Quer ganhar um exemplar do Manifesto do Nada na Terra do Nunca?

Quer ganhar um exemplar do primoroso livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca do nosso amigo Lobão?

Antes de saber como ter em mãos, gratuitamente, o excelente Manifesto do Nada na Terra do Nunca, leia um aperitivo:

Por Maria Carolina Maia em Veja.com

A verborragia de Lobão já é parte do anedotário da música popular brasileira. Há quem aposte que ele solta o primeiro petardo do dia ainda na cama, ao se espreguiçar. Não é de se esperar, portanto, que um livro seu seja canção para ninar carneirinho. Não foi assim com 50 Anos a Mil (Nova Fronteira), volume autobiográfico que saiu em 2010 sem poupar nenhum personagem e vendeu 150 000 exemplares, nem será assim com Manifesto do Nada na Terra do Nunca (Nova Fronteira, 248 páginas, 39,90 reais), que chega às lojas na próxima semana com tiragem inicial 40 000 cópias, quatro vezes maior que a do livro anterior.

Aqui, ele volta a disparar sua munição contra políticos (em especial os petistas, “aloprados e bandidos”), a música brasileira (o rock nacional continua “errado”, Roberto Carlos é uma “múmia deprimida” e a MPB, uma “sigla de proveta”), artistas e intelectuais (subornados ou preguiçosos), o brasileiro medíocre (leia-o brasileiro médio) e os nossos vícios de sempre (“a precariedade, a corrupção, a breguice, a incompetência, o assistencialismo, o nepotismo, o peculato, a demagogia, o simplismo, o coronelato”).

“O Brasil dos estupros consentidos na surdina,/ dos superfaturamentos encarados como rotina,/ dos desabamentos e enchentes de hora marcada,/ dos hospitais públicos em abandono genocida,/ dos subsídios da Cultura a artistas consagrados,/ dos aeroportos em frangalhos, usuários indigentes,/ dos políticos grosseiros, como sempre, subornados,/ de cabelo acaju e seus salários indecentes,/ da educação sucateada pelo Estado/ em sua paralisia ideológica, omissa e incompetente”, escreve ele no prólogo, feito em forma de poema e intitulado Aquarela do Brasil 2.0.

Há munição também, e bastante, dirigida para a presidente Dilma Rousseff, que tem um capítulo “dedicado” especialmente a ela. Em “Vamos assassinar a presidenta da República?”, Lobão afirma, por exemplo, que quando guerrilheira Dilma lutava contra uma ditadura para instaurar outra em seu lugar. “Ditadura que a presidenta e sua corriola teimam por fazer crer ser “do bem”, assim como a de Cuba e da China, das quais são fãs de carteirinha, asseclas e parceiros”, diz.

E então, ficou instigado? Quer ler para ontem? Participe do sorteio Assine a Newsletter do Voltemos à Direita e concorra ao livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca.  É cultura em alta voltagem!

Obs: Leia atentamente as regras do sorteio.

Por Jakson Miranda

Jonathan Tropper e Nick Hornby: Literatura para o homem real

Se você é leitor(a) de ficção, sabe: há um déficit importante no cardápio literário: livros que abordam o universo masculino.

Sim, sei que há livros policiais e de ação aos montes. Livros com muitos tiros, mortes, violência, assim como aqueles especializados em inflamar a libido.

Há, no entanto, poucos livros que abordam o universo masculino real. O cotidiano, os gostos, a vivência, as incompreensões e as loucuras desses serezinhos tão múltiplos e, ao mesmo tempo, quase sempre, previsíveis.

Vivemos uma fase de segmentação na literatura. No Brasil essa praga é ainda pior. Se observar os lançamentos literários e os premiados em concursos verá que são sempre livros militantes. Há livrarias que já possuem subcategorias bizarras para a catalogação, coisas como literatura LGBT, feminista e da negritude…

É a morte da cultura. O momento em que a arte preferiu militar a sensibilizar.

Por essas e outras que quase não leio literatura nacional. No exterior, também há segmentação e também há progressismo chato e politicamente correto escorrendo das páginas, mas selecionando bem é possível se encontrar coisa boa.

Leio muito, já expliquei  num artigo aqui o porquê, e poucas vezes me deparei com livros críveis sobre o universo masculino. Já vi mulheres reclamando de serem retratadas de forma superficial ou estereotipada na literatura e não duvido que isso aconteça, entretanto, como há um mercado muito forte de livros voltados ao público feminino, creio haver uma possibilidade maior de algo bom também lhes chegar às mãos.

