Encontros fora da agenda oficial são indecentes

O presidente da República, Michel Temer, tem tornado praxe os encontros fora da agenda oficial.

Foi em um desses encontros na calada da noite, com um empresário, que o presidente fora gravado em conversa cujo conteúdo só poderia existir em encontros fora da agenda oficial. Daí, a gênese de uma crise política que por pouco, não o derruba da presidência.

E qual será o conteúdo de tantos outros encontros, antes e depois de Joesley?

Temer age assim na certeza de que não está praticando nenhuma ilegalidade. E não está! Todavia, seus encontros, da forma como estão ocorrendo, em nada contribuem para o fortalecimento das instituições, ao contrário, às enfraquece.

A periodicidade dos encontros fora da agenda oficial expressa a triste ironia de que o NÃO OFICIAL é OFICIAL. É o maldito jeitinho brasileiro: A regra, a transparência, a austeridade e a autoridade, dão lugar aos corriqueiros conchavos e acertos de cochichos. E dane-se a opinião pública!

Diante do cenário, a notícia de que o presidente da República entrará com um pedido de suspeição contra Rodrigo Janot abrirá espaço para também se debater os encontros do próprio presidente.

Para o advogado de Temer, Janot não atua de forma institucional.

“Já se tornou público e notório que a atuação do PGR, em casos envolvendo o presidente, vem extrapolando em muito os seus limites constitucionais e legais inerentes ao cargo que ocupa. Não estamos, evidentemente, diante de mera atuação institucional“. 

Por outro lado, para Janot e sua equipe, trata-se de um embate cujos resultados podem ter um saldo positivo sob o ponto de vista institucional.

O STF precisa realmente de um balizamento quanto à questão de suspeição. Declarações fora dos autos, juízos antecipados, relações com partes. Precisamos definir um padrão de conduta de todos”.

É escandaloso que o advogado de Michel Temer venha a público falar de institucionalidade quando seu cliente encontra-se fora da agenda oficial com membros do judiciário e empresários amigos. São encontros institucionais? Receio que não!

Que tal a proibição desses encontros?

Leia também:

Janot defende ideologia de gênero nas escolas e promove preconceito religioso

Rodrigo Janot x Gilmar Mendes ou, a politicagem no judiciário

Não deve ser do feitio de um presidente da República ou chefe de Estado entregar-se a indecência de ter encontros com membros do Judiciário sem que a pauta desses encontros seja de domínio público.

De igual modo, quando o chefe do Executivo tem conversas nada republicanas com este ou aquele empresário, está a jogar no lixo a autoridade que lhe foi investida.

Enfim, seja com um simples cidadão ou com um graduado ministro do STF a verdade é que ter encontros fora da agenda oficial é uma prática legal, mas imoral, desagradável, abjeta e indecente.

A isso a sociedade deve repudiar com veemência e o grau de indignação diante desses casos é a expressão do nível de consciência ética em que nos encontramos.

Por Jakson Miranda

Related Post

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *