Mentiras adverbiais: as muletas gramaticais da esquerda

Na Era da Incultura que, além de não reprimida, é estimulada, percebe-se a degradação endêmica das normas artísticas clássicas. Qualquer sobra de ferro-velho vira escultura, qualquer jato de tinta na tela, uma obra que desafia os padrões. O padrão é não haver padrão. O padrão, pior ainda, é ofender qualquer padrão.

Não se espera que a boa escrita sobreviva incólume numa cultura que rasteja. Há bons livros sendo escritos e é até mais fácil filtrar. O mercado se tornou mais compartimentado, ramificado em subgêneros que fogem, não raro, à nossa capacidade distintiva. Ademais, se o ser humano mantém sua capacidade de ser inventivo, abre mão, sem pestanejo, do apuro estilístico.

Quem estima escrever, precisa em algum momento, ler sobre a escrita. Escrever, por si só, é uma extensão da leitura, ou, como numa definição que gosto em particular, um transbordamento. Há um momento em que lemos até encher o balde, e começamos a derramar os próprios textos por aí. Quando isto ocorre, é preciso aprender o mínimo do ofício para superar a fase do engatinho.

Li alguns livros de orientação de escrita, boa parte dispensáveis, de almofadinhas pretensiosos que sequer sabiam o suficiente para si para posarem de mestres do ofício. Alguns, variando do bom ao magistral, causaram uma enfática eletrocussão em meu modo de entender a expressão escrita. O Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa é um exemplo de obra marcante. O conteúdo justifica sua atual raridade e preço. Não tem os capítulos enfadonhos e dispensáveis que abundam neste tipo de livro.

Acabo de ler o recém-lançado Sobre a Escrita de Stephen King, que é dividido em duas partes. Uma autobiográfica, que objetiva mostrar sua trajetória, das recusas de editoras até a conquista do primeiro contrato de publicação.

A segunda parte é de dicas simples para escritores. Não transformarão aquele seu amigo chato que escreve contos cheios de pretensos significados ocultos num Oscar Wilde, mas são aproveitáveis e aplicáveis em todos os formatos de textos. Considero Stephen King um contador de histórias de amplo talento. Sustenta boa parte de seus livros apenas na narrativa e na construção de personagens. Falha muito no enredo, mas compensa na condução.

King, não diferente de tantos outros que se aventuraram na tarefa de orientar escritores, repete um conselho velho, mas sempre bem vindo: o cuidado com os malditos advérbios.

Advérbios são como ervas daninhas. Se você não for retirando-os de seus textos, logo estarão tomados e dominados por eles. Advérbios enfeiam textos porque quebram a cadência, além de demonstrar fragilidade argumentativa.

A partir de uma colocação de Stephen King sobre advérbios, que considerei bastante oportuna, resolvi dar uma testada em alguns escritores de esquerda que conheço. Não literatura, mas blogueiros e colunistas, e tirar a prova, baseado no método King.

Para o americano, escritores que abusam de advérbios são inseguros na argumentação. Logo, quando o sujeito enfia aquele adverbiozão desnecessário no meio do texto, que serve apenas como enfatizador, ele o está fazendo porque não confia no taco, e quer usar um recurso mequetrefe para forçar aquela ideia.

Esta definição me captou e recomendo que você, douto o bastante para ao menos saber identificar um advérbio faça o teste. É batata!

Passei a vigiar meus textos com mais cuidado, para assassinar todos os advérbios desnecessários e também a checar textos alheios. Topei com muita coisa chocante.

Um exemplo:

“O vento bateu a porta fortemente.”

O fortemente é o dito cujo da frase. Ele é desnecessário. Se o escritor dissesse apenas “o vento bateu a porta”, o leitor teria como depreender que foi uma pancada. O escritor inseguro insere o fortemente porque não está confiante de que é capaz de transmitir a intensidade.

Tive logo a ideia. Vou ler os colunistas e blogueiros de esquerda, quando estão defendendo sua velha coletânea de absurdos e ver como manejam as questões adverbiais.

Para efeito de comparação, fiz o mesmo exercício com escritores alinhados à direita.

Lá fui eu contar advérbios de textos de Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino e Guilherme Fiuza no Lado Claro da Força; e da linha de frente da turma dos sebentos: Boulos, Duvivier, Ricardo Melo (o petista encasacado da Folha) e Leonardo Sakatonto.

Descobri-me, como um decodificador excêntrico, contando advérbios dos textos dos outros, tentando provar a mim mesmo que ESQUERDISTAS PRECISAM USAR MULETAS GRAMATICAIS PARA FORÇAR SUAS IDEIAS INDEGLUTÍVEIS e, ao término, respirei fundo, com aquela sensação orgástica de dever cumprido.

Foi como Brasil x Alemanha. Foi uma proporção tal qual o 7 x 1 do fatídico Mineiraço!

Vou me debruçar melhor sobre este troço. Uma pesquisa mais apurada, para defender a humilde tese de que os esquerdistas surfam nos advérbios, não porque querem, ou porque são escritores inábeis, (ok, também o são…), mas sim porque seu conteúdo implora por advérbios. A ideologia esquerdista precisa de reforço, de ênfase, de uma dúzia de advérbios embrutecidos para enfiarem aquela mentira garganta abaixo dos incautos.

Em breve, tão logo tenha resultados mais sólidos, após ampliar o número de textos e autores verificados, divulgarei aqui as conclusões…

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

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7 comentários em “Mentiras adverbiais: as muletas gramaticais da esquerda”

  1. Gostei muito do seu post, captei a mensagem passada e vou buscar não “adverbiar” meus textos. Mas quando aos “doutos” esquerdistas mequetrefes, fazem apenas reforço do seu lixo.

  2. Vc diz que Stephen King peca no enredo, mas ele não comete o pecado mortal de Dan Brown (entre outros), de se apegarem com unhas e dentes a um roteiro pré-determinado e colocá-lo em TODOS os seus livros. Senão vejamos: no livro Ponto de Impacto (que aliás achei muito bom), basicamente há um mistério, que começa com um assassinato/morte inexplicável. Forma-se um casal de investigadores para desvendar o que está acontecendo, e são perseguidos e correm muitos riscos até finalmente descobrir o que está acontecendo. PQP, este praticamente é o roteiro do Código Da Vinci e Fortaleza Digital. King pode ter seus defeitos mas não cai nessa mesmisse. Além das inusitadas tiradas de humor em seus livros, ele constantemente nos surpreende com roteiros diferentes e interessantes. Já li a grande maioria de seus livros, especialmente os atrelados direta ou indiretamente à saga da Torre Negra, e posso dizer que (no que diz respeito ao seu gênero literário), de fato STEPHEN is the KING! 😀

    • Olá, Roberto

      Sou um grande fim de S.K. e admiro sua obra profundamente. Acho que pode pecar numa coisinha ou outra, mas em geral, 90% de seus mais de 50 livros são fantásticos.
      Obrigado por escrever e um grande abraço!

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