Oposição convoca greve geral contra governo em vias de paralisia

Os grupos de oposição ao governo Temer convocaram para hoje uma greve geral. Trata-se de uma greve contra um governo em via de paralisia.

Por mais que a greve geral tenha sido convocada por grupos de esquerda e ligados ao PT, não deixamos de reconhecer sua legitimidade. O que lamentamos é que esse tipo de paralisação seja exclusividade da esquerda.

O principal motivo de paralisação tem como alvo a Reforma da Previdência e logo não é um assunto que diz respeito à oposição X governo, à direita ou a esquerda, mas, a sociedade como um todo, sem verniz ideológico ou partidário.

Não se discute a necessidade da reforma, porém, acredito que por mais necessária que seja esse não é o momento, e o caminho escolhido pelo governo não é o mais adequado.

Ainda nesse ponto, Temer e sua equipe falham em não dialogar com os principais interessados na questão: os trabalhadores.

Posso está enganado, mas, não me lembro de nenhuma campanha voltada a conscientizar o trabalhador sobre a importância das mudanças nas regras de aposentadoria. E o resultado não seria outro senão uma grande rejeição ao governo e uma enorme antipatia e oposição à reforma.

Ou seja, Temer trata a Reforma da Previdência como um arranjo político cujo fim é angariar votos e apoio entre seus pares, e esquece que o tema requer mesmo é um amplo acordo e pacto com a sociedade.

No escopo de uma questão tão espinhosa, vem a lista que o Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo. Embora parte dos nomes da lista de Janot seja nacionalmente conhecido, por ser quem são, o impacto no governo e em suas pretensões futuras de reforma é enorme, como bem espelhou a jornalista do Estadão Vera Magalhães, que escreveu o seguinte:

Alguns dos integrantes do primeiro escalão do governo Michel Temer estão em mais de um pedido de inquérito na lista de Rodrigo Janot – há cinco ministros no total. O Ministério Público Federal se fecha em copas diante da pergunta de um milhão de dólares: o próprio presidente está no rol daqueles que terão alguma providência pedida a partir das delações da Odebrecht? Resposta de todas as fontes: vamos aguardar o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, levantar o sigilo dos documentos.

Tal situação equivale, na prática, a fazer letra morta do critério anunciado pelo presidente para afastar ministros: saem temporariamente os denunciados, e definitivamente os réus. Com parte significativa da Esplanada atingida no peito por citações de envolvimento em esquema de propina ou caixa 2, o governo poderá ficar temporariamente paralisado.

De imediato, a inanição política e administrativa do Executivo coincidiria com o dia de paralisação nacional anunciado pela oposição. O risco é de que o Congresso, com a cúpula igualmente alvejada, também não se ocupe mais de nenhuma pauta que não diga respeito à própria sobrevivência. Reformas da Previdência e trabalhista devem entrar, num primeiro momento, em compasso de espera, cujo ritmo será ditado pela Lava Jato.

Voltamos

Não se trata de uma fórmula exata, mas, tudo isso somados se tornam ingredientes mais do que suficiente para que o trabalhador, mesmo sendo um antipetista e antiesquerdista convicto, engrosse as fileiras dos grevistas.

Estamos falando de um estado de coisas que cedo ou tarde iria acontecer e mais uma vez, nos encontramos na contingência de repudiarmos os imbecis que tentam colocar isso na conta da “direita xucra”. Não!

A greve geral de hoje, que de geral não tem nada, mas chama atenção, mostra-nos que a esquerda ainda tenta ganhar uma sobrevida e certa influência e só chegamos a isso porque o governo Temer, ao invés de seguir o clamor das ruas que derrubaram Dilma, melhor, ao invés de ouvir a “direita xucra”, resolveu seguir o caminho inverso. Chafurdando-se e afundando-se cada vez mais fundo no lamaçal em que a velha classe política reside.

O resultado não poderia ser outro.

Por Jakson Miranda

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