Viagem a 2030: Ideologia de Gênero no Brasil

Apelando para a nostalgia do público, a fábrica de brinquedos Pandora aproveitou o 12 de outubro de 2030 para lançar uma nova linha retrô. A empresa deu nova roupagem a brinquedos comuns do começo do século, tentando seduzir os adultos que eram crianças naquela época.

O lançamento, no entanto, veio acompanhado de uma controvérsia. Alguns dos brinquedos foram acusados de sexismo, por reforçarem estereótipos de gênero já superados.

A líder do Partido Feminista fez um discurso contundente no palanque do Senado:

“A empresa Pandora, com o lançamento de tais brinquedos, mesmo que não intencionalmente, emprestou-se ao reacionarismo e às vozes que ainda incitam desigualdades. Fazer campanha de brinquedos que estigmatizam pessoas que nasceram com identidade biológica de homem ou mulher a, obrigatoriamente, assumir a mesma identidade de gênero, é uma ação desastrada e inconsequente, que remonta, sem sombra de dúvida, ao fascismo.”

Após protesto virtual que chegou ao topo de assuntos mencionados no ranking da Rede Social Seeyou no mundo inteiro, protesto em frente a sua fábrica e campanha de boicote à marca, a Pandora emitiu o seguinte comunicado público.

“Informamos o recolhimento imediato de todo o material lançado na campanha ‘Linha Retrô Pandora – Porque a infância tem de ser revivida’ das lojas e distribuidores,  bem como o cancelamento da produção de produtos da linha.

Em momento algum a Pandora planejou que seu lançamento desrespeitasse seus milhões de consumidores e fortalecesse discriminações. Temos indizível consideração por todos os homossexuais, transexuais, bissexuais, pansexuais, transgêneros, travestis, trans-homens, trans-mulheres, cross genders e transicionais;  e não temos dúvida de que a identidade biológica de uma criança não exerce qualquer influência sobre a identidade de gênero, e que a ninguém pode ser imposto que seja ‘homem ou mulher’.

A Pandora reforça ainda seu comprometimento com todos aqueles que lutam por uma sociedade equânime, livre, em que a premissa essencial seja a de cada um viver conforme deseja, fazendo aquilo que quiser com seu corpo, mente e alma.

Aproveitamos o ensejo para informar que, em comemoração ao aniversário de dez anos do lançamento de nossas colecões Papai & Papai e Mamãe & Mamãe, lançaremos uma nova linha homoafetiva chamada Livres para Voar.

Nosso braço editorial permanece trabalhando junto ao Ministério da Educação na produção e distribuição da cartilha ‘Eu posso ser o que quiser’, que todas as crianças do ensino público brasileiro recebem gratuitamente a partir dos sete anos de idade.

Há mais de uma década a Pandora produz brinquedos em cores neutras, em franco combate à noção machista de que existam brinquedos/cores de menino e brinquedos/cores de menina. Atitude esta sempre rememorada como um marco do empoderamento e da luta por uma sociedades despida de diferenças. 

Relembramos, portanto, nosso histórico a favor da causa igualitária e reforçamos nosso pedido de desculpas, atestando a todos que em nenhum momento intentamos fomentar preconceitos e divisões.”

Após o pedido de desculpas da empresa, a Ministra da Educação comentou o caso:

“Tudo não passou de um desentendimento momentâneo. A retratação da empresa demostra grandeza e dignidade. O mais importante, porém, foi a percepção de que a sociedade amadureceu e não tolerará retrocessos. Os avanços conquistados nas discussões de gênero são irreversíveis”.

Este artigo se trata de uma ficção, produzida a partir da observação das diretrizes, exigências e conquistas dos movimentos progressistas no Brasil atual.

Por Renan Alves da Cruz

 

Publicado originalmente no portal Gospel Prime

Você pode ler AQUI o artigo sobre a questão do aborto em 2030 e AQUI o artigo sobre a homofobia.

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