O comunismo deveria ser proibido. Mas proibi-lo é a forma errada de atacá-lo

Semanas atrás, o deputado Eduardo Bolsonaro apresentou um Projeto de Lei pedindo a criminalização do comunismo.

Como historiador, colocando na ponta do lápis – como se um genocídio pudesse ser medido por mera matemática – não tenho dúvida de que o comunismo, mais letal que o nazismo, não deveria ser permitido.

Digo mais. Considero que o professor que apresenta esta ideia a um grupo de crianças como uma ideologia libertadora, é, a seu modo, um criminoso intelectual, cuja apologia da barbárie é indefensável.

Acrescento ainda: a iconografia comunista não difere em nada, em meios e em fins, à nazista.

A foice e o martelo, tal qual a suástica, representam a morte e a tortura de quaisquer vozes discordantes. São símbolos de orgulho de uma causa genocida.

Tamanho introito pode parecer uma defesa entusiástica do projeto de Eduardo Bolsonaro, que foi muito incensado nas últimas semanas nas páginas de direita, ademais, pessoalmente não defendo que a proibição ao comunismo seja efetiva no papel de COMBATER o comunismo.

Para entender o ponto em que quero chegar, é preciso reconhecer que ideias, boas ou más, são manejáveis. Não estou defendendo o relativismo, mas sim constatando que uma lei que proíba o comunismo agora não irá solapá-lo, e sim glamourizá-lo, já que o discurso persecutório seria manejado pelos atuais detentores da prevalência do discurso no campo acadêmico/cultural: ou seja, a esquerda.

Ao invés de remediar, podemos errar na dose, fortalecendo ainda mais a bactéria. Em nossa embriaguez comemorativa, pautados na certeza de que o comunismo é uma ideologia desoladora e que o vencemos, não perceber seu recrudescimento clandestino, sendo depois repermitido, voltando ao jogo político mais forte do que antes.

A ampulheta política sempre acaba virada novamente. Os ventos podem ser favoráveis à direita, mas isso ainda NÃO SE REFLETE NO CAMPO CULTURAL. Os espaços estão ocupados pela esquerda, por gente que não tem nenhum apreço pela lei, e que não calará seu discurso assassino por força de lei.

Proibir o comunismo lhe concederia um vitimismo útil, no qual ele se escoraria. O discurso não seria calado. A foice e o martelo virariam objeto de culto. E enquanto a direita estivesse surfando na vitória, senhora de si, se achando invulnerável, o inimigo demoníaco estaria se alimentando, firme e forte, com financiamento internacional, pronto para a nova virada da ampulheta política.

Universidades, que já atuam como diretórios de partidos esquerdistas, se transformariam em núcleos de desenvolvimento reativo. Nelas, e em todo o ambiente estudantil, ele se tornaria mais forte do que jamais esteve.

A lei de Eduardo Bolsonaro não prosperará. E é bom que assim seja. Não porque o comunismo tenha predicados para ser livremente apregoado, mas porque proibi-lo seria um insucesso a médio prazo.

E a Guerra Cultural em curso, não tenho dúvida, é longa, e precisa ser vencida através da reconquista do discurso, não com uma proibição que fortalecerá o inimigo.

Por Renan Alves da Cruz

 

2 comentários em “O comunismo deveria ser proibido. Mas proibi-lo é a forma errada de atacá-lo”

  1. Bravo!

    O comunismo deve ser combatido à moda italiana: enquadrando e expondo terroristas e militantes como criminosos comuns, não dando chance para “glamourização” no curto e médio prazo e desmoralizado as falsas versões que serão plantadas no longo prazo.

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