Por que raios Bolsonaro não encabeça a criação de um partido de direita?

A movimentação das peças no embolorado xadrez político brasileiro suscita muitas dúvidas e algumas poucas certezas.

Uma destas certezas é a inexistência de um partido autenticamente conservador, outra, o exponencial crescimento de Jair Bolsonaro no cenário nacional.

Percebam o cenário construído por estas duas certezas:

Há enfim um nome de direita despontando nas pesquisas eleitorais, com eventual chance real de chegar a um eventual segundo turno.

No entanto, este político – Jair Bolsonaro – está com situação partidária indefinida, sendo um dos principais motivos a outra certeza que elencamos: a inexistência de um partido conservador impoluto na paleta partidária nacional.

Bolsonaro teve a auspiciosa atitude de questionar o fisiologismo do PSC, que nas eleições municipais de 2016 chegou a apoiar partidos de extrema esquerda em algumas searas eleitorais, entretanto, a coragem do deputado se chocou com a verdade dos fatos… Que partido existente teria cacife estrutural e ideológico para oferecer a Jair Bolsonaro a possibilidade de uma candidatura factível e isenta de conchavos à presidência da República em 2018?

Escrevo este artigo na esteira de um texto excelente publicado no Voltemos à Direita por Jakson Miranda, chamado Emmanual Macron Manda recado para Bolsonaro, cuja leitura integral recomendo entusiasticamente.

Nele, Jakson compara as situações de Donald Trump, Macron e Bolsonaro.

Pinço dele o seguinte excerto:

Apesar de se apresentar como um outsider e contra o establishment, Donald Trump contou com o apoio logístico, nada mais, nada menos, que do Partido Republicano, além de ser ele próprio um magnata. Observem que a situação de Bolsonaro é diametralmente oposta! Não tem um grande partido que lhe dê suporte e não é um magnata. A não ser por seus filhos, podemos contar nos dedos outros políticos que devam apoiá-lo e trabalhar em suas bases eleitorais em prol de Bolsonaro.

Em síntese, é impossível que Jair Bolsonaro saia do PSC e filie-se a um partido maior. Qual? Vou além, é impossível que Bolsonaro saia do PSC e vá para um partido que não esteja envolvido em algum escândalo de corrupção recente. Ou seja, Jair Bolsonaro é um exército de um homem só.

(…)

O diagnóstico de Macron para o sistema político francês não é diferente do diagnóstico que Donald Trump fez do sistema político americano e não é diferente do que qualquer brasileiro consegue fazer do nosso sistema político. E enquanto Donald Trump contou com o apoio (a contragosto em alguns momentos) do portentoso Partido Republicano, Emmanuel Macron optou por criar seu próprio partido. Não se enganem, goste-se de suas ideias ou não, o atual presidente da França tem plenas condições de mesmo após o fim do seu mandato, continuar a ser um importante líder no tabuleiro político da França e Europa.

Enquanto isso, Bolsonaro vive a migrar de um partido tradicional a outro.

Nesse ponto, o recado não vem de Macron e deixa de ser um recado hipotético. Somos nós que ansiamos por um partido político conservador no Brasil que mandamos um recado para Bolsonaro: Por que ao invés de perambular de um partido a outro o deputado não encabeça a criação de um partido que efetivamente represente a direita?

 

Análise brilhante. Uma má decisão de Jair Bolsonaro em relação ao seu futuro partidário pode sepultar suas ambições presidenciais para 2018.

Compreendido então que não terá um Partido Republicano por trás, como Trump, caberia a Bolsonaro evocar o professorado de Macron.

O francês percebeu a inconsistência da estrutura política vigente na França e a conquistou com uma estratégia fundamentada na força de sua personalidade política, o mesmo capital que Bolsonaro oferece, sendo no caso do Brasil um público crescente que está enfastiado da corrupção e da retórica esquerdista de proteção a bandidos.

