Olmo e a Gaivota – Quando se age em franca covardia

O filme “Olmo e a Gaivota”, misto de ficção e documentário, está dando pano pra manga. Produção internacional (Brasil, Portugal, Dinamarca, França e Suécia), bidirigida pela portugesa Petra Costa e pela dinamarquesa Lea Glob, a película conta com chamadas virais na web e apoio de globais do Plinplin.

Não vimos o filme ainda, apenas o trailer oficial, a publicidade desinibida dos globais e uma entrevista da diretora Petra. Abaixo vão os vídeos:

Escrevi que “não vimos” porque redijo esse texto com ajuda de minha esposa, Ana. É, portanto, texto escrito a quatro mãos.

Ana, esse é seu apelido, é mãe de meus três filhos. Ana sabe o que é parir. Ana sabe o que é carregar no ventre por longas 40 semanas a vida dentro dela.

Ana sabe o quanto vomitou por nossos três meninos.

Ana sabe muito bem o que é perda de mobilidade, acúmulo de líquidos estranhos no corpo, sangramentos indevidos e ficar com o peito intumescido de leite.

Ana conhece o drama da gravidez. Ana sabe que gravidez é visceral (literalmente) e que se morre um pouco – principalmente no parto normal – para que a vida venha à luz.

Ana, porém, também compreende que a vida é sagrada e que interromper seu curso no útero é um tipo de assassinato.

E isso tudo sem descuidar da profissão. Ana é licenciada em Pedagogia e Psicopedagoga.

De minha parte, suponho que a discussão sobre gravidez que a película encampa é tema de superfície, é ponta de iceberg. Penso que a intenção principal do filme é promover revolução nos costumes. Afinal, Olmo, nas palavras da própria Petra, é árvore italiana “símbolo da Revolução”.

Assim, a principal intenção da película seria defender o partido do aborto incondicional, sobretudo a partir do bordão feminista “my body, my rules” (meu corpo, minhas regras).

Tenho conhecimento de meninas de classe média, estudantes de ensino médio, com esse clichê na ponta da língua. Tal lugar comum não é necessariamente marxista, embora no caso de “Olmo e a gaivota” pareça ser. “Meu corpo, minhas regras” pode vir também de liberais anarquistas. Mas uma coisa é certa – ele é sugerido no pensamento do bruxo Aleister Crowley e seu famoso “Livro da Lei”, cujo resumo é “faça o que tu queres”, divulgado à exaustão no Brasil por Raul Seixas.

Dessa forma, ninguém pode alegar desconforto e complexidade existencial para obter “licença para matar” à moda 007.

Não é lícito, por exemplo, ao aluno de escola militar, porque está longe de casa, sob pressão psicológica e submetido a intenso esforço físico, usar isso para aniquilar um colega e supor que pode escapar incólume.

De forma parecida, Ana lembra que, por mais incômoda, complexa e que afete o aspecto físico e psíquico, gravidez não pode servir de pretexto para a mulher invocar esse mantra subterrâneo de “my body, my rules” para abortar. Isso beira o assassinato de indefeso, diz Ana, mãe de três filhos, cujas gestações foram todas com certo grau de complicação.

Meu corpo, minhas regras”. Sinceramente, aplicar o clichê a seres indefesos é ato de franca covardia.

 

Por Pr. Marcos Paulo

 

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