Esquerda Acadêmica: brancos que odeiam brancos

Levi Medeiros, 21 anos. Branco, heterossexual, cristão protestante e criado em subúrbio da Zona Leste de São Paulo.

Uma das coisas que mais me surpreenderam no mundo da esquerda foram sintetizadas em um episódio recente de minha vivência:

“Sinta vergonha de quem você é!”

Algumas semanas atrás, Dilma Rousseff foi afastada da presidência pelo Senado. Naquela mesma semana eu teria uma aula um tanto polêmica, todos estariam enfurecidos pelo “golpe” e as questões seriam debatidas de forma “democrática”: ou seja, apenas argumentos favoráveis a presidente seriam aceitos…

“O negro pobre da periferia votou nela”, “O nordestino excluído do processo de integração nacional foi às ruas dizer não ao golpe”, “Nossos intelectuais e jovens estudantes não aceitam isso”, “a periferia se rebelou, a casa grande vai cair: vamos invadir a Mooca”.

Eu não me encaixo nas categorias citadas acima, obviamente. O problema está na forma que qualquer argumento vindo da minha parte era respondido:

“Pra você é fácil falar.”

O que impressiona mais nessa situação, é o fato de que existe uma cultura de repúdio ao meu “tipo”, mesmo sem considerar qualquer situação da minha vida, que apesar de não ser nenhum martírio (e nem caber a esse texto), teve suas dificuldades, superações, méritos e problemas como qualquer outra.

Aí é que entra o real problema, foi criado um conceito de ser humano ideal: o que tem vergonha de quem é!

Etnia ideal é a negra, ser branco é errado!

Essa febre pela africanização é evidente, as colegas de cabelos lisos fazem permanente ou encrespam o mesmo, pintam de preto ou usam turbantes. Os colegas usam roupas com temáticas africanas, raspam a cabeça ou se vestem como rappers vindos do Bronx. Isso se tratando de uma maioria branca!

Criaram um orgulho negro sendo brancos, e proferir qualquer orgulho da sua origem europeia é repugnante, não importando que o Brasil seja um país de tradições mistas.

Nesse universo apenas os valores afro-indígenas são válidos e o passado europeu de uma população que tem nomes europeus, se alimenta com influência europeia, fala um idioma europeu e tem traços arquitetônicos e culturais majoritariamente, mas não exclusivamente, EUROPEUS, são forçados a “se desmantelarem da cultura”.

Ser nordestino é orgulho, ser sulista é errado. O vocabulário é alterado, fala-se como nordestino, usa-se bolsas de renda. Passar férias na Europa é ridículo, visitar um sarau no interior da Paraíba é o correto. São Paulo é demonizada, tida como a Casa Grande do nordestino da senzala, não se pode ter orgulho em ser paulista, não há decência.

A condição financeira e o meio religioso não ficam obstantes. Chamar Exu de “entidade” na Igreja Protestante é proibido, chamar Deus de Papai Noel dos adultos é correto. Ter vergonha do bairro em que se mora, afinal só é digno o morador do Capão Redondo ou de Guaianases. Religião correta (se for pra ter) são as de matriz africana, você deve ter vergonha do cristianismo, mesmo tendo sido criado cristão. Não vale.

Não importa quem você é ou quem quer ser, você deve se alterar para ser reconhecido como um ser ideal para o pensamento crítico. Existem colegas em condições financeiras melhores, mais europeus que eu, com pensamentos extremamente mais retrógrados que os meus, que por terem se rendido à “mudança’ são ouvidos e tidos como “intelectuais”.

Só vale a opinião e um lugar nessa sociedade aos que se envergonham de quem são, de quem tem repúdio de como cresceu, do que acredita e dos seus valores naturais.

A esquerda criou um mundo “ideal” cheio de ódio próprio e uma idealização falsa, uma inalcançável sociedade em que não se pode ser quem é.

E, meus colegas, é desse mundo que eu me envergonho!

 

Por Levi Medeiros 

 

3 comentários em “Esquerda Acadêmica: brancos que odeiam brancos”

  1. TUDO NO BRASIL SE RESUME EM APENAS UM PONTO…. NÃO HÁ RESPEITO UNS PELOS OUTROS…. SEMPRE SEREMOS DIFERENTES, APESAR DO BRASIL SER O PAÍS ONDE EXISTE A MAIOR MISCIGENAÇÃO NO MUNDO ?… O RESTO É FALTA DE ENXERGAR O TODO.

  2. Para ter o mínimo de paz, eu sigo em frente sem detalhar minha vida privada. Não debato com idiotas, ignoro-os solenemente. Odeio o que o feminismo fez com a cabeça de muitas mulheres, transformando-as numa ‘máquina’ de guerra – antes contra os homens, agora contra tudo. Elas também me odeiam, pois sou ‘do lar’, recatada e não tão bela, mas envelhecendo com muita dignidade…

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