Onement VI: o quadro de US$ 44 milhões que comprova a decadência da arte

Os últimos tempos demonstraram a faceta falida da arte atual. A necessidade de “transgredir” se tornou um imperativo produtivo que assumiu caráter inquestionável, tornando a arte atual refém da feiura e da antiestética.

Entendo pouco de arte. Meu conhecimento está restrito somente às obras mais conhecidas dos pintores mais famosos. Logo, nunca havia ouvido falar no quadro Onement VI.

Talvez algum aficionado ache que tal confissão não me credencia a falar sobre arte… Pode até ser, ademais, como quem controla as pautas sobre o que escrevo sou eu mesmo, posso falar sobre o que eu quiser!

Meu quadro preferido é O Grito de Munch. Gosto muito também do trabalho de M. C. Escher. Além disso, confesso que meu conhecimento fica mais restrito aos pintores renascentistas.

Então tá ok… Sou um grande leigo… E talvez seja por isso que eu ache que esta obra de Barnett Newman, vendida por US$44 milhões, é uma bela de uma merda…

Este é o Onement VI, que sacudiu o mercado artístico quando foi vendido pela bagatela supracitada.

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Alguém efetivamente dispôs de 44 milhões de dólares por essa tela azul dividida.

Quando fui escrever este artigo entrei em alguns sites para ler as análises críticas que explicam o porquê da obra valer tanto… e é claro que não há nada que sirva como análise objetiva… É a velha balela de sempre: a arte rompendo padrões.

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No livro Nossa Cultura ou o que restou dela, Theodore Dalrymple diz: “No vocabulário da crítica de arte, não existe um termo mais elogioso do que ‘transgressivo’, como se a transgressão fosse um bem por si só, independente do que está sendo transgredido.”

Não consigo pensar em definição mais exata. E acrescento: a arte se tornou refém de sua necessidade transgressora, e seus cultores viraram personagens, que precisam criar narrativas e justificativas que apresentem alguma plausibilidade diante do ridículo que é superar cada tabu transgressivo, um após outro.

A estética do choque precisa avançar em sua marcha, transgredindo o que houver para ser transgredido, encarando qualquer convenção estabelecida.

Saltamos então do ilogismo pretensioso de se cultuar uma tela toda azul com um traço branco no meio, que já era uma forma de imbecilização e transgressão em 1953, quando Newman a pintou, com todos aqueles entendidos dando explicações elaboradas sobre significações profundas em seu abstracionismo preguiçoso, para um século XXI em que o choque atinge dimensões oceânicas. Xixi, cocô, sêmen, sangue menstrual, orgias… Tudo faz parte do show.

Daqui a pouco aparece alguém querendo pagar 100 milhões por um quadro todo cagado – literalmente – e nossos intelectuais estarão aplaudindo, sacudindo a cachola para explicar o profundo teor da obra.

O teor transgressivo, claro.

Por Renan Alves da Cruz 

 

 

 

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