Professor que vandaliza Secretaria de Educação desonra a profissão e merece ser exonerado!

Sou professor.

Também acho que o salário pago à categoria é lastimável.

É um problema endêmico, não exclusivo do Estado de São Paulo. Professores do país inteiro ganham mal, trabalham sob péssimas condições, são agredidos por alunos, recebem pouco apoio de boa parte dos pais e não veem suas demandas – não apenas financeiras – serem atendidas pelo poder público.

Tal situação acaba fortalecendo os sindicatos, não raro o único lugar a que um professor pode recorrer quando atingido. O crescimento do sindicalismo, cria uma proteção intransponível, que não atende apenas o bom profissional, mas também o incapaz, que se esconde atrás da inatingibilidade de sua posição, para continuar, mesmo de forma obtusa, o exercício de seu ofício.

Greves fazem parte. Vejo pequenas legitimidades aqui e ali, ademais, grande parte do que se faz hoje em dia é abusivo, extorsivo e achacador.

E me ressinto ao perceber que as greves não incutem em suas reivindicações demandas que são imediatas para a melhoria da educação pública e que dizem respeito ao dia a dia das salas de aula. Hoje em dia, com o direito irrevogável de “acesso e permanência”, um aluno pode frequentar as aulas sem uniforme e material escolar (que ele, aliás, recebe do governo).

A escola não pode privar um aluno de frequentar às aulas, mesmo que ele se recuse a usar o uniforme, mecanismo de proteção que visa impedir a frequência de pessoas estranhas ao ambiente,  que é de suma importância à segurança de todos; e não leve o material escolar, essencial ao aprendizado.

O professor é obrigado é aguentar algumas dúzias de desinteressados, e sequer pode ordenar que se retirem da sala. Isto também é privá-los do ensino.

Eles podem privar do ensino os colegas que querem aprender. Porém, não podem ser privados.

Tais demandas, considero, são tão ou mais importantes que as financeiras, mas permanecem ignoradas pelos sindicatos.

Contudo, cenas como as que se viram em São Paulo na última quinta-feira não são permissíveis à luz da razão e do bom senso.

professores vandalos

O professor é exemplo. Seu aluno se espelha nele. Por isso mesmo que a doutrinação cega tem efeito tão deletério. O professor precisa ser um formador do livre pensamento e um propagador da responsabilidade democrática.

Professor quebrar Secretaria de Educação é o cúmulo. E não é por ser do Alckmin. Poderia ser do Haddad. Não é rixa PT x PSDB. É senso de posicionamento ético e profissional!

Como é que os professores de bem lidam agora, perante seus alunos, com a notícia amplamente divulgada de que aqueles que lhes transmitem conhecimento, a quem emulam, amarram camisetas na cara e chutam, golpeiam e apedrejam o patrimônio público?

Como vou repreender um aluno que chutar a porta, ou a lixeira da sala de aula?

Como responderei quando ele me disser (e não se surpreendam, eles dirão), que está apenas imitando os professores que passaram na televisão?

Há imagens de sobra. Devem ser exonerados os que ultrapassaram os limites e envergonharam todos os outros. O sindicato chiará, como sempre faz (ainda mais o sindicato de estimação de Bebel), ademais, uma postura firme precisa ser tomada.

Vândalos inconsequentes não podem voltar às salas de aula para ENSINAR jovens e crianças como se nada tivesse acontecido.

Depois reclamamos que os professores não são mais respeitados pela população.

Deste jeito, meus caros, fica difícil.

 

Por Renan Alves da Cruz

 

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