Qual presidente da República você, eleitor, quer eleger?

(Artigo publicado em 05/10/2018)

Qual presidente da República você, eleitor, quer eleger? Essa talvez seja a questão mais importante que o cidadão brasileiro faz a cada quatro anos. O que eu, como cidadão e eleitor, quero para o Brasil?

Pois bem, o imperfeito, mas necessário regime democrático dá ao cidadão o direito de escolher seus representantes, ou melhor, escolher aqueles que irão liderar uma nação, um estado ou um município. No Brasil, isso acontece a cada quatro anos.

Ocorre que não são poucas às vezes em que nos faltam opções. Nessas situações, não são poucos os que optam por escolher o menos ruim. É nessas horas que alguns se voltam contra o próprio regime democrático, que argumentam, aceita o voto de todos e não somente dos melhores e mais instruídos.

Trata-se de um argumento corredio que pode fisgar algum desatento, mas que nada mais é do que uma brecha para a implantação de regimes totalitários.

De fato, o real problema não reside no regime democrático. Também não reside no sistema republicano. Embora, reconheça-se, as repúblicas sejam as mais vulneráveis a esse tipo de falha.

O problema está intrinsecamente ligado á falta de compreensão relativa ao cargo para o qual está se elegendo o representante. Tal incompreensão é causa, mas também consequência da perca de sentido para o que conhecemos por político. 

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Não creio que todos ou qualquer um possa ser um político, não no sentido de ter condições de chegar ao topo máximo na hierarquia de um país (presidente da república).Isto é para poucos. Logo, jogar tamanha responsabilidade no lugar comum é um equivoco que não cansamos de cometer.

Do mesmo modo e de forma exacerbada, tem-se supervalorizado o aspecto administrativo do governante, como se este nada mais fosse do que um super gerente. Oras, isto nada mais é do que dar uma roupagem nova à velha sanha burocrática. Em síntese, ser político é e deve ser mais do que isso.

Um político, e aqui tratamos especificamente do presidente da república, além de representar ideias e pessoas, é acima de tudo um chefe, ou seja, é alguém que tem por excelência a missão de guiar uma sociedade na sua continua jornada rumo a tempos mais seguros e tranquilos, aonde o homem comum possa cuidar de sua própria vida: suas obrigações e seus prazeres.

Assim, não é possível eleger um ocupante para um cargo eletivo se não se sabe o que ele pensa efetivamente sobre determinados temas, tais como honestidade, respeito às leis e defesa da vida, para ficarmos nesses três exemplos.

Nesse sentido, cabe ao presidente da república passar diuturnamente a mensagem à sociedade de que para tudo há um limite e que certas práticas são intoleráveis, sejam elas praticadas nas altas esferas da sociedade, sejam elas praticadas nas comunidades mais carentes.

O que tudo isso significa? Significa que devemos passar longe de dois tipos de políticos: aqueles que relativizam e apoiam práticas e ideias contrárias aos bons costumes da nossa sociedade e aqueles que hipocritamente se apresentam como isentos. São os isentões: em tradução literal, verdadeiros covardes e demagogos.

São esses dois tipos de políticos que escamoteiam suas posições, escondendo-as sob a bandeira de benesses econômicas ou acenando com mais vantagens a esse ou aquele setor.

Em suma, o debate político não deve se restringir a questões econômicas, ao contrário, enxergo que na disputa de um pleito tão importante como o de Presidente da República a economia deve ser vista como algo secundário bastando o candidato oferecer as garantias de que não atrapalhar a vida de investidores, empresários e trabalhadores.

Em tal debate, sob a ótica dos eleitores, deve-se ter como critério preponderante a ser pesado no dia da eleição a seguinte indagação: Qual presidente da República eu quero eleger? Se esta indagação não lhe diz nada, lembre-se que ela traz em seu bojo uma reveladora reflexão: Quais exemplos a sociedade quer ter personalizada e espelhada na figura do senhor presidente da república?

Por Jakson Miranda

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