No caso masculino há pouca dedicação. Talvez seja medo de receber o emblema de “machista” por escrever sobre coisas que os homens pensam, talvez seja falta de interesse do público mesmo, contudo, confesso, percebo esta lacuna e exulto quando encontro algum bom livro que possua estes predicados.

O melhor livro que agrega estas condições é o Alta Fidelidade de Nick Hornby. Costumo dizer que é o livro que todo homem deveria ler. Foi o primeiro livro de Hornby que li, um daqueles livros que de vez em quando aparecem na vida de leitores compulsivos, que ao terminar a última página, sua vontade é voltar ao começo e ler tudo de novo.

Mesmo sendo um livro curto, duzentas e poucas páginas, aborda principalmente as paranoias da vida masculina, naquele estilo em que suas conquistas e desilusões podem ser musicadas com a trilha sonora daquilo que você ouvia naquele momento, ou os filmes que via, ou os lugares que frequentava.

É o livro do homem burro, que não entende porque fez determinadas coisas, mas mesmo assim, continua repetindo os mesmos erros. É o livro de todo homem, porque todo homem é meio burro.

Alguns são tão burros, mas não burros, que não conseguem perceber que o são.

O problema de Nick Hornby é que os outros livros não acompanham a genialidade de Alta Fidelidade. Talvez pelo medo de ficar marcado, tentou surfar em outras ondas e não conseguiu o mesmo nível. A obra que mais se aproxima desta qualidade é outro livro com viés masculino, Febre de Bola, que faz associações com o futebol.

Afinal, como Hornby sabe, homem que é homem tem que parar o que estiver fazendo para ver outros vinte e dois homens correndo atrás de uma bola. É um rito inerente à masculinidade.

Homem que é homem tem que torcer para um time.

Hornby, no entanto, não consegue ser mais do que esparso neste gênero carente. Como ele há inúmeros outros que ciscam pelo setor, mas não se estabilizam. A maioria das pessoas não sabe, por exemplo, que o melhor livro de Mario Puzo não é O Poderoso Chefão, mas um livro pouco comentado ante a dimensão que o cinema deu aos Corleone, chamado Os Tolos Morrem Antes. Ali também há masculinidade para se tirar o chapéu. Puzo, no entanto, preferiu o nicho da máfia e, creio, escolheu bem, financeiramente falando.

Poderia listar outras obras isoladas dignas de aplausos, mas este artigo precisa acabar um dia, logo, concluirei com Jonathan Tropper, que é a inspiração para ele.

Acabei de ler Antes de partir desta para uma melhor e encontrei um novo Nick Hornby.

Não, não é melhor que Alta Fidelidade.

Mas a visão está ali. A linguagem. O entendimento testosterônico.

Fui pego de surpresa, até porque o livro tem cara de best-seller bobinho e eu estava naquela ressaca de terminar um livro magnífico e ter que começar outro. No caso, havia lido a obra prima de Dennis Lehane, Sobre Meninos e Lobos.

Ainda sob o impacto de seu final contristador, permeado pelas duras reflexões suscitadas, olhei aquela capinha toda colorida e pensei: “deve ser uma merda”, mas comecei.

E qual não foi minha surpresa.

É a história de Drew Silver, ex-baterista de uma banda de um sucesso só, divorciado e infeliz, que recebe a notícia de que possui uma enfermidade seríssima que o matará em poucos meses se não realizar uma cirurgia de risco. Drew, que não quer viver mais aquela droga de vida, decide que não fará a operação, e quer aproveitar para consertar algumas besteiras que fez… mas isto não o impedirá de fazer outras…

Sinopses nunca fazem jus, porque o que dá qualidade a um livro é a condução narrativa. Qualquer enredo ruim funciona nas mãos certas, e se você quer um livro que fale um pouco sobre como é ser homem neste mundo doido de hoje em dia, as mãos de Tropper são as certas.

Ainda bem.

Estamos precisando.

Por Renan Alves da Cruz

Rodrigo Constantino mostra coragem e detona a IstoÉ

Sem meias palavras, a verdade é que vivemos uma crise de legitimidade na imprensa brasileira.

Salvas as distintas e cada vez mais raras exceções, é impossível se informar de maneira segura através dos veículos tradicionais de mídia.

Falei de uma crise na imprensa brasileira, mas sabemos que o mal transcende nossas fronteiras, ademais, prefiro me firmar numa realidade mais conhecida. Nosso cenário é desolador. Nos EUA, por exemplo, há ainda uma Fox News para contrabalançar as ideias.

Por aqui, pobres de nós. A não ser por veículos independentes, tudo é como a CNN, ou pior.

Vemos provas diárias disso. O progressismo nas redações é doentio. Se tornou uma regra, uma imposição. Parece intransponível.

