Protesto dos Caminhoneiros e a aposta na política errada

É muito difícil alguém ir contra as reivindicações dos caminhoneiros. São eles os principais responsáveis pelo escoamento da produção nacional e que, para atender a demanda, para entregar a carga dentro do prazo, muitos dormem mal, outros, simplesmente não dormem. No entanto, tais profissionais só são lembrados quando há o risco de desabastecimento com uma ameaça de greve.

Honestamente, não sou a pessoa mais indicada a falar favoravelmente a qualquer tipo de greve. Não porque eu seja contra as reivindicações de melhorias de trabalho, mas, porque sei que a grande maioria dos sindicatos no Brasil, são franjas do petismo, e sabemos no que isso dá. Quando não são franjas do petismo, as associações sindicais têm ao menos dois outros pecados: Carregam uma visão corporativista, o que nem sempre é bom e enxergam o Estado como principal solucionador dos seus problemas, deixando, porém,  muita das vezes, de exigir do Estado aquilo que realmente deveria ser exigido.

Hoje, em alguns estados do país estão ocorrendo protestos e bloqueios de rodovias por parte dos caminhoneiros. Em reportagem da Folha de São Paulo tem-se o seguinte:

Os manifestantes pedem a redução do preço do óleo diesel, a criação do frete mínimo (este o governo reconhece que não conseguiu atender), salário unificado em todo o país e a liberação de crédito com juros subsidiados no valor de R$ 50 mil para transportadores autônomos. O grupo também quer ajuda federal para refinanciamento de dívidas de compra de seus veículos.

Já no Estadão, destaco o trecho:

Um dos líderes da categoria e organizador da paralisação, Ivar Schmidt afirma que a luta é pela renúncia da presidente Dilma Rousseff. Ele está à frente do “Comando Nacional do Transporte” e garante que os caminhoneiros, agora, somente vão negociar “com o próximo governante”.

A greve ganhou o apoio de grupos como Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua. Os líderes do movimento garantem já ter grande apoio também de caminhoneiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A expectativa é atingir pelo menos 70% do País inicialmente.

Finalizo

É um protesto unicamente político? Se o é, e a informação do Estadão indica que seja, não têm o meu apoio. Se não concordo que sindicatos sejam franjas do PT, porque irei concordar que sindicatos ou, “movimentos” que representam categorias profissionais, sejam franjas de anti-petistas? Apenas porque estão contra o PT? Ademais, fazer uso das condições de trabalho deste ou daquele setor, para pedir a saída deste ou daquele governante, não é algo muito democrático, é?

Trata-se de um protesto cuja questão central são as condições de trabalho dos caminhoneiros? Pelas reivindicações noticiadas pela Folha, sou mais uma vez, obrigado a discordar. Por quê? Oras, o setor está pedindo mais e mais regulações do Estado, quer a intervenção pesada do governo. Uma ajudinha aqui e outra acolá. No fim, isso em nada contribuirá para a melhoria das condições de trabalho do setor.

Sendo leigo na questão, pergunto: Não seria mais urgente, exigir melhorias nas estradas? Quiçá, que se intensificassem as concessões à iniciativa privada? Estradas esburacadas, com pouca sinalização e segurança, já não são os principais problemas enfrentados por quem trabalha com o transporte de cargas? E locais apropriados para o descanso e dormir? E o policiamento adequado em áreas onde ocorre o maior número de roubos de carga? Não são reivindicações urgentes, que melhorariam a qualidade de trabalho e consequentemente, maiores ganhos para motoristas e empresários?

Se nada nesse sentido for cobrado e exigido. Se a pauta for exigir que o Estado continue sendo o que é (subsidiando, determinado, tabelando preços e salários) de nada adiantará pedir a saída do atual governo, pois, as coisas continuarão sendo como estão.

Sei que muito provavelmente serei minoria nessa questão, mas, não posso deixar de opinar e pedir que vocês reflitam sobre isso.

 

Por Jakson Miranda

 

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