Pedagogia inútil

Esse será um texto longo. Espero que gostem.

Como bem já apontou nosso colunista Renan Alves da Cruz, AQUI a escolha do novo ministro da educação poderia ter sido pior, vai que a presidente chamasse Marilena Chauí? Aí seria o “fim da picada”.

Também já citei o nome do novo ministro da educação, no meu antigo blog. Na ocasião, meu texto abordava as chances de impeachment, ideia que Janine, naturalmente, é contra. Segundo o “professor” Janine, para a maioria que votou no PT, vai ficar a sensação de que isto está sendo um golpe baixo. A essa fala, fiz a seguinte observação: É estarrecedor um professor de ética, como o é Janine, flertar com a ideia de golpe a simples menção a aplicação daquilo que nos manda a Constituição. Qual ética esse senhor ensina a seus alunos? A ética de que um governante está acima das leis? 

É isso! Quando escrevi o texto, nunca me passou pela cabeça que o notório “professor” de ética se tornaria ministro da educação. Sua escolha evidencia, mais uma vez, que não passa de propaganda mentirosa a tal da “Pátria Educadora”. Qual educação?

Ano a ano o Brasil patina nos índices educacionais. Nos índices externos, ficamos entre os últimos. Nos internos, observamos pontuais melhorias que logo se esvaem quando o aluno passa por uma avaliação mais rigorosa ou, à medida que esse aluno vai chegando às séries finais seu conhecimento se mostra, com raríssimas exceções, limitado.

Como melhorar? Eis a indagação fundamental. A APEOESP está aí, com uma greve que ninguém adere. O sindicato pede, nada mais, nada menos, que o governo do Estado de São Paulo aumente em 75% o salário dos professores. Pela adesão da categoria à greve, fica a impressão que ninguém concorda com tal pauta. Todavia, é tema recorrente entre 10 em cada 10 professores, o quanto que a profissão é desvalorizada, o quanto que os professores recebem pouco. Concordo que a profissão não é valorizada nem muito menos respeitada, pelos governantes e sobretudo pelos alunos. Mas, aponto aqui duas questões:

Fazendo uma rápida pesquisa, descobrimos que dos recursos destinados à educação, 60% é voltada a pagar salários de professores, gestores e demais funcionários. Assim, para que o salário do professor aumente, será necessário reduzir o numero de burocratas das secretárias de educação, ou, de forma ainda mais drástica, reduzir o número de professores. Esse é um vespeiro que governador, secretário, presidente ou ministro ousará mexer, pelo menos, tendo em vista o quadro atual.

Ademais, pesquisas e mais pesquisas já comprovaram que o aumento de verbas não traz como consequência um aumento na qualidade. No Brasil isto já deveria ser um consenso, mas não o é. Ao condicionar a melhoria da educação ao aumento de verbas, todos os envolvidos com o sistema educacional deixam de tratar do verdadeiro problema que é pedagógico.

Será que o ministro Renato Janine Ribeiro, a presidente Dilma, governadores e centenas de secretários Brasil afora vão questionar a validade dos métodos pedagógicos atuais? Não, não vão. E não vão por uma simples razão. A pedagogia atual está diretamente, umbilicalmente ligada a um bibelô da esquerda. Paulo Freire. Eis o principal responsável pela baixíssima qualidade da nossa educação. Vejamos uma “orientação” que esse senhor nos legou:

“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

Peço aos amigos que reflitam e apontem se há nesta frase alguma recomendação pedagógica. Há? A conclusão é óbvia, não há. O que salta aos nossos olhos é o velho recital marxista da “luta de classes”.

Por fim, enquanto Janines, chauís, Paulo Freire e afins, ditarem os rumos da educação brasileira, não teremos uma educação de qualidade, senão, alunos que saem dos bancos escolares sem nenhum conhecimento, mas, aptos para criticarem o “sistema” capitalista e sua sociedade burguesa.

Por Jakson Miranda

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14 comentários em “Pedagogia inútil”

  1. Se a classe pensante do país , de São Paulo que é a locomotiva do Brasil, não pensa e não age, então o Brasil já é uma Nação derrotada. Aos mestres com carinho.