Mas a despeito de estarmos acostumados, a cobertura da campanha eleitoral americana, da transição política e do começo do Governo Trump foi de estarrecer.

Nenhum veículo da imprensa mainstream se salvou, mas, creio que se tivesse que resumir a desonestidade intelectual a uma lista tríplice, para a formação de um pódio vencedor, concederia os louros ao grupo Globo, à Veja e à IstoÉ.

Já escrevi sobre a desinformação produzida pela mídia quando a eleição de Trump se confirmou, no entanto, percebemos agora que a “torcida informativa” pró Hillary não se fez de rogada quando as urnas foram abertas.

Trump, eles decidiram, é um novo Hitler. IstoÉ e O Globo fizeram alusões descaradas em suas capas. São paspalhos históricos e cretinos da pior espécie, que não medem o alcance de uma irresponsabilidade dessas, bem como o desrespeito às milhões de vítimas do nazismo e das barbáries que Hitler perpetrou.

Mas para eles nada disso conta. O que vale é desqualificar o candidato que não é progressista e que não afaga minorias barulhentas: o agora presidente, que não assente bovinamente às exigências infindas dos mimizentos.

Donald Trump pode não ser o maior estadista do mundo. Mas seu discurso foi firme e admirável. Falou sobre e para o seu país, para aqueles que o elegeram.

E aí vem o imbecil do jornalista brasileiro dizer que o discurso foi nacionalista!

Eles queriam o quê, que o presidente eleito dos EUA discursasse falando em nome dos interesses da Zâmbia?

Fica de positivo os que estão firmando posição e demonstrando solidez de princípios e caráter. É o caso de Rodrigo Constantino, que mesmo sendo colunista da IstoÉ, não a poupou num importante artigo de desabafo publicado em seu blog.

Rodrigo vaticinou:

Não dá mais para suportar! É preciso declarar guerra a essa imprensa brasileira mesmo, em nome da verdade, da honestidade intelectual, das liberdades individuais, dos valores tradicionais. O que os principais veículos de comunicação têm feito em relação ao presidente Donald Trump é asqueroso demais. A tal era da “pós-verdade” é marcada pela própria “fake news”, por esses veículos que acusam os outros diante de um espelho, como ensinou o titio Lenin.

Estou em campanha para desmascarar essa gente, pois não consigo mais aguentar calado. E isso inclui, infelizmente, veículos em que já colaborei ou ainda colaboro. Não importa. Se quiserem me tirar, que tirem: minha consciência vale mais. Portanto, vamos lá, mostrar aos brasileiros que tipo de imprensa eles têm, e porque é fundamental que não busquem se informar por ela (ou apenas por ela). Isso aqui, por exemplo, é uma capa vergonhosa:

Resultado de imagem para isto é capa trump

No artigo completo, que pode ser lido AQUI, Constantino elenca casos vergonhosos de desserviço prestado por estes veículos que se pretendem tão importantes e relevantes.

A verdade é que, cada vez mais, seus “especialistas” e “analistas políticos” mostram uma visão ideologizada e nublada dos fatos, arrotando uma capacidade poliglótica de leitura política, quando, na verdade, replicam discursos vazios e fazem torcida analítica, ou qualquer coisa que o valha.

Não jornalismo sincero e responsável.

Que bom que, mesmo em meio aos escombros, surjam figuras corajosas e independentes como Rodrigo Constantino.

Aproveito para fazer coro a uma pergunta que ele tem feito recorrentemente:

Onde está a Fox News brasileira?

Por Renan Alves da Cruz 

A fé cristã vai além da razão, nunca contra ela

A generalização mais mesquinha do mundo pós-contemporâneo, provavelmente, é aquela que coloca fé e razão em frentes opostas, como se inconciliáveis. Como nada é por acaso, carrega consigo um pesado discurso, que, basicamente, pode se resumir a: se você tem fé é porque abriu mão da racionalidade.

É um raciocínio relapso sob todos os aspectos. Não se sustenta histórica nem filosoficamente. Acaba por ser, portanto, uma muleta fajuta para que pessoas de autoestima fraquejante possam louvar-se a si mesmas por estarem na pretensa parcela superior, iluminados pelo farol sapiente da descrença.

Há racionalidade na fé e na transcendência, ela apenas ultrapassa a fronteira limítrofe que alguns se impuseram.

A síntese disso é a frase de Paul Little, que intitula este artigo.

“A fé cristã vai além da razão, nunca contra ela”.

Ruminei tais pensamentos ao fazer a leitura do livro “Anjos e demônios”, de Dan Brown. Nunca havia lido nem assistido filme algum baseado em suas obras. O sucesso da década passada, que o colocou dentre os escritores que mais faturaram na história, o precedeu, e, por óbvio, já sabia basicamente do que sua obra se tratava.

