Teve golpe! “Meio” Impeachment de Dilma é inaceitável!

Não consegui comemorar o afastamento definitivo de Dilma e, embora entenda o avanço e a dimensão histórica do fato, permaneço estupefato e revoltado com a sacanagem realizada no Senado brasileiro.

Tolos aqueles que pensavam que tal julgamento, protagonizado pelos aquilatados Ricardo Lewandowski e Renan Calheiros, não teria sua honra avariada.

Sempre fui um defensor enfático do Impeachment de Dilma Rousseff, e desde o primeiro dia em que me tornei colunista deste portal, quando ela acabara de assumir seu segundo mandato, me posicionei a este respeito.

O Impeachment, sempre soubemos, não resolveria tudo. Seria um primeiro passo, que por si só não traria nenhum benefício substancial às questões éticas e morais que temos lidado diariamente aqui no Voltemos à Direita.

O professor Olavo de Carvalho, cirúrgico, já apontava que o problema do Impeachment era a transferência do protagonismo, saindo das ruas – de nós – para a classe política. Reinaldo Azevedo o desancou por isso. Disse que Olavo tinha inveja dos “meninos” do MBL e assemelhados, estes os grandes pilares da conquista do Impeachment.

Pois bem, gostaria de ouvir agora Reinaldo Azevedo. Saber se ele considera que o meio-impeachment mandrake que vimos, manobrado por políticos com o aceno de um juiz, o satisfez. Impeachment este que fez com que Dilma, sacrificada como boi de piranha do PT, sequer seja privada de arrumar uma boquinha na colossal máquina pública, para curar suas mágoas.

Serviço feito. O PT volta para sua seara preferida: a oposição destrutiva. Veste a carapuça de vitimado, inflama seu discurso forjado de “golpe”, e se reestrutura a partir da base.

Enquanto Dilma, faceira, perde o mandato, mas recebe um salvo-contudo para esgrimir a retórica de que foi injustiçada, na medida em que, os distintos senadores, com a decisão, transmitiram ao mundo a ideia de que ela não merecia receber a totalidade da sanção constitucional, transformando-a em culpada e vítima, ao mesmo tempo.

A decisão de manter seus direitos políticos viola o Texto, a legalidade, a ética e a estrutura do Impeachment como medida destitutiva de um presidente eleito.

Este Impeachment não é meu. Não foi por ele que lutei, não foi por ele que sai às ruas.

Mais uma vez fomos enganados. Mais uma vez os brasileiros tiveram que se contentar com migalhas.

Este Impeachment eu não comemoro. Não passa de um truque de ilusionismo.

Não passa de um golpe.

Por Renan Alves da Cruz

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