Operação Blackout, direita nas ruas e o Fora Temer

Em mais uma etapa da Lava Jato, a policia federal deflagrou há alguns dias a Operação Blackout, cujo alvo são os chamados “operadores do PMDB”.

A pedido da Policia Federal, foram presos nos Estados Unidos os lobistas Jorge Luz e Bruno Luz, ambos apontados como operadores de propina do PMDB.

São, portanto, dois personagens pouco conhecidos do grande público mas que segundo a PF, em dez anos, foram responsáveis pela movimentação de 40 milhões de reais, cifras oriundas do propinoduto da Petrobrás.

Muito provavelmente, a prisão dos dois lobistas, pai e filho, deixaram muitos caciques do PMDB preocupados, principalmente se a dupla resolver falar, citar nomes e valores desviados em beneficio desses nomes.

A olho nu, é possível concluirmos que a cada dia se vão fechando o cerco em torno do PMDB e como todos nós sabemos, é o PMDB quem está no comando dos pais. Tal situação tem dado combustível a esquerda para atacar todos os que foram favoráveis ao impeachment de Dilma.

Criticar os que pediram a saída de Dilma e postar twitters como o de José de Abreu, acima, pode ganhar força por conta de certo racha entre aqueles que pouco tempo atrás, estavam unidos em oposição ao PT.

Curiosamente, o Estadão publicou uma matéria com o seguinte titulo: Briga online expõe racha na “nova direita”. o cerne da matéria é a briga entre o tucano e pró-governo, Reinaldo Azevedo, e a jornalista independe Joice Hasselman.

A briga entre o blogueiro decadente e Joice já é favas contadas, porém, da reportagem, chamou-nos atenção o seguinte trecho: “O editor Carlos Andreazza, da editora Record, responsável pela publicação de alguns dos livros de Azevedo e de outros autores da “nova direita”, declarou apoio às suas ideias. Em artigo publicado no jornal O Globo, intitulado A quem interessa o 26 de maço?, Andreazza mostrou sua preocupação com a criminalização da atividade política e reafirmou os argumentos de Azevedo, de que isso tende a beneficiar Lula e as esquerdas. “Num cenário de terra arrasada, em que os partidos são comparados ao PCC, em que todos são bandidos, só quem pode se fortalecer é o pior entre os piores”, afirmou. “Concordo com a síntese do Reinaldo Azevedo: se todos os políticos são iguais, Lula é o melhor”.

Rechaçamos por completo os argumentos de Andreazza. Se há certa criminalização da política isto se dá por conta de práticas criminosas de certos políticos. Por outro lado, poucas vezes se discutiu tanto política; pouquíssimas vezes se cobraram tanto dos políticos; raras vezes se exigiu tanto, ética, conduta ilibada e respeito aos cofres públicos, como agora. Se alguém vê nisso uma criminalização da política, nós enxergamos como uma efetiva participação da sociedade na POLÍTICA.

Ainda nessa seara, não conseguimos vislumbrar esse favorecimento a Lula, como afirma Andreazza e como apontam fajutamente, pesquisas recentes de intenção de voto. O que observarmos isto sim é um grupo crescente e homogêneo de eleitores conscientes de que é necessário um retorno à direita. Por vias tortas, a vitória de João Dória na cidade de São Paulo, vocalizou um pouco isso, (digo vias tortas por ele ser do PSDB), ou seja, não foi uma vitória do mal menor, mas, foi o resultado representativo da escolha feita por parcela desses eleitores.

No mais, o que notamos é o discurso antipetista voltando à boca de alguns. Mas valer-se de tal discurso não faz do individuo um conservador. Vamos além, tal discurso antipetista, reinventado, pode ter como objetivo à manutenção do governo Temer. As consequências da Operação Blackout pode deixar isso ainda mais evidente.

Assim, diante do cerco que se observa da Lava Jato em torno do PMDB, somado a tudo que já veio à tona envolvendo nomes poderosos do partido e próximos ao presidente Temer, nos perguntamos se é mesmo viável preservar o atual governo de criticas e até mesmo de oposição?

Por falar nisso, o mesmo Estadão informa que os grupos MBL e Vem Pra Rua não irá às manifestações de 26/03 empunhando o “Fora Temer”. Em sua fala, o líder do VPR, Rogério Chequer, disse o seguinte:

Para Rogério Chequer, fundador e líder do Vem Pra Rua, as pesquisas mostram que a maior parte da sociedade “não aguenta mais Lulas, Sarneys, Renans e Lobões”. “As manifestações não serão para detonar o governo Temer, mas contra a corrupção, a impunidade e em defesa da renovação da política velha”.

Concordamos com Chequer! Precisamos lutar contra a corrupção, a impunidade e em defesa da renovação da política velha. Por falar nisso, lembramos que  Sarneys, Renans e Lobões, bem como a esmagadora maioria da política velha, estão no governo Temer. Assim, fazer oposição a isso não fortalece o PT, ao contrário, fazer oposição a isso passa a ser obrigação moral de todo aquele que se posiciona como conservador ou, como dizem, é alinhado à ‘nova direita’.

Diante do exposto, a dúvida que fica-nos é: A quem interessa valer-se do fator antiPT para preservar um governo e um partido que estão longe, muito longe de serem a antítese do petismo? É possível que o “Fora Temer” não seja uma expressão única e exclusiva de petistas e da esquerda.

Por Jakson Miranda

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