Porém, como tenho preconceito contra livros que todo mundo está lendo, esperei dez anos para que chegasse sua vez em minha fila de leitura, para tirar minhas próprias conclusões.

Ainda não li “O código da Vinci”, mas em breve o farei, ampliando assim minha visão sobre o autor e, principalmente, sobre a tessitura de seu trabalho.

Esteticamente, não possui nenhum talento a ser superlativado. A escrita é fluida e o interesse pela narrativa se mantém. Usa o método “Sidney Sheldoniano” de criar mini-clímax ao final de cada capítulo, aguçando ao leitor a seguir para o próximo.

Tal qualidade é essencial para um escritor de best-sellers. O leitor tem que ficar no cio, desesperado pelo capítulo seguinte e pela recorrência do que acabou de ler. Dan Brown o faz muito bem. A história também, enquanto thriller, é coesa, bem amarrada e possui um final surpreendente.

Enquanto ficção, boa leitura.

O problema é que Dan Brown transcendeu este papel. Numa Era tão idiotizada, qualquer um se torna portador de verdades universais, e isto ocorreu com este ficcionista. Em terra de cego quem tem um olho é rei, porém, em terra de rei, quem tem dois olhos enxerga…

Dan Brown não tem traquejo para desvelador de segredos. Sua defesa ideológica exige escoras que a História, por exemplo, não lhe fornece.

O autor sustenta sua obra sob o pilar supracitado: a divergência entre ciência e religião. Age como se a religião organizada tramasse contra o progresso, não discernindo a verdade cabal de que a sociedade ocidental está fundamentada sobre a viga-mestra do cristianismo. Dan Brown transparece que a ciência evolui apesar da herança judaico-cristã ocidental, o que, sob qualquer prisma que se analise, é um acinte.

Transcrevo um dos trechos mais importantes, onde o livro chega perto de fornecer uma relevante reflexão.

Notem o discurso de um personagem religioso:

A velha guerra entre a ciência e a religião está encerrada. Você venceram (…) A religião não tem capacidade para acompanhar isto. O crescimento científico é exponencial. Alimenta-se de si mesmo como um vírus. Cada novo avanço abre espaço para novos avanços. A humanidade levou milhares de anos para evoluir da roda para o carro. E apenas décadas do carro para o espaço (…) O abismo entre nós se aprofunda sem parar e, à medida que a religião vai ficando para trás, às pessoas se veem num vazio espiritual, implorando pelo sentido das coisas.

(…)

A ciência, dizem vocês, vai nos salvar. A ciência, digo eu, nos destruiu. Desde o tempo de Galileu e Igreja vem tentando diminuir o ritmo da marcha implacável da ciência, às vezes por meios equivocados, mas sempre com intenções benéficas.

(…)

À ciência, quero dizer o seguinte: a Igreja está cansada. Estamos exaustos de tanto tentar ser uma diretriz para o mundo. Nossos recursos estão esgotados por sermos a voz do equilíbrio enquanto vocês se atiram de cabeça em sua busca por chips menores e lucros maiores.

Pincei alguns excertos, mas o discurso – o ponto alto do livro – se estende por três páginas.

Ao opor fé e ciência, Dan Brown desfoca o que poderia ser uma apropriada reflexão sobre os flexíveis e abstratos valores contemporâneos, sobre a efemeridade alimentada por um sistema de consumo estruturado através de obsolescência programada.

Prefere inimizar fé e razão, religião e ciência, como dois antagonistas medievos, ainda por cima mencionando o velho trunfo de sempre: Galileu Galilei.

O homem que na verdade prova que a Igreja apoiava a ciência se tornou a evidência mais usada hoje dia para explicar o contrário…

Galileu Galilei, na verdade, foi denunciado à Inquisição por outros cientistas que o consideravam um charlatão…

Foi, inclusive, pedir auxílio e foi defendido por jesuítas…

Mas essa história fica para outro artigo.

Fé e razão são perfeitamente conciliáveis. Sou cristão e sou racional. Tão racional que não consigo cegar-me ao fato de que a perfeição da vida em todas as suas minúcias não poderia brotar sem uma Inteligência Máxima geradora.

A diferença é que a racionalidade de quem tem fé em Deus, se alarga para a dimensão que Ele alcança, entrando no campo metafísico.

Sendo Ele infinito, a fronteira racional de quem O teme se amplifica.

Vai além da razão, nunca contra ela.

Dan Brown é literatura de entretenimento. Não há problema algum em ler, desde que você não seja o tipo que confunde fatos reais com fantasia.

É mera e boba ficção.

