O pós-futebol da esquerda consciente

O futebol, para boa parte da esquerda, é a máxima expressão popular-cultural de nossa brasilidade, de nossa malandragem, de nosso jeito indígeno-afro-latino de ser, dessa mameluquice linda que forma esse vasto Brasil.

Ademais, certos rompantes de conservadorismo da elite branca estão infectando os estádios e a velha e boa esquerda, sempre ansiosa em construir um mundo melhor (calando quem não concorda com ela), considera que é hora de agir e realizar uma revolução progressista no futebol, para “atender as novas demandas da sociedade plural”, como dizem em esquerdês.

Esqueça o futebol visto até hoje. A esquerda, através principalmente do jornalismo esportivo ideologizado (ponto para Gramsci!) o percebeu, e isso significa que ele não será mais o mesmo.

Vem aí um esporte em que todas as demandas das minorias perseguidas serão atendidas e nenhum reacionário da elite branca tacanha (que só presta para sustentar o país com os impostos que paga), terá espaço para exprimir seus conceitos reacionários e preconceituosos!

Atente-se às novas regras, para não ser incriminado pelos déspotas de plantão:

Regra 1 – Não mande ninguém no estádio, isso vale para o juiz, os bandeirinhas, o técnico, o atacante que perdeu o pênalti, os jogadores do time adversário e etc., tomar naquele lugar. E quando digo “naquele lugar”, estou me referindo à forma literal, poupada aqui em respeito às senhoras e crianças. Se disser, estará ofendendo aquela minoria (aumentada ou diminuída de acordo com a conveniência) que gosta de tomar lá, que faz por hobby, por necessidade ou compulsão.

Mencionar isso de forma ofensiva atinge diretamente essa categoria de pessoas. De modo que, no seu novo vocabulário, mandar alguém tomar naquele lugar a partir de agora é elogio. Qualquer expressão contrária representa a elite conservadora, branca, heterossexual, judaico-cristã de classe média, a qual você não deve pertencer.

Regra 2 –  A mesmo lógica vale para ordens de que o bandeirinha use seu instrumento de forma anatomicamente apropriada em si mesmo, quando ele marcar aquele impedimento duvidoso. Você tem que respeitar pessoas que utilizam objetos anatomicamente condizentes em si mesmas por vontade própria. Se ordenar a alguém que o faça como gesto punitivo, estará ofendendo quem enraba a si mesmo com ajuda de instrumentos. Se quiser ofender o bandeira o chame de coxinha fascista!

Regra 3 –  Se torcedor de Santos, Botafogo, Corinthians, Atlético Mineiro, Ceará, Figueirense e assemelhados, readeque seu vocabulário. Não chame seu time de alvinegro. Caracteriza superiorização racial. Por que o alvo aparece antes do negro?

Perceba que trata-se de uma herança escravocrata e que reproduzi-la é uma maneira de dar azo ao senhor de engenho que hiberna dentro da sociedade brasileira.  Antes que alguém o acuse de nazista (sim, essa gente adora fazer paralelos de preconceitos com o nazismo, embora sejam antissemitas, tal qual eram os nazistas), inverta a palavra ou a coloque em desuso.

Seu time agora é negro-alvi ou então precisa de outro apelido.

Regra 4 – Homofobia, pela nova classificação Jean Wyllistica, não é mais a anormal aversão, exprimida de forma agressiva e hostil, contra homossexuais, mas sim, não aceitar que eles tenham privilégios perante a lei. Portanto, se você chamar o juiz ou outro cidadão envolvido no jogo de “viado/veado”, “bicha”, “boiola” e variantes, você poderá ser enquadrado pelo olho que tudo vê.

E não adianta justificar que você está apenas provocando um heterossexual, que o uso não tem conteúdo discriminatório contra quem é gay, e que a menção em estádios de futebol faz parte do folclore do jogo (esquerdas adoram um folclore, mas este em especial deve ser rechaçado). Aplicá-lo agora é homofobia (e das fortes!).

Regra 5 – Todos os instintos primitivos que você queira extravasar (e a esquerda permite que isso aconteça numa partida de futebol), devem ser direcionados à polícia, que continua insistindo em estar lá garantindo sua segurança, mesmo sendo uma organização fascista e opressora. A eles todas as ofensas estão liberadas.

Regra 6 – Se vir algum reacionário insistente recusando-se a seguir as novas regras de convivência com a pluralidade e utilizando argumentos homofóbicos, diga que ele que é uma bicha enrustida. Nestes casos, mesmo que a princípio pareça contraditório, você pode usar a homossexualidade como uma ofensa.

Seguindo estas regras você não terá problemas.

Bom jogo. E que vença o melhor.

Por Renan Alves da Cruz

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