O day after de Eduardo Cunha e o choro das esquerdas

Ganhei o dia lendo a coluna de Guilherme Boulos na Folha. Escrita após os reveses de Eduardo Cunha, que não emplacou o “distritão” e enfrentou uma pré-derrota no caso das doações de empresas privadas para campanhas, o tom do militante profissional alçado a colunista era de exultação, embora recorresse ao discurso do “menos mal assim”.

Segundo Boulos, o “distritão” era só para desviar a atenção. O que interessava mesmo era o financiamento das campanhas. Gilmar Mendes teria segurado a questão no STF para que Cunha pudesse botar o tema em votação e aprová-lo.

Mas o plano maquiavélico foi por água abaixo. As esquerdas se ergueram e disseram não. O PT, este colosso ético, não seria mais obrigado a receber milhões (e isso só falando do “por dentro”) de empresas maldosas, que depois o obrigariam a corromper-se.

O momento épico, para mim, é o pós-escrito de hoje. Guilherme Boulos acrescentou um parágrafo ao seu texto original, chorando pela reviravolta habilmente urdida pelo presidente da Câmara.

Eduardo Cunha conduziu o processo com a astúcia própria do animal político que é, aprovando o financiamento privado aos partidos, cabendo a eles destinar os recursos.

A deputaiada do PSOL deu um piti. Os blogs sujos estão babando. Boulos voltou a um texto já publicado para um pós-escrito chiliquento.

Somando ao financiamento a proibição da reeleição a cargos executivos, o dia 27 de Maio de 2015 mostrou-se muito produtivo.

Eduardo Cunha pode não ser o meu modelo de político ideal, ademais, sua atuação tem posto as esquerdas em polvorosa.

Na conjuntura atual, já é um mérito considerável.

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

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