Globo, junto com você?

A Globo está comemorando 50 anos. Não há como negar que a emissora está presente na vida de milhões de brasileiros. Pais, filhos, netos… Cada geração pode mencionar sem pestanejar, algum momento proporcionado pela telinha.  Nessas cinco décadas, a emissora conseguiu plasmar na nossa cultura algumas “marcas”. Quem não conhece a musica de chamada para o plantão da emissora? Ou ainda, a musica de entrada do JN?

De fato, a Globo fez a alegria de muitos brasileiros e também esteve com estes nos momentos de comoção. Quem não esbravejou juntamente com Galvão Bueno o tetracampeonato da seleção? Quem não se sentiu tocado com as imagens do acidente que causou a  morte de Airton Senna? Ponto!

Nesse sentido, somos levados a ponderar o quanto que a televisão tem influência em nossas vidas. A verdade é que somos influenciados por aquilo ao qual dedicamos mais tempo: trabalho, família, igreja, musica, livros, teatro, revistas, internet, televisão, etc. Portanto, para milhões que têm como referência comportamental e único meio de informação apenas a televisão, ela exerce uma influência sem medidas. Nesse aspecto, a Globo soube catalisar para si, o baixo apreço pela leitura do brasileiro e se valendo de tecnologias cada vez mais avançadas, reinou soberana no mundo do entretenimento, inda permanecendo na liderança nesse setor.

Confesso ao leitor que muito raramente assisto a algum programa da emissora. Seus apresentadores e seus maneirismos sempre repetitivos, os clichês utilizados, a forma rasa como alguns conteúdos são abordados, causam-me enfado. Tal processo de percepção não foi imediato, mas foi se alinhando gradativamente com a visão de mundo que fui desenvolvendo, ou, uma substancial percepção daquilo que traz benefícios e malefícios a sociedade. Eis o busilis. À medida que fui me tornando mais e mais conservador (direitista) foi-se aumentando minha aversão ao conteúdo televisivo, quiçá, Rede Globo.

A Globo está comemorando 50 anos com o seguinte slogan: Globo, junto com você. Você, sim, você mesmo, leitor, leitora, quer mesmo continuar com a globo junto a si? Quer que seus filhos e netos assistam e comentem os BBB´s? Que tal o esquenta? O Faustão? Jô Soares? Ou ainda o fantástico, programa que vem ao ar nas noites de domingo e persistentemente, faz sua defesa “progressista” ao aborto, ao “casamento” gay, e a legalização da maconha? Que tal o beijo gay entre duas senhoras? Ou as traições e divórcios que pululam nas novelas?

Não. Não precisa ser cristão para rejeitar todas as pautas apresentadas nesses programas. Para rejeitá-las, é necessário apenas um mínimo de bom senso, apego a determinados valores e a pergunta: Isso resultará em uma sociedade melhor?

Logicamente que muitos dirão que os programas da Globo apenas retratam aquilo que ocorre no seio da sociedade e qualquer critica a tais programas, apenas impede a saudável aceitação de tais praticas, gerando assim, preconceitos e hipócritas. Quem segue esse raciocínio, esquece de ponderar que a televisão é sim, produto da sociedade, mas, também, é produtora e geradora de tendências.

Sim, a Globo é resultado de uma sociedade decadente, mas é ela também, co-responsável por essa decadência. Como gigante, viu a mediocridade a anos-luz de distância e apostou nessa mediocridade como forma de continuar na vanguarda. Para alguns da emissora, são apenas negócios, para outros, funcionários das Organizações Globo, trata-se de uma pauta.

Finalizo esse texto, com um oportuno pensamento e porque não, uma terrível profecia de T.S. Eliot:

Quando todos os teatros forem substituídos por cem cinemas… quando todo cavalo for substituído por cem veículos motorizados mais baratos, quando toda engenhosidade elétrica tornar possível para toda criança ouvir suas estórias de ninar por um receptáculo sem fios acoplado no ouvido, quando a ciência aplicada tiver feito todo o possível com as substâncias da Terra para tornar a vida o mais interessante possível, não ficaria surpreso se a população de todo o mundo civilizado rapidamente recaísse na fatalidade do tédio e futilidade”. (palavras em negrito, inseridas por mim e não constam no original)

Tudo isso se cumpriu e de fato, nossa civilização está fatalmente ferida e as pessoas, em resposta, se tornando amorais, logo em breve, imorais.

Parabéns à Globo, são 50 anos de contribuição para que isso ocorra.

Por Jakson Miranda

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