O boato sobre o satanismo de Michel Temer

Se você digitar no google as palavras “Michel Temer satanista”, terá 34000 resultados. Se digitar “Michel Temer satanismo”, terá 21000. Isso demonstra que o boato sobre relações entre o atual presidente com forças das trevas não é só mais um bafejo das redes sociais.

Ouvi sobre isto antes ainda das eleições de 2010. O que se dizia era que Michel Temer era um dos maiores satanistas do Brasil e que sua inclusão na chapa de Dilma Rousseff o colocaria como sucessor natural à presidência, o que poderia, por consequência, nos trazer o malogro de um satanista como presidente do Brasil.

Como Dilma já havia enfrentado um câncer, teorias detalhistas proliferavam, como a de que ela não estava plenamente curada e, depois de eleita, deixaria o cargo para se tratar, e Temer, sob a batuta de Satã, nos governaria.

A origem do boato seria a história de Danial Mastral, ex-satanista convertido, relatada nos livros O Filho do Fogo, volumes I e II, onde Mastral narra seu envolvimento com o satanismo e sua posterior conversão, revelando, dentre outras coisas, que era filho de um famoso político brasileiro de alta graduação nos círculos satânicos.

Os livros, porém, não revelavam a identidade do político, que recebe, na obra, o pseudônimo de Marlon.

Dizia-se porém que, em palestras, Mastral havia revelado a identidade de seu pai: nada mais nada menos que Michel Temer.

O boato ganhou corpo e muitos evangélicos fizeram o certo pelo motivo errado: votaram contra Dilma para não correrem o risco de ter Temer.

Como é sabido – pois pagamos por isso até hoje – Dilma foi eleita em 2010, com Temer a tiracolo.

O atual presidente foi abordado diversas vezes sobre a questão e sempre a negou com a estafa de quem se sabe vítima.

Como Daniel Mastral – que não é o culpado do boato, mas sabia dele o tempo todo – não se manifestava, a história era protelada.

Ficava, portanto, o dito pelo não dito: Temer negava, mas Mastral – segundo dizia o boato – o acusava.

Li os livros de Daniel Mastral, no caso, os dois volumes de “O Filho do Fogo”.

Ele possui muitos outros, que eu certamente não lerei.

Não vou me ater sobre a legitimidade do que ele narra no livro. Na internet há informações de que a mãe dele nega parte do que é narrado nos livros, mas num artigo sobre boatos preciso ter cuidado sobre o que atesto ser verdade… Como não vi a citada senhora afirmá-lo pessoalmente, não posso cravar, mas fica a menção.

O que posso dizer sobre os livros de Mastral é que eles me passam uma impressão que, neste caso, parece perigosa, ou no mínimo, digna de cautela:

São dois volumes, com informações que caberiam facilmente em um.

Oras, modéstia à parte, leio muito e sei reconhecer quando um autor está enchendo linguiça!

Mastral inflou os livros de informações desnecessárias, floreios e repetições, para fazer com que fossem dois.

Dois livros = Venda dobrada.

O primeiro volume não tem absolutamente nada de relevante. Se você quiser chegar “aos finalmentes” terá que comprar o segundo.

E as informações caberiam com ENORME tranquilidade num livro só.

Não gosto disso. E acho que depõe contra Mastral.

Outro ponto: Sabendo a proporção que o boato havia tomado, por que Mastral não desmentia ou confirmava a história?

No primeiro caso, para absolver o caluniado, no outro, para alertar os cristãos.

Não consigo ver outro motivo a não ser capitalizar em cima do boato e vender mais livros!

Logo, se acho que Mastral aumentou o tamanho de sua história desnecessariamente para ter dois livros ao invés de um e assim vender em dobro, e se acho que ele passou os últimos anos vendo muita gente ser enganada por causa do boato e não se manifestou para esclarecê-lo, também para vender mais livros, ele não me parece muito digno de crédito…

Portanto, me abstenho de apontar veracidade no que ele alega.

De qualquer maneira, antes tarde do que nunca, Mastral se manifestou para afirmar que nunca disse que Temer era satanista, ou seu pai, ou as duas coisas…

A entrevista pode ser lida aqui:

Sua fala é bem sólida, asseada, bem articulada, mas não me convence nos tópicos essenciais levantados. Ele deveria sim ter se pronunciado antes. Como já disse e reitero, Mastral não é o culpado da origem e mesmo da proliferação do boato, mas se omitiu de resolver um mal-entendido que, se não causado por ele, tinha total condição de evitar.

Este é o papel de um homem de Deus, Daniel Mastral: combater a mentira.

Por Renan Alves da Cruz 

 

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