  2. Brilhante!! Não sei quero vc como portavoz de nossas reflexões, ou se amo vc para sempre. O fato é que a formalização da idéia nesse texto está estreitamente alinhada com a realidade. Parabéns!! Texto genial.

  3. Caro Jakson Miranda, sou professor de história em duas escolas públicas de São Paulo e gostaria de perguntar-lhe, existe algum pensador da educação de direita?
    Concordo com seu texto a educação pública esta nivelada pela mediocridade.
    Obrigado pela atenção.

  4. Caro Jackson, sou professor da rede pública estadual participei da greve por um período de dois meses. Concordo que o simples aumento salarial não não traz como consequência DIRETA um aumento na qualidade do ensino mas, há algumas considerações a serem feitas sobre seu texto.
    O tal aumento de salário pedido foi apenas um dos pontos de reivindicação. A mídia se limitou a apenas divulgar esse ponto como quem quisesse difamar e minimizar (e conseguiu!) os professores e seus problemas.
    Outra questão é que o aumento de verbas não vai realmente melhorar a qualidade do ensino desde que essas verbas sejam empregadas de uma forma errônea e em áreas erradas. O professor é um agente de transformação dentro da sociedade. O professor com condição financeira para se aprimorar em cursos e estudos promoverá mudanças e melhorias na vida de seus alunos e na vida de qualquer pessoa que tiver contato com ele. O profissional tem que ter autonomia para decidir e escolher qual curso pretende fazer e não apenas ficar recebendo cursos prontos da Secretaria da Educação repletos de suas ideologias e muitas vezes sem qualidade, como vem acontecendo.
    Por último, quero dizer que, da forma como você escreveu seu texto, me passou a impressão de que você também é daqueles que desvalorizam nosso trabalho. “Concordo que a profissão não é valorizada nem muito menos respeitada, pelos governantes e sobretudo pelos alunos”, frase sua. Você afirma que é impossível ou inviável aumentar o ganho dos professores sem mencionar que todas as outras categorias de trabalhadores públicos ganham melhor que nós. Faltou você sugerir que houvesse redução dos salários de outros trabalhadores para ajustar e alinhar melhor os ganhos no setor público. Faltou você dizer nós professores não legislamos em causa própria como o fazem os executivos e legisladores do Brasil. Faltou você mencionar os desvios de verba gigantescos que serviriam para pagar melhor nossos professores.
    Veja bem, apesar de minhas observações aqui, estou divulgando o site e os textos contidos nele através de meu facebook. Também sou de direita e por isso eu sei que vocês do Voltemos à Direita são coerentes o suficiente para entender que nossos pontos de vista diferentes não configuram desrespeito ou falta de educação, mas aprimoramento em busca de um país melhor e maior! Um abraço.

    • Alan, bom dia. Vou extrair uma frase sua “Você afirma que é impossível ou inviável aumentar o ganho dos professores sem mencionar que todas as outras categorias de trabalhadores públicos ganham melhor que nós”. Este é um ponto interessante. Seria interessante buscarmos informações se nas demais repartições públicas há tantos profissionais sem efetivamente trabalhar, não por problemas de saúde, mas, porque estão servindo a sindicatos, diretorias, secretárias, assessorias, etc,etc.

  5. Exatamente isto, o discurso na educação é baseado em lutas de classe, gênero e toda baboseira expressa por Marx.
    Sou estudante de pedagogia, e logicamente todos os autores da ementa da das disciplinas são Paulo Freire, Kant, Vygostsky, Piaget entre outros de esquerda.
    Não sendo de acordo com essas ideologias impostas a nós e a nossas crianças, fica difícil argumentar quando não possuímos acesso a outros escritores (de direita) livres nas bibliotecas de nossas escolas. E por isto quero agradecer a este canal (blog) por nos mostrar o nosso lado. Peço também que me indiquem autores que realmente valham a pena estudar, para que possa incluir em minhas pesquisas e refutar ideologias impostas na educação. Desde já agradeço.

