Não tente explicar o Brasil

Leiam o trecho a seguir, do artigo “Questão de Fé”, de J. R. Guzzo, publicado na edição 2452 de VEJA. Comento a seguir.

(Lula) exige, unicamente, que todos acreditem na sua perfeita lisura e na ideia de que 100% das suspeitas contra ele, sem exceção de nenhuma, são fabricadas pela malícia de adversários que não querem vê-lo de volta à presidência da República em 2018.

Um dos seus filhos, por exemplo ─ para ficar apenas no caso mais falado destes dias ─, recebeu 2,4 milhões de reais de uma empresa de consultoria empenhada em obter benefícios fiscais para montadoras de automóveis; seu pai, como presidente, assinou a medida provisória que concedeu esse favor. O filho de Lula disse que o dinheiro lhe foi pago porque prestou serviços de “marketing esportivo”, que não se sabe quais foram, para os consultores em questão.

Outro filho recebeu, ainda no primeiro mandato de Lula, 5 milhões de reais pela venda de metade de uma empresa de games eletrônicos, que jamais ganhou um centavo, para uma empreiteira de obras beneficiada diretamente por um decreto assinado depois pelo pai. Os dois moram em apartamentos de primeira classe cedidos de graça por amigos ─ e por aí vai a coisa, isso para não falar dos negócios do próprio Lula. Quanta gente tem amigos como esses, ou ganha dinheiro desse jeito? É possível que esteja tudo em ordem ─ possível sempre é. Mas para acreditar nisso é preciso ter a mesma fé que se exige para aceitar a carne moída do deputado Cunha.

É fé que não acaba mais.

Você consegue se imaginar explicando a um estrangeiro, pode ser um americano, um inglês, um francês, um alemão, etc., os oportunos relacionamentos de um ex-presidente, seus filhos, e determinadas empresas, que, como por mágica, foram beneficiadas pela pena poderosa do papai?

Consegue se imaginar explicando que este senhor, não apenas está solto, como concede entrevistas atrevidas em que apresenta uma pretensa volta no próximo pleito, como se, decidindo por tal, fosse imbatível?

Consegue explicar que o dito-cujo faz discursos em que defende bandidos indubitavelmente culpados de crimes, legando lhes características de heroísmo e garra?

Quer uma recomendação? Não tente explicar. Quem mora em países decentes, em que a lei é aplicada a todos, não vai entender.

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

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