Qual o caminho para resgatar a escola pública?

(Artigo publicado em 13/03/19)

Creio que não é necessário debatermos de forma exaustiva a função de uma escola, seja ela uma escola privada ou escola pública: ensinar. Entretanto, é importante registrarmos o que entendemos por ensinar.

Estou convicto que a educação e portanto o ensino, não se restringe apenas em preparar crianças e jovens para o mercado de trabalho, cujo objetivo final é um ótimo emprego com salários altos e uma gama de oportunidades. Oportunidades que só não são infinita por conta da concorrência, característica própria do mercado de trabalho.

Sendo assim, minha concepção de educação envolve um continuo processo de transformação no e do indivíduo, possibilitando-lhe crescimento intelectual, moral e espiritual, logo, um indivíduo que a cada dia torna-se um ser mais capaz e melhor em conhecimento e atitudes.   

Quando falamos em educação pública e mais especificamente em escola pública, logo vem à mente um quadro desolador de indisciplina, professores mal formados e mal remunerados, cujas consequências são o desinteresse dos alunos em aprender e o desestímulo e incapacidade dos professores em ensinar.

Não digo que esse quadro não corresponda a realidade, todavia, arrisco em dizer que tal quadro não representa toda a realidade, sendo apenas a parte mais notória de um problema muito maior.

Nesse sentido, já está mais do que provado que as ideias do senhor Paulo Freire têm contribuído para o agravamento e vertiginosa queda na qualidade do ensino em nosso país. Todavia, embora comungue da ideia de que a meritocracia é um excelente instrumento, uma vez que desde cedo reclama a necessidade da criança e jovem desenvolverem o senso de responsabilidade e compromisso, sou levado a ponderar que o uso imparcial desse instrumento, possa não ser capaz de promover a necessária transformação que a educação é capaz de causar na vida de inúmeras crianças.

De fato, a meritocracia (sobre a meritocracia, é importante que o leitor leia os ótimos artigos publicados pelo colunista Renan Alves da Cruz) deve ser usada no sistema de ensino, inclusive na rede pública, tanto para professores quanto para alunos, mas, no caso desses últimos, creio que o bom senso de considerar caso a caso seja o mais adequado. Digo isso porque as unidades escolares localizadas nas periferias, constituem a única referência cultural para as crianças e jovens dessas localidades. Privar-lhes desse ambiente, tendo como instrumento definidor a meritocracia, pode tirar da educação sua verdadeira finalidade.

Até aqui, já deve está claro para o leitor que partimos da premissa de que a escola, por ser pública, atende a filhos de famílias cujas condições econômicas e culturais são dispares.

Há crianças cujos pais são financeiramente estabilizados, mas também e principalmente, há crianças cujos pais mal conseguem comprar o pãozinho do café da manhã. Examinando mais de perto a vida dessas crianças e jovens, descobre-se que uma grande parte, dolorosamente, não possuem pai nem mãe. Estamos falando de uma funesta e cruel realidade que deságua na escola pública!

Dito isto, finalizamos o presente artigo deixando como reflexão o questionamento: qual caminho a ser trilhado para se resgatar a escola pública? Trata-se de uma indagação cuja resposta tentaremos oferecer no próximo artigo.

Por Jakson Miranda

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