    • Olá, Cristiene, a Pedagogia é realmente um campo totalmente dominado pela esquerdalha. Montaram um acampamento ideológico nesta área e se acusam a arredar pé. Recomendo a você a leitura do livro Maquiavel Pedagogo, do Pascal Bernardim. Ele com certeza vai lhe trazer uma visão à direita da sua área de estudos.

  6. Cara Cristiene Stephanie Szymanski, somente para constar, Imanuel Kant e Piaget não são de esquerda, nem sequer se interessaram por tais temáticas. Temos de cuidar para que a apropriação ideológica feita pela esquerda de um autor não nos faça afastá-lo de nossas pesquisas. Para procurar autores fora do discurso de esquerda é preciso procurar fora do Brasil. Autores que desenvolvem ideias pedagógicas que funcionam (e ignoram completamente a existência de Marx, Freire, etc) são autores ligados à pesquisa em psicologia cognitiva e aprendizado. A lista de autores bons dessa estirpe é copiosa, por isso não vou sugerir aqui nenhum em específico, pois vale a pesquisa pelo campo de investigação que estiveres interessada levando em conta os termos “psychology of learning”, “Learn psychology”, “The Basics of the Psychology of Learning”, “psychology of teaching and learning” etc.

  7. Me formo esse ano como pedagoga e posso dizer que, no mínimo, 90% dos professores que tive são de esquerda. É quase uma lavagem cerebral! Fico feliz por ter encontrado esse blog, já comecei a ler Maquiavel Pedagogo e espero encontrar outras indicações com os outros posts!

    • Sim, Thais, todos passamos por isso. Sou professor de história e também padeci com a doutrinação quando me formei, mas permaneçamos fortes para sermos nós a diferença que impedirá que os canalhas dominem plenamente a educação do nosso Brasil. Um grande abraço e obrigado pela leitura e comentário.

  8. Acabei de ler o livro “A Corrupção da Inteligência. Intelectuais e Poder no Brasil” de Flávio Gordon. Recomendo. Um livro essencial que mostra a ação e as consequências da hegemonia marxista na academia, na produção cultural, nas leis e nas políticas públicas do Brasil. Lendo o livro comecei a entender porque praticamente não existem autores conservadores na área de Pedagogia no Brasil, nem livros, nem teses ou dissertações – conforme relato do autor que é doutor em sociologia e passou dez anos na UFRJ. Essa é a razão pelo qual a educação brasileira está tão ruim. Thais Camargo, é estarrecedor saber que 90% de seus professores na faculdade eram esquerdistas. Fico triste porque minha esposa pensa em fazer Pedagogia. Tenho pena dela, será tanto esforço para fazer um curso superior e ainda ser exposta a esse tipo de doutrinação e tentativa de lavagem cerebral, como acontece os alunos de humanas. Para procurar autores com ideias que realmente funcionam fora de Marx e Paulo Freire é preciso procurar fora do Brasil. Vou ler Maquiavel Pedagogo e livros sobre psicologia cognitiva e aprendizado. Obrigado pela dica. Fico feliz por ter encontrado esse blog. “Os pais, que outrora lamentavam perder os filhos para as drogas e as más companhias, agora os perdem para a universidade”. (Flavio Gordon).

  9. Quando os professores pararem de ser esquerdistas e ficarem ao lado do Brasil, o país ficará melhor pra todos, pois eles são a base. A classe é desvalorizada? Sim, mas tem muitos professores que não cumprem seu papel. Falo isso pois tenho amigos professores, e professores na família, todos preocupados com o salário, em ganhos adicionais, méritos… mas nenhum preocupado em mudar o tão defasado ensino público e fazer a diferença na vida dos alunos. Muitos são professores apenas por ter “2 férias anuais”, estabilidade… Não vejo professores lutando por melhor ensino nas ruas, lutam por melhores salários tendo a falsa ideia que isso elevará o nível do ensino. Estão preocupados consigo mesmos, assim como a outra grande fatia da população brasileira, infelizmente.
    Bem assim: “Vem a nós, mas ao vosso reino, nada”.
    Enquanto não pensarmos no coletivo o individual não se concretiza.

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