Por Renan Alves da Cruz

 

Publicado no portal Gospel Prime

A especialidade da casa: uma iguaria literária

Qual a especialidade da casa? Vamos lá! Desde jovem, sempre tive um carinho muito grande por contos. Não tenho ideia de quantos deles li ao longo do tempo, mas creio que mais de meio milhar.

A maior qualidade de um conto é sua intensidade. Ler um conto “de uma sentada só” é muito mais adrenalizante do que um romance de 500 páginas. Também adoro romances, mas são formas e qualidades distintas.

O conto se apega e desapega rápido.

O conto se intensifica e depois se evanesce.

Gosto muito de um formato de coletâneas, em que os contos são de autores diferentes. Prefiro as diversificadas pinceladas dos artistas do que a experiência quando proferida pela mesma voz. Mesmo um contista notável como Jorge Luis Borges, no lado cult, e um prolífico ao extremo como Edward D. Hoch, no lado pop, são melhores quando embolados no meio de outros.

Esta semana peguei uma coletânea temática e, para minha surpresa, a abertura do livro cabia ao excelente conto “A Especialidade da Casa”, de Stanley Ellin.

Já topei com ele em outras quatro ou cinco coletâneas, o que não é comum, de maneira que, creio que ele seja, com merecimento, um conto premiado e reconhecido.

Todas as vezes que topo com ele o leio, e, como uma iguaria digna do restaurante Sbirro’s o saboreio de novo, provando sabores que antes havia passado despercebidos à minha degustação.

O Sbirro´s é um restaurante pequeno frequentado apenas por homens. Se uma mulher entrar, ficará sentada por horas e não será atendida e os garçons ignorarão seus chamados. (Não pirem, feministas, se um dia lerem o conto, entenderão o motivo). Os frequentadores são sempre os mesmos, e há raras alterações no funcionamento.

Lá não há cardápio. Todos comem a mesma coisa, e comem o que o chef preparar aquele dia. Não há como recusar ou mudar de prato. Ninguém tenta. Nem precisa. Tudo o que é servido no Sbirro’s é estupendo, a ponto de não haver sal, pimenta ou qualquer condimento acessível ao público.

A comida é sempre digerida exatamente como sai da cozinha.

Além de não haver menu, não há qualquer indicação prévia ou calendário do que será servido a cada dia. É uma surpresa imprevisível até o prato chegar à mesa.

Há, no entanto, uma esperança comum a todos: a especialidade da casa.

Nunca se sabe quando será servido, mas, é consenso entre todos os frequentadores habituais que é o grande prato do Sbirro’s, seu equivalente gastronômico à Capela Sistina.

E voltam dia após dia na esperança de que seja aquele o dia do prato especial.

A especialidade da casa é um cordeiro… mas como tudo no Sbirro’s é especial, formidável.

Indescritível.

A cozinha do Sbirro’s recebe uma aura de santuário, o chef, a de papa.

Não por acaso, a especialidade da casa é um componente, digamos, com grande importância simbólica na religião…

Stanley Ellin conseguiu produzir uma pequena obra prima. Nada fica pendente. A sutileza da condução é sublime. Creio que muitos que leram esta pérola não conseguiram extrair dela tudo o que simboliza e representa.

Muitos sequer conseguiram entender sua literalidade.

Daqui há algum tempo, como acontece com frequência, toparei com este conto de novo. O lerei, salivando de alegria, como se fosse uma dos fiéis clientes do Sbirro’s.

E, certamente, perceberei algo novo.

Se você, meu amigo e leitor, encontrá-lo por aí, lhe dê um tostão de seu tempo precioso.

Mas cuidado.

Aprecie com moderação.

Por Renan Alves da Cruz

Como melhorar a educação brasileira III: Meritocracia

Este artigo faz parte da série “como melhorar a educação brasileira”

Os trechos que o antecedem podem ser acessados AQUI e AQUI

No artigo anterior começamos a trabalhar a ideia de que, ao contrário do que muitos pensam, não precisamos de inovações mirabolantes no que tange à educação. Pelo contrário, precisamos retomar valores importantes, que foram descartados pela pedagogia progressista e que podem fazer a diferença na qualidade educacional.

Falamos enfaticamente no artigo anterior sobre a necessidade de recolocar o professor como autoridade dentro da sala de aula, investido de suporte para imprimir ordem e respeito dentro do ambiente escolar.

Hoje, abordaremos outra medida necessária, que não é nenhuma inovação, mas sim uma retomada:

A meritocracia dentro da sala de aula.

Meritocracia, em síntese, é o reconhecimento da produção de cada um, com concessão de méritos equivalentes aos resultados apresentados.

