Operação Lava – Jato: Doa a quem doer

O jornal Estado de São Paulo traz hoje uma entrevista que nos deixa, uma vez mais, esperançosos quanto aos rumos da Operação Lava-Jato. A entrevista em questão foi dada pelo diretor-geral da Polícia Federal Leandro Daiello, às repórteres Eliane Cantanhêde e Andreza Matais.

Em sua entrevista, Leandro enfatiza diversas vezes que a PF é uma instituição independente e que age não com vistas em inclinações políticas, mas sim, com vistas no cumprimento da lei.

Indagado a respeito das criticas que o PT tem feito ao ministro da justiça Eduardo Cardozo, em especial as criticas feitas pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, segundo o qual, o ministro pouco tem feito para controlar a PF ou as investigações da Lava-Jato, o diretor-geral foi enfático ao afirmar que influências externas e políticas no sentindo de controlar a Polícia Federal são, em suas palavras: “premeditar o cometimento de um crime”.

Para um bom entendedor, a resposta dada por Leandro Daiello é inequívoca. O ex-presidente e o Partido dos Trabalhadores estão criticando o ministro porque este não teria cometido um crime premeditado, limitando a PF. Essa é a natureza do PT e do seu chefe, sempre agir contra as leis, sempre se achar acima das leis. Felizmente, ainda temos instituições sólidas e homens probos.

Outro ponto esclarecedor foi o diretor-geral afirmar que a PF não investiga pessoas, mas, fatos. É claro que os fatos levam a pessoas e pessoas podem acarretar novos fatos, porém, a fala de Daiello aponta para um trabalho que não escolhe esse ou aquele político, esse ou aquela personalidade, esse, ou aquele empresário. Ou seja, a Lava-Jato prossegue, doa a quem doer.

Gostei do que li na entrevista. Ademais, é sempre enriquecedor sabermos o que pensa alguém com as atribuições de Leandro Daiello, sua exposição ao público e o que deixa expresso, o torna passível de criticas ou elogios, hoje ou no futuro. Não obstante, daremos maior atenção à pergunta a seguir e finalizaremos nosso texto nessa questão. Vejamos:

As repórteres o questionam sobre a prisão de Marcelo Odebrecht, lembrando que há muitas criticas ao encarceramento do empresário.

Em sua resposta, Leandro Daiello afirma aquilo que já destacamos em um dos nossos posts. O pedido de prisão não é feito de forma unilateral. Passa ainda por parecer do MPF (Ministério Público Federal) e pela decisão do juiz.

Pois bem, todos sabiam, inclusive o próprio Marcelo Odebrecht, que cedo ou tarde seria emitido um mandato de prisão contra ele, quando este veio, muitos que até então elogiavam as atuações da Lava-Jato, passaram a criticá-la. Se formos seguir a lógica dos críticos, todas as prisões preventivas feitas pela Operação são vícios exagerados de Sérgio Moro e Cia; nessa linha de raciocínio, assim como Marcelo Odebrecht, Alberto Youssef, Renato Duque, João Vaccari Neto e tantos outros, não poderiam ter sido presos.

Sim, Reinaldo Azevedo é um dos que subitamente, após a prisão de Marcelo Odebrecht, aumentou o tom das criticas a Sérgio Moro. Em seu mais recente post, Tio Rei reclama que ainda não foram ouvidos os depoimentos dos presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez. Nesse ponto, faço aqui uma comparação didática, mesmo se tratando de ambientes jurídicos diferentes.

Desde do dia 27 de maio que o cartola de futebol José Maria Marin está preso na Suíça a pedido da justiça dos Estados Unidos. Sem Habeas Corpus, diga-se. Somente agora, os EUA pedirão a extradição dos presos. Abuso do judiciário dos dois países?

Ademais, quem está certo? O juiz Sérgio Moro, o MPF, o desembargador que negou o Habeas Corpus impetrado pelos advogados da Odebrecht ou, os advogados de defesa e os críticos da PF, do MPF e do desembargador?

Em seu recente texto em que critica a atual fase da Lava-Jato, Reinaldo Azevedo finaliza com esta reflexão:

“Nem Ministério Público nem ninguém estão acima dos valores essenciais da democracia e do estado de direito, nem que seja na suposta defesa da democracia e do estado de direito…”

Em sua entrevista, o diretor-geral da PF foi enfático em defender que em todos os âmbitos a Polícia Federal atua seguindo a lei. Suas respostas são constrangedoras para Lula e Dilma Rousseff. Será que ele mentiu? Foi hipócrita? Jogou para a torcida? Somente as atuações da instituição que ele comanda nos dirá, mas pelo visto, Reinaldo Azevedo não anda concordando com a fala de Leandro Daiello.

Em sua luta em apresentar-se como isento, acima das ideologias e brigas políticas, acima de juízes, Reinaldo Azevedo usa os mesmos argumentos dos petistas: Há o risco de um golpe em curso. Fascistas estão sobrepujando a democracia, o judiciário e a opinião pública para derrubar empresários e mais ainda, fragilizar, criminalizar e derrubar um partido político e um governo democraticamente eleito. Tudo isso porque é à esquerda no poder. Tudo isso para que os golpistas tomem o poder. Tudo isso com as vestes democráticas.

Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, presos são o exemplo disso. A manutenção das prisões nos diz que não há mais juízes em Berlim… Quer dizer, no Brasil.

Que a entrevista de hoje no Estadão seja de fato uma realidade no dia a dia do Polícia Federal, ou, devagar com o andor, Reinaldo Azevedo.

 

Por Jakson Miranda

 

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3 comentários em “Operação Lava – Jato: Doa a quem doer”

    • A diferença é que a esquerda chama seus corruptos de heróis do povo brasileira, e a direita, exclui e se envergonha daqueles que sujam de corrupção.

      Minha ideologia não pode ser comprada. A sua pode?

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