Que desgraça é ler um jornal hoje em dia!

Na verdade, que soma de desgraças é ler um jornal hoje em dia!

A rotina de começar o dia com o jornal é tradicional. Por mais que a internet tenha modificado o trânsito de informações e o modo de se fazer notícia seja mais instantâneo, sou daqueles que ainda tem por hábito começar o dia pelos jornais. Faço a leitura de uma vez, numa “sentada” só, e tenho me surpreendido com a dificuldade recente de ter algum sentimento satisfatório após a tarefa.

É um lixo. As notícias não ajudam. O governo brasileiro é petista, o americano é democrata e não um do tipo “dos males o menor”, como Bill Clinton, mas com um Obama. Mundo afora, não há andorinhas suficiente para fazer um verão. E embora a metáfora não traduza minha preferência pessoal (sou um ardoroso fã invernal), aceitaria de bom grado um ensolarado verão conservador.

Quando o número de más notícias soterra o de boas, ler o jornal se torna um martírio.

Fosse esse o único problema, eu não criticaria o jornal em si.

O problema maior, entretanto, é a ideologização das redações e seu resultado inevitável: a parcialidade.

É incrível a desonestidade intelectual de grande parte dos redatores dos grandes veículos. A transfiguração dos fatos em nome do progressismo. A opinião disfarçada de notícia.

E um certo relativismo noticioso, que não exige compromisso algum com a verdade.

Um de meus primeiros empregos foi como vendedor de jornais via telemarketing. Eu vendia um dos maiores jornais brasileiros, que me reservarei ao direito de não identificar.

Me tornei assinante do mesmo e, talvez por gratidão, um propagandista. O recomendava com fervor “fundamentalista”, para usar um termo que, aliás, ele gosta bastante…

Atualmente, quando o vejo alinhado com interesses do partido que está doidinho para pautá-lo previamente, arrependo-me até o último fio de cabelo de ter sido seu depoente gratuito por tanto tempo.

Jamais transigirei com qualquer espécie de censura, e não o estou fazendo aqui. Defendo o direito absoluto de expressão.

Só que se o partido do poder conseguir, um dia, emplacar seu projeto de controle da mídia, os que se comportaram como braços de apoio durante sua ascensão, já estarão moralmente comprometidos para questionarem. Aí será tarde demais.

Ler o jornal hoje em dia exige estômago forte. O nível de coliformes fecais por página é insalubre. Lembro de uma frase de Mário Quintana que dizia que os grandes poetas não liam outros poetas, liam os pequenos anúncios de jornal.

Parece ser mesmo a parte mais aproveitável.

 

Por Renan Alves da Cruz

 

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