Hoje o que temos é o inverso. O bom aluno não é premiado pelo seu desempenho, e vê que aqueles que não apresentaram bons resultados, ou pior do que isso, não se esforçaram para demonstrar resultado algum, são colocados no mesmo patamar dele.

O que desestimula os bons a manterem o mesmo nível de esforço.

A tara da esquerda por igualdade falsa e desmesurada esfacelou o mérito dentro do ambiente escolar brasileiro, e o resultado deste esquartejamento é visto todo dia em nossas escolas.

Quando falo em “tara por igualdade falsa e desmesurada” estou questionando a falácia esquerdista, que teima em advogar a igualdade de tratamento para quem apresenta resultados diferentes, enquanto despreza o mais leal e legítimo sentido de igualdade, que é a cessão de iguais condições para que os sujeitos produzam.

A escola vicia o aluno mais pobre a crer que sua pobreza serve de muleta para, mesmo estudando na mesma escola, com o mesmo professor e mesmos livros (cedidos pelo MEC), mesma merenda e mesma carga horária, apresentar resultados inferiores aos dos outros alunos.

Este vitimismo trava as potenciais ascensões. O aluno pobre aprende dentro da própria escola que sua condição justifica maus resultados.

Minha maior indignação enquanto professor de escola pública era o fato de não haver diferença entre dar 10, 7 ou 0 para um aluno.

Perceber que o aluno que, no primeiro ano do Ensino Fundamental II, se esforçava o ano inteiro para tirar boas notas, mudava a postura no ano seguinte, quando percebia que não tivera benefício algum em relação aos que nada haviam feito.

Bem como, os maus alunos, percebendo que nada lhes fora cobrado a mais do que os que tiraram dez o ano todo, davam de ombros e pioravam ainda mais seu rendimento, cientes de que, neste ciclo impune, não fazer nada valia mais a pena.

Some isto ao que tratamos no antigo anterior, o professor alijado de autoridade, e o que temos?

Alunos que, volitivamente, optam por não aprender e não respeitar o professor. Temos então a receita perfeita não apenas para a fragilidade do aprendizado, refletida em todos os índices internacionais, como também o boom de casos de desrespeito, agressão verbal e até física aos professores.

Como então trazer de volta a meritocracia à sala de aula?

Responderemos esta questão no próximo artigo desta série.

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Por Renan Alves da Cruz

Ganhe o livro “Não é a mamãe: para entender a Era Dilma”.

Vamos falar de livro! Trata-se de um livro básico para começarmos a discutir o desserviço prestado por Dilma Rousseff.

Dilma não é mais presidente do Brasil. Ufa! Logo, fará parte de um passado que ninguém terá prazer em lembrar. Tchau, querida. Até nunca mais!

Com o PT, a política nacional chegou ao cumulo do ridículo, do grotesco, do crônico, trágico e cômico.

Muito já se sabe sobre Dilma Rousseff. Ex-terrorista. Sócia e responsável pela contabilidade de uma loja de R$1,99, levou o empreendimento à falência. Tempos depois, pelo petismo, é oferecida ao eleitorado como a gerentona.

Devemos estudar com afinco tudo isso. Como Dilma chegou ao poder e quais foram as marcas do seu governo? Uma dica de leitura? O livro de Guilherme Fiuza, “Não é a mamãe – para entender a Era Dilma”, é uma boa pedida.

mamãe

Em reportagem do O Globo há o seguinte:

O título, explica Fiuza, sintetiza a sua maior crítica ao governo atual: tentar parecer o que não é. Na sua opinião, trata-se de um projeto que busca se perpetuar no poder para viver, junto com seus aliados, das benesses do Estado, ao mesmo tempo em que se afirma defensor das pessoas que estariam sendo massacradas “por uma suposta elite de direita”.

— Eles têm esse discurso que considero hipócrita e mentiroso e a “mamãe” foi uma dessas tentativas de vender um símbolo que não traduz a substância — critica o jornalista. — O livro coloca o quadro completo, fica clara a continuação das tramas, dos personagens. Fica mais fácil de compreender o enredo. Porque boa parte da opinião pública brasileira ainda acha que a Dilma é uma boa gerente, que o problema dela é ser autoritária, intolerante. Isso é falso. Na biografia dela, você não encontra a boa gerente. Vários problemas do seu governo surgiram de projetos que ela já coordenava antes.

A obra é organizada em cinco partes: “Dilma é a mãe (2010)”, “A faxineira (2011)”, “A babá de Rosemary (2012)”, “A plebiscitária (2013)” e “Mamãe voltou (2014)”. Fiuza chama a faxina feita pela presidente no seu primeiro ano de mandato de “maior mal-entendido da história contemporânea”, já que o Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) era um dos órgãos responsáveis por tocar os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Encerramos

De 2014 até o impeachment, a coisa só se agravou.

