Grégorio Duvivier: “Conservadorismo evangélico é um câncer”

A Folha de São Paulo/Serafina publicou no último domingo, 26 de julho, entrevista, na qual Gregório Duvivier afirma com todas as letras que o conservadorismo evangélico é um câncer. E, para exemplificar, Duvivier bate numa das faces visíveis – mas não a única – do que é ser evangélico conservador no Brasil de 2015: o Deputado Eduardo Cunha.

Um parêntese: Duvivier usa o termo evangélico como adjetivo, porque ele sabe que existe a figura do evangélico progressista, um nome bonito para evangélico de esquerda. Normalmente, em Pindorama, tais evangélicos estão envolvidos em menor ou maior escala com a chamada missão integral, que é, em poucas palavras, o quadro de tons marxistas da teologia evangélica.

Desconfio que Duvivier acerta Cunha porque Cunha contraria interesses da esquerda petista. Mas não só dela. A descriminação da maconha e a prática livre do aborto – bandeiras sugeridas sutilmente por Duvivier na entrevista – também são defendidos, em tese, por liberais anarquistas, os anarcocapitalistas. Não é apenas marxista que balança algumas bandeiras contra as quais o “câncer” chamado conservadorismo evangélico se levanta.

Em seu tom característico rosa-bebê, com sua “poupança” branquinha à mostra, orgulhoso da leitura de “O Pequeno Príncipe”, Duvivier mostra bem o caráter da agenda política do “Porta dos Fundos”, embora ele tente afirmar o contrário disso. Para ele, é “libertador” uma mulher “falando putaria pesada prum cara”. Além disso, diz Duvivier, a piada do Porta tem sim “uma postura política”.

Decerto, o posicionamento político do Porta não é aquela que o evangélico conservador aprova. E, junto com este, muita gente, mesmo não sendo evangélica, faz coro com o câncer brasileiro que Duvivier diagnostica. Aliás, pesquisa recente mostrou que grande parcela da população brasileira, de alguma forma, sofre dessa metástase. Curioso, nesse caso, é aparecer a intrigante figura do artista anticristão “produzindo” cultura que muito cristão adquire, inclusive o pastor da missão integral Ed René Kivitz.

Avançando na conversa, Duvivier conta que se enamorou e se apaixonou por uma garota, Clarice. Por cerca de cinco anos, assistiu com ela a seriados, leu livros, percorreu o mundo, mas quando foi morar com a moça, que Serafina chama de casamento, ficou só um ano.

Deve ser por isso, também, que Duvivier considere o conservadorismo evangélico um câncer: casamento, para tal grupo, não é apenas morar junto, é mais que isso, é pacto indissolúvel diante de Deus e pelo qual se batalha até os últimos fios da cabeça – não é aliança que se desfaz por qualquer aborrecimento ou simples incompatibilidade de gênio.

Nesse ponto da entrevista, Duvivier chega aos picos do ridículo, talvez numa simplificação do pensamento do esquerdista Michel Foucault, ao dizer que os adolescentes criminosos são protagonistas da própria história e quem quer vê-los punidos não estaria enxergando a humanidade dos coitadinhos. Por isso Eduardo Cunha é câncer.

Cunha, para Duvivier, é nefasto também porque une “conservadorismo evangélico e interesses privados na Câmara”. E o petismo, Duvivier? Por que você não diz uma nota contra os interesses privados do petismo na Petrobrás? Isso não seria câncer?

Bem, como essas opiniões vêm de Gregório Duvivier, com sua cara de anjinho, entrevistado por Serafina, só me resta sentar, aliviado, por fazer parte daquilo que ele considera doença incurável e degenerativa e dizer, em paz: – sou evangélico conservador.

Devemos registrar que a entrevista dada por Duvivier à Folha, foi às bancas no mesmo que em que “coincidentemente” o colunista Ilimar Franco atacou de forma rasteira e mentirosa o Movimento Brasil Livre e demais grupos que organizam protestos contra o governo. Em sua coluna, Ilimar Franco associa tais movimentos ao nazismo, isto sem antes mencionar que são esses movimentos que dão visibilidade ao Dep. Federal Jair Bolsonaro. Captaram a sutiliza? Em última instância, para o colunista de O Globo, Jair Bolsonaro também é nazista.

De um lado, a folha usa Duvivier para atacar Cunha e os evangélicos. Do outro, um colunista do O Globo desfere agressividades contra os organizadores das manifestações democráticas.

É a nossa imprensa… sempre imparcial e comprometida com a verdade.

 

Pr. Marcos Paulo Fonseca da Costa

 

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