Em defesa da bancada evangélica

Em tempos de desalento com a política, segmentos com representação própria tendem a se beneficiar.

É o caso dos evangélicos, que conquistam aumento de representatividade política a cada novo pleito. Entretanto, é notório entre muitos cristãos o mesmo fastio detectado na sociedade em geral.

Assim, o potencial de crescimento das bancadas cristãs, fica aquém do crescimento que seria possível se não houvesse uma rejeição crescente.

Nos insatisfeitos nota-se o prevalente discurso de que o envolvimento de políticos evangélicos em falcatruas suja o Evangelho e produz mau testemunho. Logo, a solução encontrada seria abrir mão deste envolvimento.

Diz-se muito também que a política é um meio sujo e corruptor, e mesmo os que ingressam dotados de boas intenções, alguns até porfiando durante um tempo com suas consciências, acabam caindo nas tentações e adotando os mesmos procedimentos vis.

Não seria, portanto, um ambiente seguro para os cristãos.

Concordo com a alegação de que cada suposto evangélico que se envolve com a política e passa a delinquir, causa um desserviço ao evangelicalismo brasileiro, ademais, considero impossível compactuar com qualquer medida que intente reduzir a influência dos evangélicos nos meios decisórios.

A bancada evangélica, a despeito das escorregadelas de alguns de seus signatários, deve sim ser apoiada e fortalecida pelos cristãos.

Já pagamos um alto preço por nosso envolvimento tardio na política. Não podemos conceder mais jardas de domínio à esquerda marxista, opositora incansável do Evangelho.

A responsabilidade do eleitor evangélico é informar-se a respeito dos candidatos, para não votar em lobos em pele de cordeiro. Particularmente, repudio aqueles que transformam púlpitos em palanques e compram votos de igrejas através de presentinhos.

O servo de Deus que quer entrar na política não pode demonstrar ética fraquejante, nem usurpando o local de culto para seu usufruto, nem mercadejando apoio por qualquer meio que não o convencimento através de sua plataforma política, que deve contemplar a cosmovisão cristã e não servir como moeda de troca a apoiadores esparsos.

Aos que se elegem através do voto evangélico e depois são envolvidos em situações escusas, o maior repúdio possível é, por mais clichê que seja, o ostracismo político, através da recusa do voto.

Logo, punamos os traidores, não o conceito de união de cristãos no campo político proporcionado pela bancada evangélica.

Sei que muitos logo dirão: “Mas o Estado é Laico! A Igreja não deve interferir na política.”

O argumento é esperado, justamente por ser risível…

Aliás, o fato de o Estado ser laico é o que dá sustentáculo à ideia de que diferentes segmentos da sociedade planejem sua representação no parlamento. Os evangélicos, cerca de 25% da população, possuem, como qualquer outro grupo, direito à representatividade, dentro das fronteiras do ambiente democrático.

O papel central da bancada evangélica é exercer o contrapeso conservador à balança política, papel que em nenhum aspecto fere a laicidade do Estado ou impõe práticas cristãs aos que não comungam de tais ideais.

O desalento com a política é palpável no atual zeitgeist. O momento é oportuno para aumentar nossa representação e entender que não construiremos uma nação voltada aos princípios verdadeiros excluindo os cristãos do palco das decisões.

Mas sim, escolhendo melhor os depositários de tão nobre responsabilidade.

Por Renan Alves da Cruz

Publicado no portal Gospel Prime

 

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