Quer ter em mãos o ótimo livro de Fiuza? Não lhe custará nada! Basta subscrever nossa Newsletter e participar de mais um sorteio do Voltemos à Direita para concorrer a um exemplar do “Não é a mamãe: para entender a Era Dilma”.

Observe atentamente as regras do sorteio. Divulgue-as a seus amigos.

Por Jakson Miranda

 

Ayn Rand e A Revolta de Atlas I

Segue abaixo o filme A Revolta de Atlas I. É o livro da escritora Ayn Rand levado para a telona.

Gostou? Saiba que o livro é infinitamente melhor. Com analises muito mais aprofundadas sobre os temas abordados no filme.

Você ainda não possui o livro? Que tal ganhar o Box contendo os volumes 1,2 e 3?! Basta inscrever-se em nosso sorteio e seguir todas as recomendações para participar e concorrer a essa importante obra.

Ah, corra! O sorteio será hoje!!

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Por Jakson Miranda

O jogo do Anjo

A literatura está tomada de metáforas sobre o ato da escrita. Escritores dos mais diversos, artífices experimentados no uso das palavras, prestaram a elas homenagens e salamaleques em profusão.

Carlos Ruiz Zafón deu seu importante contributo numa série de, até então 3 livros, que tem como pano de fundo o “Cemitério dos Livros Esquecidos”, onde leitores especiais encontram livros que foram esquecidos, e que precisam de um novo leitor para reviverem artisticamente.

O mais incensado destes livros é o excelente À Sombra do Vento. O último é o Prisioneiro do Céu.

Mas o meu preferido é mesmo, sem dúvida, o do meio: O Jogo do Anjo.

Li duas vezes cada um destes livros nos últimos três anos. Gosto de reler livros. Sou um daqueles que crê que o entendimento de uma obra vem efetivamente a partir da releitura, contudo, não costumo reler num intervalo de tempo tão curto.

A trilogia de Zafón me marcou de tal forma que considerei valer a pena romper com um velho hábito.

O autor rompe com a velha máxima de que os segundos livros/filmes são sempre os piores de uma trilogia. Em “O Jogo do Anjo”, Carlos Ruiz Zafón produziu uma obra que, embora na mesma ambientação e apresentando ligação entre personagens, pode ser lida independentemente da leitura do primeiro livro, À Sombra do Vento.

David Martin é um escritor decadente, que viu sua promissora carreira ruir antes mesmo de decolar. Desolado na vida profissional e sofrendo uma desilusão amorosa, Martin chega ao fundo do poço quando até mesmo a saúde física o abandona.

Neste ponto aparece Andreas Corelli, um misterioso editor estrangeiro que oferece a Martin o que este sempre esperou: muito dinheiro para escrever um livro e, como que por milagre, o restabelecimento de sua saúde.

Com o trabalho pago, Martin tem agora que fazer sua parte. Escrever um livro.

Livro que Corelli quer que seja, nada mais nada menos, que os fundamentos e a doutrina de uma nova religião.

Só então David Martin entenderá a dimensão do pacto que realizou e entenderá que sua vida e a das pessoas ao seu redor nunca mais será a mesma.

O brilhantismo de Zafón se evidencia na obra a todo momento. Sua Barcelona parece palpável e é possível sentir a todo momento sua imponência austera como moldura. Os anos 20 da Europa nos atingem “como o hálito de uma maldição”.

David Martin como espelho de escritores desconhecidos ou subvalorizados funciona como uma ode a arte enquanto necessidade. O velho “não escrevo porque posso, escrevo porque preciso” calça como um sapato feito sob medida no herói da história.

Afinal, A literatura está tomada de metáforas sobre o ato da escrita. Escritores dos mais diversos, artífices experimentados no uso das palavras, prestaram a elas homenagens e salamaleques em profusão… 

Carlos Ruiz Zafón oferece o seu contributo.

E o final, por motivos óbvios, não posso relatar. Mas, depois de algumas centenas de livros de ficção acumulados no correr dos anos, reputo como um dos mais eloquentes, surpreendentes e vigorosos da literatura contemporânea.

O final de “O Jogo do Anjo” permanece me assombrando. Não como peça de terror, mas pelo que define sobre o amor.

Possui, portanto, a maior qualidade que um livro pode ter:

Ser impossível de ser esquecido.

Por Renan Alves da Cruz 

Quem é Ayn Rand? Quem é John Galt?

Não concordo com tudo o que Rand escreveu. Longe disso. Não obstante, vejo Ayn Rand como uma das mais importantes pensadoras do século XX.

Incluo já no inicio, um vídeo em que ela fala sobre o feminismo.

Mas, quem foi Ayn Rand?

Quem foi John Galt?

Leiam esse artigo do Instituto Liberal

Em 1991, a biblioteca do Congresso americano fez uma pesquisa para saber qual o livro que havia exercido maior influência na vida das pessoas. O primeiro lugar coube à Bíblia. O segundo, a Quem é John Galt?, da escritora Ayn Rand. Desde quando foi lançado nos Estados Unidos, em 1957, este livro vendeu mais de 6 milhões de exemplares.

As obras de ficção e de não-ficção de Ayn Rand já venderam mais de 20 milhões de exemplares. Seu primeiro romance, We the living, (sem tradução para o português), foi publicado em 1936.

Ayn Rand nasceu em São Petersburgo, Rússia, em 2 de fevereiro de 1905. Testemunhou, portanto, já adolescente, a Revolução Russa. Ela sofreu duplamente com esse acontecimento. Primeiro, como toda família de classe média, do ponto de vista material. Segundo, porque desde muito cedo ela revelou grande interesse intelectual e a falta de liberdade que se instalou na Rússia soviética tornou a vida insuportável. Assim, em 1926, Ayn Rand consegue imigrar para os Estados Unidos onde, inicialmente, fixou residência na casa de parentes em Chicago. Após alguns meses mudou-se para Los Angeles onde viveu quase duas décadas produzindo roteiros para filmes e escrevendo os romances Anthem (1938) e The Fountainhead (1943), traduzido para o português sob o título A nascente.

É curioso notar que os dois primeiros romances de Ayn Rand foram levados para as telas. We the living teve uma produção pirata na Itália fascista sem o conhecimento de Ayn Rand. Quando as autoridades italianas compreenderam a mensagem ideológica favorável à liberdade individual, o filme foi proibido na Itália e só depois da guerra se soube da produção. O segundo romance foi produzido em Hollywood e dirigido por King Vidor, tendo Gary Cooper no papel principal. Eles podem ser vistos na biblioteca do IL.

A principal obra de Ayn Rand é, indiscutivelmente, Quem é John Galt? Trata-se de um “romance de tese” que já foi considerado por alguns críticos como o “Guerra e Paz” do capitalismo. A ação do romance transcorre num futuro indefinido nos Estados Unidos, quando as forças políticas “de esquerda” (socialistas ou sociais-democratas) já estão no poder. O país entrou em decadência e a economia caminha para o colapso. Esta obra se revela de enorme atualidade e interesse para o Brasil no início do século XXI. As políticas públicas adotadas na ficção de Ayn Rand são, em grande parte, iguais às em vigor no Brasil de hoje. Os slogans e chavões são os mesmos. Até os principais políticos da ficção têm as mesmas linhas de raciocínio e sofrem os mesmos defeitos de caráter dos políticos brasileiros da atualidade. John Galt é o principal personagem do livro. Ele conduz uma misteriosa greve dos homens “que pensam”. Algumas das falas do livro tornaram-se clássicos em defesa do capitalismo, com o “discurso do dinheiro”.

Quando nos anos 50 Ayn Rand mudou-se para Nova Iorque, ela acabou congregando em torno de si um grupo de jovens extremamente talentosos que se dedicaram a estudar seu pensamento. Entre eles, destacaram-se Alan Greenspan (ex-presidente do Banco Central norte-americano) e Nathaniel Branden, que se tornou um destacado psicólogo e autor de inúmeras obras sobre auto-estima. Eles chegaram a publicar juntos obras contendo seus ensaios, como Capitalism, the unknown ideal e A virtude do egoísmo – A verdadeira ética do homem: o egoísmo racional. Nesta obra, Ayn Rand trata de importantes questões como a ética em um mundo tomado pela irracionalidade, os direitos do homem e a natureza do governo ‘Um governo é o meio de colocar o uso retaliatório da força física sob controle objetivo – isto é, sob leis objetivamente definidas. … As funções adequadas de um governo recaem sobre três largas categorias, todas elas envolvendo os problemas da força física e a proteção aos direitos dos homens: a polícia, para proteger os homens dos criminosos – as forças armadas, para proteger os homens dos invasores estrangeiros – os tribunais, para decidir disputas entre homens, de acordo com leis objetivas.’

Também pertenceu ao grupo dos jovens talentosos Leonard Peikoff, que se tornou herdeiro de Ayn Rand e hoje é o responsável pela difusão de suas idéias através do Ayn Rand Institute.

Ayn Rand morreu em Nova Iorque, em 1982. Várias de suas obras ainda são best sellers e todas elas continuam disponíveis, mesmo decorridos mais de 20 anos de sua morte, um feito raro no mercado editorial.

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