “666” e cujas visões inspiraram a obra “O mágico de Oz”, do teosofista L. Frank Baum, que virou filme, ao qual meus filhos e eu mesmo já assistimos antes de saber dessas conexões.

E isso para não mencionar que o quarteto de Liverpool foi um dos principais veículos portadores de aspectos da religião hindu no Ocidente.

O segundo exemplo vem da banda também inglesa “The Rolling Stones”. O famoso dito “pedra que rola não cria limo” carrega a ideia de que aquele que anda muito não forma raiz, não tem valores profundos, nem tradição onde se escorar. Essa parece ser a inspiração por trás do nome do grupo de Mick Jagger.

Nessa direção, o velho guitarrista dos Stones, Keith Richards, hoje com 71 anos, se gaba de dizer:

Nunca fui o sujeito que se ajoelha diante do rei; sou o cara que o ameaça com a espada.”

Mesmo que seja somente a discordância da organização política chamada Monarquia, tal aforismo tem em si o germe da recusa à autoridade.

Outro fato pouco conhecido ou divulgado dos Stones é sua veia satânica. Gravaram a canção de elegia ao coisa-ruim  chamada “Simpathy for the Devil” (Predileção ou simpatia pelo demônio), cuja batida foi retirada do samba brasileiro.

Dessa feita, de acordo com os exemplos trazidos de Beatles e Roling Stones, a postura anti-tradição do rock acaba fomentando um senso de revolução permanente na sociedade e é também para isso que serve o pendão da contestação e do enfrentamento que o rock empunha.

Ou seja, rock não é apenas música…é estilo de vida.

 

Por Pr. Marcos Paulo

 

Leia Também:

Sócrates, Religião e Filosofia

A LINGUAGEM RELIGIOSA E APOCALÍPTICA DA MARVEL

Êxodo: Deuses e Heróis

Iron Maiden no Brasil: Heavy Metal Antiesquerdista

Downton Abbey é o melhor programa da televisão atual!

 

 

 

Um comentário em “Rock não é apenas música… É estilo de vida”

  1. Realmente, rock é estilo de vida. Mas tirando as bandas de metal extremo, voltado ao ocultismo e coisas afins, gosto muito do estilo. Não sou fã de Beatles e de Rolling Stones, mas sou fã alucinado do Metallica, não à toa, tenho uma tatuagem de uma logo da banda no braço direito. E aí que está: sou católico praticante, catequista de crianças de primeira eucaristia e conservador. Meus encontros, voltados para crianças na faixa de 9 a 13 anos, além do conteúdo programático católico, também tem vários assuntos de interesse conservador, como criminalização das drogas e aborto, por exemplo. Estou ensinando os valores cristãos aos meus alunos e o que os servos de Deus devem praticar. Infelizmente, o rock é um dos estilos mais vitimizados pelo preconceito. Vou à missa com camisas de bandas, para mostrar que estereótipos não mostram o que o coração carrega. E sempre uso o exemplo de uma banda, que pelo nome, causaria repulsa a muitos cristãos: MORTIFICATION. Esta banda australiana, de death metal (para quem não sabe, death metal é rock estilo a banda Sepultura) toca nada mais nada menos, que letras cristãs. Quem ouve e não entende inglês acha que estão gritando, xingando a mãe, como costumam dizer. E só a título de curiosidade, o vocalista desta banda, venceu uma leucemia, mesmo estando à beira da morte várias vezes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *