Jô Soares e Dilma Rousseff: o anarquista adulador do governo

Poucas vezes assisti ao programa do Jô e dessas poucas vezes, consegui tirar a seguinte conclusão: Jô Soares consegue ser extremamente deselegante com alguns entrevistados e extremamente adulador com outros. Enxergo nesse um dos motivos do programa não ter meu ibope.

Há poucos dias, o programa apresentou uma entrevista com a presidente Dilma Rousseff. Como de regra, não assisti, mas pela repercussão, tirei a sorte grande: Não perdi meu sono e não fiquei irritado com tanta puxação de saco. Ademais, Jô Soares conseguiu o que queria. Aumentou um pouco o ibope do seu programa e trouxe para si um pouco mais de notoriedade com direito a entrevista no jornal Folha de São Paulo.

A entrevista dada a Folha, tudo indica, seguiu o script da concedida por Dilma ao programa da Rede Globo. O entrevistador levanta a bola e o entrevistado só tem o trabalho de passá-la para o outro lado da quadra, claro, sem bloqueio. Mas não vou me prender a essa entrevista, dela, tiro apenas a última resposta dada por Jô Soares. Leiam:

Antes de entrevistar a presidente, falava-se nas redes sociais numa guinada à esquerda sua.
Eu acho graça. Tudo depende de quem estou entrevistando. Repito: se entrevisto um tucano, sou petista. Se entrevisto um petista, sou tucano. É o mesmo equilíbrio que a Folha tem.

O artista não pode ter uma posição política no sentido intelectual. Tem que ser anarquista. Intelectualmente, eu sou anarquista.

Voltamos:

Não sou simpático ao anarquismo, mas acredito que tanto anarquistas como conservadores têm ao menos um ponto em comum, que é o de reconhecer que quanto maior o Estado, pior para a sociedade. Enquanto anarquistas defendem o fim de todo expressão do Estado, os conservadores defendem a existência de um Estado mínimo. Jô Soares é um espécime raro entre os anarquistas, pois é o único que defende um governo que a cada ano incha um pouco mais o Estado brasileiro.

Ah, Jô Soares não é um anarquista político, mas, como ele próprio se definiu, um anarquista intelectual. Nesse caso, não sei o que é pior, se a ausência de uma orientação política ou se a ausência da mínima ordem em suas idéias. Por via das dúvidas, fico com uma terceira opção: Jô Soares não pratica nenhum tipo de anarquismo. Jô Soares pratica mesmo é a vigarice intelectual que nada mais é do que a forma mais ridícula de adular um governo.

Finalizo o texto lembrando que Jô como artista, faz parte de uma geração que com raríssimas exceções, se notabilizaram por seu viés esquerdista, encontrando no petismo uma boa guarida para seus devaneios políticos. Tanto partido, quanto classe artística se complementam: De um lado a pobreza ética, do outro, a mediocridade intelectual. Tal ligação, não poderia resultar em nada diferente do que temos hoje: Corruptos no poder e uma geração de jovens que preferem apreciar bundas siliconadas a ler um bom livro.

Por Jakson Miranda

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