Ditadura: a desculpa para tudo

Fernando Pimentel, o governador de Minas Gerais, que está mais enrolado que uma briga de polvos, escreveu à Veja em resposta a uma reportagem da revista, chamada “O governador caixa dois”.

Nem irei me enfocar nas denúncias contra o governador, meu ponto é outro:

Segue a carta de Pimentel à revista:

Sobre a matéria “O governador caixa dois”, considero lamentável que o trabalho de reportagem tenha se baseado em supostos vazamentos ilegais de uma investigação sigilosa da Polícia Federal à qual nem mesmo os meus advogados tiveram acesso, embora tenham pleiteado este direito à Justiça. É de lamentar, ainda, que vazamentos ilegais tenham dado espaço a uma série de ilações, ferindo garantias individuais básicas do Estado de Direito, que, sabemos, são caras à Editora Abril. Entre elas, a presunção de inocência. Carrego na biografia uma única acusação transitada em julgado, de um período de nossa história marcado pelo arbítrio. É por ter esse momento da ditadura ainda vivo na memória que seguirei na defesa intransigente das liberdades de expressão e de imprensa, mantendo a confiança plena de que a Justiça reporá a verdade dos fatos

Fernando Pimentel tem todo o direito de se defender. O Brasil não é Cuba, nem é Venezuela. A imprensa é livre para publicar suas informações, e ele é livre para se manifestar sobre, inclusive, para, se for o caso de calúnia, acionar à Justiça.

O que quero frisar aqui é a muleta que o Regime Militar se tornou, principalmente entre petistas

Dilma Rousseff, toda vez que o bicho pega, saca a ditadura do bolso do casaquinho vermelho, para esfregar na cara do Brasil que sofreu no período. É como se o 64-85 tivesse dado a todo mundo um habeas corpus vitalício para pintar e bordar por aí, sem poder ser questionado.

Pimentel critica o vazamento de informações. Tem todo o direito.

Lembra que o Estado de Direito prima pela presunção de inocência. Está certo.

Entretanto, em nenhum momento contesta qualquer informação da reportagem. Na hora de se defender, evoca a ditadura e se nomeia defensor da liberdade de expressão, que permite à Revista publicar. Parece achar que isso tira o direito dela de reportar seus desmandos.

A ditadura virou a desculpa para tudo. Essa gente acha que pode fazer o que quiser, e pagar as suas dívidas com esse pretenso habeas corpus eterno.

Esperaremos a Justiça, Pimentel. Mesmo o derrotismo exposto em suas entrelinhas não nos fará adiantar juízos. Que a Justiça o absolva ou condene.

Mas fique certo. Nada do que aconteceu no Período Militar tem nada a ver com isso.

Vire o disco.

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

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