Êxodo: Deuses e Heróis

Opinião do Blog:

Que tal sairmos um pouco do lulopetismo, Dilmês, esquerdalhas, impeachment, etc, etc e falarmos um pouco de entretenimento? Ou, como vocês que nos acompanham já perceberam, nós, do Voltemos à Direita, não falamos apenas da política do dia-a-dia, também nos propomos em ir um pouco além, falando sobre musica, indicando livros, séries e com o presente texto, indicando um bom filme.

Em tempos de inflação, desemprego e cautela nos gastos, optamos por passar mais tempo em casa com a família ao invés dos passeios em família, idas a restaurantes e viagens (luxo!).  Todavia, ficar em casa tem um problema: O que fazer para relaxar? Via de regra, escolher um filme é sempre uma boa opção. Mas o que assistir? Não adianta mais ter canais pagos, conforme já apontou nosso colunista Renan Alves da Cruz. As opções são limitadas! Os filmes quase sempre são os mesmos da semana anterior e os que não se repetem, são no mínimo, chatos.

Para que não fiquemos sem opções nesse fim de semana, segue abaixo uma excelente dica do nosso colaborador, Pr. Marcos Paulo. Leiam, comentem, comprem a pipoca, o refrigerante e assistam ao filme.

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Sei que é difícil fazer referência a palavras muito utilizadas e desgastadas pelo uso. Deus, Liberdade e Amor certamente estão entre elas.

Da mesma forma, como pastor, conheço bem a dificuldade que é recontar uma história sobre a qual todo mundo já ouviu falar. A cada semana, surge o desafio de contextualizar para os dias de hoje e trazer aplicações para o século XXI da grande narrativa cristã, contada séculos a fio sem interrupção e, por isso mesmo, corroída em vários segmentos da sociedade.

Igualmente não deve ter sido fácil para Ridley Scott narrar mais uma vez a saída dos hebreus do Egito, centrada na figura de Moisés.

Em ÊXODO – DEUSES E HERÓIS (EUA, 2014; BRA, 2015), Scott consegue reunir graça e leveza ao recontar a velha e puída história da saída dos escravos descendentes de Jacó do reino mais poderoso daqueles dias.

Com efeitos especiais inovadores, ação do início ao fim e tensões psicológicas na trama, ÊXODO ainda tem a virtude de apresentar um Moisés másculo e líder, além de sua esposa Zípora, graciosa e feminina.

Porém, nem tudo é graça e beleza no filme. Algum preço tem de ser pago, algum peso tem de ser carregado para se desfrutar da película. Para certo tipo de expectador, Scott criou um Moisés irreverente e muitas vezes displicente com Deus; um Moisés equilibrado em fio circense da temeridade.

Scott também levou à Tela um Moisés da Corte faraônica como um típico cético racionalista, quase ateu, fenômeno improvável naquela sociedade egípcia. Isso, entretanto, não surpreende, pois transposição de mentalidades não é novo em Scott. Está presente também em Cruzada (2005), cujo protagonista, o Barão de Ibelin (Orland Bloom) tinha tiradas típicas de iluminista em plena Idade Média.

Algo mais pode ser dito: Scott transita entre o profano e o sagrado nessa boa adaptação da Bíblia.

Se de um lado, Ridley deixa Moisés sozinho na hora mais crítica da longa marcha– a travessia do Mar Vermelho – e põe palavras terríveis na boca do futuro legislador de Israel:

Eu não sei onde estou e Eu iludi todos eles.

A verdade é que Scott nesse momento faz de Moisés um tipo de demagogo porque Moisés grita: Deus está conosco, mas o expectador sabe que Deus não apareceu ali. Scott destaca Deus em silêncio e Moisés dirigindo por si mesmo o povo.

De outro lado, Ridley Scott mostra os milagres da planta que arde em chamas mas não se consome e da morte dos primogênitos egípcios, que, para ele, foi uma resposta de Deus ao plano do rei de mandar assassinar os hebreus que ainda não andam.

Por fim, se é verdade que, no desafio da contextualização, Scott não escapa do politicamente correto e faz seu filme caixa de ressonância para a crítica de Richard Dawkins – e de outros – ao Deus de Israel (“deus assassino”), também é verdade que, na cena dos cordeiros sendo mortos para salvar as crianças hebreias, tão próximas dos pais mas que nada podiam fazer por elas, é quase impossível não lembrar do Cordeiro derramando sangue na cruz para reconciliar com Deus os que estavam distantes do Altíssimo, mas que também nada podiam fazer por si mesmos.

ÊXODO – história antiga, porém atual.Vale muito à pena comprar pipoca e passar bons 150 minutos à frente da Smart TV. Bom filme.

 

Por Pr. Marcos Paulo

 

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