Não consigo apoiar a greve dos caminhoneiros

(Artigo publicado em 26/05/2018)

Em seu sexto dia seguido, a greve dos caminhoneiros tem afetado a vida de milhões de brasileiros. E mesmo assim, a população tem demonstrado se não um apoio efetivo, ao menos uma simpática compreensão.

O problema é que pouco se sabe sobre a pauta de reivindicações dos grevistas. Na verdade, são tantas que talvez nem os próprios grevistas devam saber por qual objetivo concreto estão em greve.

As reivindicações vão desde redução do diesel ao valor do frete que as empresas pagam aos motoristas, mas também há aqueles que reclamam do valor do pedágio e ainda, tem os que querem simplesmente fazer campanha.

“Começou com os autônomos. Mas como a situação está ruim para todos, as empresas (e os motoristas contratados por elas) também aderiram. E aí surgem várias associações, várias pessoas querendo representar. Tem também alguns que são pré-candidatos (às eleições de 2018)”, diz o caminhoneiro Ivar Schmidt, um dos principais líderes dos protestos de caminhoneiros de 2015, que afirma não estar à frente das movimentações atuais. 

Já nas manifestações de 2015, ocasião em que a greve dos caminhoneiros não provocou tanto estrago, escrevi o artigo Protesto dos Caminhoneiros e a aposta na política errada nele, observei o seguinte:

Honestamente, não sou a pessoa mais indicada a falar favoravelmente a qualquer tipo de greve. Não porque eu seja contra as reivindicações de melhorias de trabalho, mas, porque sei que a grande maioria dos sindicatos no Brasil, são franjas do petismo, e sabemos no que isso dá. Quando não são franjas do petismo, as associações sindicais têm ao menos dois outros pecados: Carrega uma visão corporativista, o que nem sempre é bom e enxergam o Estado como principal solucionador dos seus problemas, deixando, porém,  muita das vezes, de exigir do Estado aquilo que realmente deveria ser exigido.

Acrescentei ainda

Trata-se de um protesto cuja questão central são as condições de trabalho dos caminhoneiros? Pelas reivindicações noticiadas pela Folha, sou mais uma vez, obrigado a discordar. Por quê? Oras, o setor está pedindo mais e mais regulações do Estado, quer a intervenção pesada do governo. Uma ajudinha aqui e outra acolá. No fim, isso em nada contribuirá para a melhoria das condições de trabalho do setor.

Aquele contexto político era diverso do atual, quando o atual governo já vive clima de fim de feira. O que indica não ter mudado é a natureza dos protestos.

Em excelente editorial do jornal conservador Gazeta do Povo, somos levados a refletir sobre certos direitos que todos possuímos em uma sociedade democrática,

Não se nega que os caminhoneiros autônomos, quem primeiro levantou a voz sobre os preços do diesel, possam ter razão em algumas de suas reivindicações. Talvez a política de reajuste quase diário dificulte o cálculo do frete em um mercado já fortemente onerado e depreciado pelo aumento da oferta, decorrente da política de subsídios do governo Dilma Rousseff (PT). Entende-se que as pessoas estejam bravas, que a retomada da economia patine, mas há um sem-número de alternativas legítimas para defender as próprias pautas em uma democracia.

E finaliza de forma brilhante,

Os caminhoneiros rejeitaram a redução apenas da Cide proposta pelo governo federal, rejeitaram o gesto de boa vontade da Petrobras, que diminuiu o valor do diesel em 10% por 15 dias, rejeitaram a aprovação do fim do Pis/Cofins pela Câmara e agora parecem ter rejeitado a proposta de ontem. Prometem suspender o movimento apenas se o Senado aprovar o pacote da Câmara e o presidente Temer o sancionar. Não cedem um milímetro em suas reivindicações e fazem ouvidos moucos ao chamamento à razoabilidade. Confirmam, assim, que seu movimento nunca teve nada de democrático. Pelo contrário, é mais do velho autoritarismo e do corporativismo à brasileira.

Diante dos motivos expostos, não consigo apoiar a greve dos caminhoneiros.  Além disso, prezo pelos meus direitos, de ir e vir e isso me leva a ser  solidário àqueles que não aderiram à greve e que gostariam, mas tiveram esse direito suprimido de forma autoritária, de continuar trabalhando.

Por Jakson Miranda

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6 comentários em “Não consigo apoiar a greve dos caminhoneiros”

  1. Não tem muito tempo a maioria da população brasileira era contra reformas propostas pelo governo Temer, principalmente a reforma da Previdência e Trabalhista, agora querer que as coisas aconteçam com alguma canetada, como em um passe de mágica, é ridículo.

  2. Tanto Pelo povo ?Acorda Suellen . Produtores jogaram leite e verduras no lixo, supermercados ficaram lotados e alguns até limitaram a quantidade de itens que poderiam ser comprados por pessoa postos de gasolinas aumentaram causaram o caos. Nas redes sociais e nos aplicativos de mensagem, multiplicam-se textos alarmistas que procuram alimentar o pânico.

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