Maus professores têm de ser excluídos!

Série: como melhorar a educação (VII)

No artigo anterior desta série comecei a abordar o espinhoso tema da estabilidade de professores do funcionalismo público, fator este que, para qualquer pessoa com mais de dois neurônios em uso, explica alguns dos graves problemas da educação pública brasileira.

Como tenho tentado demonstrar desde que comecei a escrever sobre educação, transmitindo minha própria experiência como ex-professor de ensino público, os aspectos mais danosos ao sistema educacional brasileiro são estruturais. Decisões disfuncionais somadas, que se ligam numa estrutura ferruginosa, nutrida por farsantes e alguns tolos.

Existe muita gente boa no meio, tanto em intenções, quanto no exercício da profissão, mas se tratando de uma estrutura danificada, os bons acabam integrados a um sistema que não funciona.

A estabilidade é o grande benefício de atração do cargo de professor do ensino público.

Só acabar com ela NÃO resolverá o problema, já que o dano é estrutural.

Ademais, a permanência dela agrava o problema. É parte desta estrutura que precisa ser desmantelada.

E aqui também permanece a lógica elementar a qualquer situação ou atividade: nenhum sistema funciona sem que maus elementos sejam excluídos.

Vou repetir, porque é de uma simplicidade acachapante, que muitas vezes os professores, em seus chiliques retaliatórios não conseguem considerar:

Nenhum sistema funciona sem que maus elementos sejam excluídos.

Professores que não produzem e que se demonstrem incapazes de ensinar precisam ser desligados e substituídos por professores que consigam apresentar resultados. Já escrevi também que o sistema de avaliação por concurso não mede a capacidade didática dos candidatos, apenas domínio teórico. Isso é uma faca de dois gumes. Há teóricos brilhantes incapazes de dividir este conhecimento. Portanto, não funcionam.

Se são pagos para ensinar e não o fazem, seja por incapacidade, inabilidade, inadequação ou vagabundagem pura e simples, precisam ser trocados por professores que façam jus ao pagamento acordado.

Não trato de professores incapacitados ou adoentados em virtude do trabalho. Sei que não é fácil. A estes todo o suporte deve ser concedido. No entanto, o espirito meritocrático deve ser a norma base sob a qual a manutenção dos profissionais se escora.

O período probatório deveria funcionar como filtro, mas, na verdade, só dispensa quem incorrer em falta grave no qual não se inclui o não fazer direito o serviço para o qual se é pago pelo contruibuinte. O probatório é meramente protocolar. O funcionário é circuncidado, alçado à condição esperada de perpetuidade, sem que seus resultados práticos dentro de uma sala de aula tenham sido efetivamente medidos.

A meritocracia pode ser aplicada ao professor de maneira justa. A curto prazo, num primeiro momento, devem ser avaliados no âmbito profissional: faltas, atrasos e comprometimento com as regras e normas do ambiente de trabalho. Em São Paulo essa avaliação existe, mas não é conduzida com seriedade. Todo mundo leva nota máxima.

A médio prazo, devem ser avaliados no âmbito pedagógico. Se os resultados não forem satisfatórios, o professor que tivesse boa avaliação profissional contínua deveria ser encaminhado para um curso de reciclagem, tendo tempo para uma nova reavaliação futura.

Não conseguindo atingir o padrão esperado, aí sim, deveria ocorrer o desligamento. Para tal, o ideal seria a gradativa contratação pelo regime de CLT.

É claro que nada disso é fácil, mas como tenho dito desde o início, também não é impossível. Todo mundo diz que é uma colmeia em que político nenhum colocará a mão. Isso é compreensível. Mas se alguém com colhões surgir no horizonte supliciado da política brasileira e resolver que enfrentará a grita, não tenho dúvida, melhorará a situação das escolas públicas brasileiras a partir do momento em que todos os professores tiverem plena consciência de que podem ser dispensados se não trabalharem de acordo com as expectativas.

E aos meus amigos professores, peço que pensem sobre isso:

A estabilidade que não exige resultados em troca protege apenas os maus professores.

Se você é um bom professor, o que teme?

No próximo artigo, um dos temas mais tumultuosos desta série: os males causados pelos sindicatos…

Por Renan Alves da Cruz 

 

Outros artigos desta série: 

Como melhorar a educação brasileira (parte 1)

Como melhorar a educação brasileira II – Precisamos de ideias mirabolantes?

Como melhorar a educação brasileira III – Meritocracia

Como melhorar a educação brasileira IV – Ainda a meritocracia

Como melhorar a educação brasileira V – Os problemas são insolúveis?

Como melhorar a educação brasileira VI A estabilidade dos professores precisa acabar 

 

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