Nosso mundo é The Walking Dead

Hoje estreará a nova temporada da famosa série The Walking Dead.  Recomendo a todos que assistam desde da primeira temporada, pois, há na série, algo mais do que zumbis…

Por um longo tempo, não entendi o estrondoso sucesso da série. Não entendia como as pessoas se interessavam por mortos-vivos atacando tudo que respirava. Foi então que tempos atrás, com enorme relutância e ceticismo, aceitei o desafio de assistir The Walking Dead. Fui fisgado!

Mas, o que em The Walking Dead me fisgou? Embora seja uma série que aborda um mundo apocalíptico, há ali uma enorme analogia com o nosso mundo atual, ou, com o futuro para o qual nosso mundo e sociedade caminham.

O que mais me chamou a atenção foi a serie abordar o caráter de cada individuo, as motivações e os interesses de cada um diante de uma sociedade sem leis, entregue a barbárie e ao anarquismo. Há aqueles que se esforçam por fazerem o certo, fazer o bem e ajudar outros a seguirem o mesmo caminho. É o caso de Rick Grimes e seu grupo, que tentam a todo custo não esquecerem determinados valores tais como: amor, família, seguir as leis (mesmo quando eles não existem), diferenciar o bem do mal, esforçar-se por ser bom e não entregar-se a maldade pura. São esses alguns traços que ainda os fazem humanos em um mundo caótico e desumano.

Há ainda aqueles que, diante da catástrofe, se valem dela para se tornarem a própria Lei. É o caso do “governador”: Sanguinário, perverso, autoritário, manipulador, mentiroso e insensível. Aqui, a analogia com os ditadores do século XX é inevitável: Stalin, Lênin, Hitler, Mao Tsé Tung, Guevara, etc.

O mundo de The Walking Dead é um mundo onde a voz da experiência, da sabedoria, do comedimento e da razão fica para trás, mas é também um mundo onde se acredita cegamente que os cientistas são aqueles que curarão todos os males de um mundo doente. Não, não são. É o que deixa evidente o personagem Eugene que não sabe mais do que os outros, mas é apontado como possuidor de conhecimentos ou informações científicas que consertará tudo. Quantos charlatões sob o titulo de cientistas não há nos nossos dias? Quantas e quantas vezes nossa sociedade não coloca a ciência como detentora da última “palavra” e cientistas como juízes?

Há ainda a figura do Pe. Gabriel. Dúbia, fraca e ao mesmo tempo, ainda uma incógnita; caminhando na tênue linha entre o mundano e o sagrado. A qual força Gabriel se entregará? À força de Deus? Ou se deixará sucumbir pelas trevas do canibalismo em voga?

Por fim, The Walking Dead retrata a odisseia de alguns sobreviventes de um mundo que não existe mais. Qual será o “Novo Mundo”? Um mundo que resgatará as virtudes do “Velho”? Ou um mundo de zumbis. Sem alma e sem espírito? (alma morta, carne viva). De fato, a principal luta de Rick Grimes e sua trupe não são contra os zumbis. Também não é uma pura e simples luta pela sobrevivência.

Trata-se de uma luta para manter o espírito de humanidade e manter a viva esperança de que há um Bem Maior no prelúdio de uma nova Era. É, pois, uma guerra contra a animalidade e sua crueza; contra a incivilidade, sua inépcia e insolência; é uma luta contra a malicia, o maligno e a tirania, que estão à solta e dispostos a disputarem a primazia com todas as suas forças. Quem vencer essa luta moldará o homem do futuro.

Pois é meus amigos, a ficção de The Walking Dead está mais próxima da nossa realidade do que de um futuro apocalíptico. Já vivemos em um mundo The Walking Dead. Portanto, vale perguntar: De qual lado estamos? A quem estamos dando a primazia do futuro?

P.S. Se por um acaso você não gostar da série, ao final das cinco temporadas, pelo menos aproveite a trilha sonora. Há algumas preciosidades! Deixo essa como aperitivo:

Por Jakson Miranda

 

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3 comentários em “Nosso mundo é The Walking Dead”

  1. Achei interessante a analogia proposta no texto. Acredito que acrescenta-se ao que foi descrito, a ideia da própria formação, neste caso reforma, da sociedade através dos valores que os personagens vão redescobrindo, relembrando e reaprendendo ao longo de todas as experiências vividas em meio ao apocalipse. Uma espécie de redenção sujeita à todos os desafios que os individuos estejam sujeitos ao estabelecer a ordem e o convívio em sociedade.
    Nesta nova temporada, podemos ver a relação, retradada analogamente, entre Sociedade e Estado, retratado pelo personagem Negan que assim como o Estado, determina os rumos da vida da Sociedade formada pelos grupos aliados do Rick, detém o poder e o domínio sobre suas vidas e seus bens, estabelece as regras e normas de conduta e cobra tributos, e através da opressão constante, a propósito de inibir possíveis revoltas, e a cobrança incessante e abusiva de tributos, se torna cada vez maior, mais forte e poderoso.
    Mas assim como existe o lado tirano e opressor do Negan (Estado), existe nos grupos aliados do Rick (Sociedade), o despertar de um desejo de liberdade e justiça que permite à eles entenderem, primeiro que possuem direitos e segundo que para fazerem valer seus direitos precisam fortalecerem os laços com seus aliados e criar novos laços com sociedades que, assim como eles, sofram com a opressão do Negan. Vemos aí a analogia ao surgimento da política através de um senso ético e da percepção de que seus direitos devem ser respeitados.
    Assim como o autor do texto acima, eu entendi o Sucesso da série só depois que decidi descobrir do que se tratava e me vi entrelaçado ao enredo e pude perceber a relação que a série tem com minha própria vida.
    Eu recomendo às pessoas que ainda não assistiram, que assistam, e aos que já assistiram que procurem entender a lição inserida na série. É simplesmente incrível.

  2. Na série, o mundo está entregue á uma barbarie, ou seja, após um colapso de doença, polifreração de pessoas, desmatamento, desequilíbrio, consumismo e fascismo. A barbarie já vivemos no Capitalismo, onde governantes, e demais habitantes fazem discursos de ódio, e agridem pessoas e animais, e não respeitam qualquer lei democrática, democracia: regime político de esquerda, em que a maioria decide, e que preza sempre atender os menos desfavorecidos, e a democracia realmente, é contra a exploração do ser humano. Viver sob uma barbarie requer ferramentas anarquistas, até porque se estivessem em um estado comunista, e extinguido qualquer difença de classes, e não houvesse burguesia, ou qualquer classe rica, não estariam vivendo em mundo de zumbis, tipo aqueles da Av. Paulista que apoiaram o golpe

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