MBL e Veja decidem caçar a extrema direita

Vou tratar aqui de algo que talvez já seja noticia velha. Ocorre que, em um caso, prova-se uma total falta de conhecimento e em outro, soma-se essa falta de conhecimento com o risco de que se opte por ações cujas consequências a médio e longo prazo podem ser danosas para as liberdades individuais do nosso país.

A edição de número 2477 da revista Veja, já criticamos uma reportagem desta mesma edição, dedica um bom espaço na resenha do livro Um de Nós de Asne Seierstad. Tudo nos leva a crer que deve ser um excelente livro. Nele, a autora, narra o assassinato em série de 77 pessoas causados pelo norueguês Anders Breivik.

A “resenha” critica do livro na revista Veja, ficou a cargo de Diogo Shelp que por sua vez, observou que o assassino era um “extremista de direita obsecado pelo que considerava ser um processo de islamização de sua pátria”. Mais adiante, Shelp vai além e faz a seguinte analise:

Um monstro, um louco. Só essas classificações poderiam explicar tanta frieza, tanta crueldade e a total falta de empatia com outras pessoas. Também serviam de conforto psicológico para outros cidadãos. É mais fácil desumanizar o assassino para não correr o risco de se reconhecer nele de alguma forma”.

Continua Diogo

… A autora desmonta essa ilusão e expõe o incomodo fato de que ele não é um monstro. É humano, com tudo o que pode haver de monstruoso nisso. A infância solitária, a mãe problemática, o pai ausente, o bullying sofrido na adolescência, o vicio em jogos de computador violentos, o narcisismo, o uso de anabolizantes e até a admiração juvenil de Breivik pelos imigrantes, que depois se transmutou no oposto, em xenofobia – Asne apresenta tudo isso sem cair na tentação de dizer que um ou outro fator explica seus crimes”.

O caso, é evidente, ganhou o noticiário em escala planetária. De 2011 pra cá, o que ficou foi a certeza de que o assassino não passava de um extrema-direita. Certeza esta compartilhada por Shelp. Porém, é no texto do próprio Diogo que somos levados a indagar: Anders Breivik tornou-se um assassino porque se tornou um extremista da direita ou porque carrega consigo sérios traumas psicológicos? Todos aqueles que se identificam com a extrema-direita sofrem ou sofreram problemas da mesma natureza?

Já nos acostumamos com a imprensa classificando a francesa Marine Le Pen como uma representante da extrema-direita europeia (e não digo que ela não seja), mas, Le Pen é uma assassina em potencial porque da extrema-direita ou para se chegar na condição do norueguês ela precise de “algo” a mais? Se Le Pen não é uma assassina em potencial, então, não foi por ser da extrema-direita que levou Breivik a cometer os crimes que cometeu, ou ele representa a extrema, da extrema, da extrema, direita. É isso?

A verdade é que o que esse jovem fez, não teve relação com esta ou aquela ideologia. Ele poderia muito bem ser um comunista, ou, tão somente… Uma pessoa que precisava de ajuda. Talvez isso não seja o que pensa nossa imprensa e certos formadores de opinião. É provável que para estes, os problemas que Breivik carrega o condicionaram a ser não apenas um assassino, mas, fazer parte da extrema-direita. E não é isso que pensa os “meninos” do MBL? Diga-se de passagem, mais uma vez, com o endosso do senhor Reinaldo Azevedo?

Um dos lideres do Movimento Brasil Livre, Renan Santos, teceu comentários, em áudio divulgado na internet, sobre aqueles que ele considera da extrema direita.

 O lance é assim. Bom, vocês já sabem, não preciso nem falar pra vocês. Ali é um monte de garoto. Garotos, mulheres, sociopatas, com comportamento social errático, com poucos amigos, com várias frustrações psicológicas. Frustrações pessoais, afetivas e tal. E que acabam encontrando este discurso ‘Ah sou conserva, sou reaça, opressor’. Maior mentira, eles não oprimem! Mentira! São uns coitados! É uma gente que vê, por exemplo, no comportamento do Olavo, meio falastrão, fumando, falando palavrão, no Bolsonaro, uma redenção pra a própria miséria deles próprios. E acabam entrando nessa idolatria“.

Observem que para Renan, os sociopatas e frustrados psicologicamente apoiam igualmente Bolsonaro e Olavo de Carvalho. Observem a semelhança entre a fala deste jovem e a do jornalista da revista Veja. Temos aí um dado cientifico? Uma coincidência?

Podemos dizer que Diogo Shelp escreveu um texto que segue estritamente o “mais do mesmo”. O autor teve preguiça em sair do lugar comum e tascou lá um viés ideológico na ação de uma pessoa desequilibrada. Agora, Renan Santos sair rotulando este ou aquele de extrema direita, este ou aquele de sociopata, ligando-os diretamente à Bolsonaro e Olavo, é algo extremamente perigoso.

Seu discurso, se não for denunciado, busca eliminar do debate político os “extremistas”, “sociopatas” e os “psicologicamente frustrados”. Quem dará razão a um sociopata ou a um extremista? Repito, isso é grave! Basta que não se concorde com o MBL para ser rotulado por essa turma com as difamações mais vis.

Nesse cenário, não deixa de ser decepcionante e até mesmo repugnante, que alguém como Reinaldo Azevedo endosse esse tipo de fala. Na verdade, é lamentável que o senhor Reinaldo Azevedo aceite de forma acrítica tudo o que é dito pelo MBL e aplauda de forma acrítica, sórdida e ignóbil, tudo aquilo que é dito contra Jair Bolsonaro e Olavo de Carvalho. Diante de tudo isso, podemos concluir que Reinaldo Azevedo não passa de um vassalo a cumprir fielmente o que lhe manda seu senhor, seja tal senhor uma entidade, ou mesmo, seu ódio, seu rancor, sua ignorância e sua ojeriza contra quem pensa diferente do tucanato reinaldiano.

No mais, para o bem geral e felicidade de todos, é bem possível que o MBL empreenda campanha para prender aqueles que eles acusam de serem extremistas ou desequilibrados mentais. Vai que estes elejam presidente um Jair Bolsonaro ou qualquer outro que surgir? Assim, só nos restará saber se empreenderão essa verdadeira “campanha sanitarista” na condição de um Simão Bacamarte ou na de um Adolf Hitler.

Por Jakson Miranda

 

2 comentários em “MBL e Veja decidem caçar a extrema direita”

  1. Que tal parar de cair nesse joguete esquerdista de usar a expressão “extrema direita”? Só existem direita, esquerda e centro. Centro-esquerda e centro-direita já começam a descambar para ares comunistas que não querem se assumir só para parecerem bonitinhos na foto. Valeu.

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