E se Aécio tivesse morrido no acidente do avião?

Creio ser de conhecimento público que o tucano Aécio Neves estava em um avião que precisou fazer um arriscadíssimo pouso forçado em Cumbica na última quinta feira. Um problema no trem de pouso impediu o trâmite normal do voo e a situação atingiu enorme tensão.

Problemas em aviões, como sabemos, não se resolvem simplesmente dando seta e aportando no acostamento. Os últimos meses, prolíficos em acidentes, nos trouxerem este funesto lembrete, ademais, graças a Deus, tudo correu bem. Cabe frisar também a astúcia do piloto que, segundo disseram especialistas, foi fundamental para que algo pior não acontecesse.

O pouso foi desviado para Cumbica, por ter uma área de escape maior, e foi concluído sob condição de alto risco.

Aécio sobreviveu. Isso é bom. Não digo nem politicamente, mas no quesito humano mesmo. Não sou do tipo que celebra mortes. Não celebrei a de Marisa Letícia, nem a de Teori, nem a de Eduardo Campos. Vou além e digo que não celebrei nem a de Fidel, embora, no caso dele, também não tenha lamentado.

Nós do Voltemos à Direita temos divergências profundas em relação a atuação política de Aécio e ao tucanato de maneira geral. Nosso arquivo está aí para provar. Alguns imbecis associam o PSDB à direita e outros, ou se fazendo de desentendidos, ou por burrice mesmo, não conseguem entender que foi necessário, em certo momento, por ausência de opções, preferir sim o PSDB à alternativa restante: a quadrilha petista.

Neste caso, apoiamos sim Aécio quando e o PSDB quando foi necessário, e se acontecer de novo, apesar dos pesares, o PSDB é, não melhor, mas menos pior que os petralhas.

Logo, não morremos de amores por Aécio, mas entendemos sua importância no xadrez da política nacional. É o líder de um partido relevante, um senador de destaque e um presidenciável que (desconte-se que antes de ser atingido pelas delações) recebeu 50 milhões de votos.

Logo, não é um tapado qualquer.

É um tapado com credenciais.

Neste período trevoso da política nacional, de loucuras e incompreensões, a morte de Teori, o relator da Lava-jato, deixou o país atônito. A nação ainda se divide entre os que consideram que o ministro foi tirado do tabuleiro por interesses maiores e outros que creem que foi apenas um acidente.

Particularmente, embora admita que assumir a outra opção fosse mais cômodo, no desenho conjuntural atual da direita, confesso que acho que a morte de Teori foi um acidente. Para alguns, isso soará como uma blasfêmia antipatriótica, mas não vou mentir para agradar ninguém.

Por outro lado, entendo também que, embora eu tenha firmado minha posição analisando friamente a situação, não repudio quem pensa que se tratou de uma orquestração. A quadrilha que encabeçou a bandalheira por 13 anos, e, como o momento atual nos mostra, a classe política como um todo, deram azo a este tipo de constatação.

Agora, precisam arcar com o ônus.

Mas, lendo a notícia do drama vivido pelo senador Aécio, fico pensando no que aconteceria neste caldeirão fervente se a vontade de Deus tivesse sido diferente e ele tivesse perecido neste acidente.

Pararam para pensar nisso?

Imagine a ebuliente sensação de acordar na última sexta feira com a notícia de que o homem que conquistou 50 milhões de votos no último pleito presidencial, que foi citado na Lava Jato, que lidera o PSDB, agora aliado de primeira ordem de Temer, havia morrido também num acidente de avião?

Não consigo nem conceber as teorias que se desenhariam, mas de uma coisa tenho certeza: Provavelmente eu mudaria de opinião. Provavelmente passaria a acreditar que Teori e Aécio, em tão curto espaço de tempo, pelo mesmo modus operandi , não se tratava de um acaso.

E iria sim engrossar o coro conspiracionista. Teria que escolher apenas a melhor versão.

E haveria mandantes para todos os gostos, você pode ter certeza: PT, Lula, FHC, Temer, Odebrecht, Moro, Dellagnol, Bolsonaro, Hitler (que teria fugido vivo do bunker e sido protegido por cientistas alemães que descobriram e lhe deram o elixir da imortalidade), Alexandre de Moraes, Eike Batista, Maduro, Trump, Putin, Le Pen, MTST, Alckmin, Serra, Dória e etc…

Ainda bem que Aécio está bem.

Não estávamos e não estamos preparados para algo assim.

As vezes acidentes acontecem, e pessoas morrem.

As vezes eles acontecem e elas sobrevivem.

Por Renan Alves da Cruz 

 

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