Bolsonaro terá dificuldades partidárias se permanecer no PSC, podendo nem conseguir a candidatura, ou se migrar para outro partido, considerando que seu nome será rechaçado pelas legendas principais. Pode se aconchegar num partido nanico, mas também corre risco de sofrer alguma cadelice, tal qual ocorreu no PSC.

Inclusive a última notícia é de um namoro com o PSDC de Eymael. Mas a dúvida permanece: ele terá plena liberdade de ação num partido que, mesmo nanico, já tem seu cacique?

O fato é que Jair Bolsonaro demorou para criar um partido legítimo de direita ou se achegar a um partido em trâmite de criação para associar sua figura. Há o PACO (Partido Conservador), e  o Partido Militar, que inclusive declara apoio a Bolsonaro em sua página oficial.

No momento em que escrevo, Jair está perto de atingir o número de 4 milhões e meio de seguidores no facebook. É uma marca expressiva. Sua penetração nas redes sociais poderia obter as assinaturas necessárias para formação de um novo partido em tempo recorde, fosse para começar algo do zero, ou para impulsionar os partidos citados, em processo de recolhimento de assinaturas.

Espero que este artigo chegue a Bolsonaro e equipe, e que analisem as possibilidades com carinho. Seria uma grande frustração a não conclusão de seu projeto de 2018 por erros que poderiam ser evitados. E aí, erratas posteriores não ajudarão. Serão mais quatro anos perdidos.

O tempo corre incólume. A decisão precisa ser tomada brevemente.

Por Renan Alves da Cruz

 

Related Post

Comments

comments

4 comentários em “Por que raios Bolsonaro não encabeça a criação de um partido de direita?”

  1. Sou do Partido Militar Brasileiro (PMBR) e criar um partido político sério no Brasil não é fácil.

    O PMBR foi fundado pelo deputado federal Capitão Augusto em 2011 e até hoje lutamos pela conclusão do processo de homologação, que necessita de quase meio milhão de assinaturas de fichas de apoiamento por parte de eleitores não-filiados a nenhum partido político.

    O establishment tem dinheiro e poder para montar quantos partidos quiser, seja no Brasil como na França com Macron. Por isso discordo da comparação de Bolsonaro com o citado francês, que por analogia seria equivalente ao PSD de Kassab: um político secundário que criou rapidamente um partido genérico para servir ao establishment sem ser vermelho.

    Não vejo necessidade de Bolsonaro se engajar na criação de um partido com o PMBR faltando cerca de 180.000 assinaturas para concluir sua homologação. Basta ele apoiar a criação deste e se filiar, como muitos políticos militares, policiais e mesmo civis de direita estão aguardando e ajudando na coleta de assinaturas. Comparado ao PACO e outras iniciativas de criação de partidos de direita, o PMBR está muito mais estruturado do que todos estes juntos, pois já temos cerca de 17000 membros em diretórios espalhados em mais de 1200 municípios.

    Não sou contra a criação de outros partidos de direita, mas temos que priorizar e focar nosso apoio no que está mais adiantado – o Partido Militar Brasileiro, número 38.

    • Eu também sou adepto da opinião de que Bolsonaro deveria se associar a um partido já em trâmite final de criação para ter maior agilidade na homologação. O Partido militar brasileiro possui todos os predicados necessários para representar dignamente a direita e a candidatura de Bolsonaro. Mas aparentemente ele não irá por este caminho.

  2. Bom, a resposta do colega acima diz tudo né…mas queria dizer que acho o Bolsonaro muito mal assessorado em absolutamente tudo! Não compreendo isso! A meu ver ele se precipitou ao trocar de partido na ida para o PSC. Deu no que deu! Claro que não poderia prever o que o pr. EVeraldo faria. Ele deveria se cercar de pessoas boas e competentes. Ele parece amador. Assim como os que o cercam.Uma pena.

    • Exatamente, Cândida. E se Bolsonaro realmente for para o partido do Eymael, correrá o mesmo risco. Vai chegar num partido que tem “dono”, de modo que estará submetido às condições que o “dono” determinar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *