O fracasso de Levy

Ao apostar em uma nova equipe econômica, o governo Dilma apostava que a herança maldita deixada por Guido Mantega seria resolvida. O inicio foi promissor, pelo menos na perspectiva do governo. Joaquim Levy, logo de cara, o novo ministro pretendia economizar 1,1% do PIB, o próprio, ainda achava pouco. Estamos falando, caro leitor, de uma cifra de R$ 66,3 bilhões. Consta que Levy queria algo em torno de R$ 80 bi.

O jogo agora é outro. O ajuste agora será diferente. Por quê? Não se sabe. Será uma tentativa de aumentar a popularidade da presidente? Será por que firam que não conseguiriam uma recuperação ate as eleições municipais de 2016? O fato é que aquela economia de 1,1% passou para apenas 0,15% do PIB ou, R$ 8, 747 bilhões. Uma diferença e tanto, não é verdade?

Em entrevista à Folha há alguns dias, o ministro concordou que reduzir a meta seria um preço mais caro que o governo terá que pagar para por a conta em ordem. Até aí, tudo bem…

Todavia, quero aqui registrar algumas questões que se não afetam o ajuste, é sinal de que ele de nada serve. Se afetar, é sinal de que o ministro fracassou.

Vejam essa noticia da própria Folha

No esforço para unir a base aliada e evitar a aprovação de pautas-bomba –projetos que custem caro aos cofres públicos– no Congresso, o Palácio do Planalto autorizou nesta quinta (30) a liberação, até dezembro, de R$ 4,9 bilhões referentes a restos a pagar de emendas parlamentares de 2014 e anos anteriores.

Ah, ta bom. Isso não faz parte do ajuste. Muitas prefeituras estão quebradas, com essa grana, terão um alívio. Embora o objetivo não seja esse e sim alimentar o velho e nefasto fisiologismo.

Leia essa outra noticia, agora, do Estadão

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou aos governadores que vai começar a liberar nos próximos meses espaço para Estados tomarem novos empréstimos, depois de represar o endividamento no 1.º semestre. Em outra frente para dar fôlego aos gestores, ele informou que o governo está aberto a permitir o uso de depósitos judiciais para pagamento de dívidas, medida recém-aprovada no Congresso.

Levy já tinha avisado a secretários de Fazenda que tinha organizado as demandas dos Estados e, agora, iria liberar os empréstimos. Os governadores vão usá-los para investimentos.

A liberação de parte dos empréstimos represados já está na conta da reprogramação fiscal para 2015, que reduziu de 1,1% para 0,15% do PIB a meta de superávit primário das contas do setor público. Com a mudança da política fiscal, a meta dos Estados e municípios caiu de R$ 11 bilhões (0,2% do PIB) para R$ 2,9 bilhões.

Uma outra informação que creio, cabe nesse texto.

O governo federal editou a Medida Provisória 681 para ampliar de 30% para 35% o limite de desconto em folha, o chamado crédito consignado, para pagamentos de empréstimos, financiamentos, cartão de crédito e operações de arredamento mercantil autorizados por empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por aposentados e pensionistas do INSS e por servidores públicos.

Voltamos

Resumo da ópera: A meta fiscal foi drasticamente reduzida, o governo vai liberar quase R$ 5 bilhões em emendas parlamentares. Foi autorizado aos Estados contraírem empréstimos e para o trabalhador, ávido por um pouco de alivio consumista, foi aumentado a margem de comprometimento de sua renda via empréstimo consignado.

Para mim, a conta não fecha! Corrijam-me se estou enganado. Estimular o consumo não foi exatamente o que vez o ex-ministro Guido Mantega?

Joaquim Levy não foi claro se o maior preço a se pagar será deste governo ou do próximo… Sendo assim, espero ser corrigido e está redondamente enganado, mas, mais uma vez, o acerto de contas do rombo e roubo nas contas públicas ficará apenas para 2019, ou seja, quando o PT estiver na oposição, livre, para acusar quem estiver no governo de promover um arrojo fiscal.

 

Por Jakson Miranda

 

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Um comentário em “O fracasso de Levy”

  1. Não demora muito e estaremos tal qual a Grécia e ainda caminhando para uma situação tal qual a da Venezuela, perdendo os investimentos empresariais e a capacidade de produção.

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