Diante de rodovias bloqueadas, o que faria Jair Bolsonaro?

(Artigo publicado em 27/05/2018)

Deixei claro ontem no meu artigo Não consigo apoiar a greve dos caminhoneiros que não apoio a greve dos caminhoneiros. Rodovias bloqueadas não é a forma mais adequada de reivindicar benesses para qualquer categoria profissional, muito menos é uma forma democrática de atuação política, longe disso, é chantagem pura.

Não obstante, não é esse o pensamento de muitos. E todos acolhem de forma acrítica, a greve dos caminhoneiros como se esses tivessem sido alçados à condição soberana de ser um  4° poder da República.

Há quem, na ânsia de fazer parte de um “movimento”, chegue a confundir como sendo reacionário, um ato revolucionário e autoritário. De fato, a greve dos caminhoneiros, desembocou em um ato que mais se assemelha à tentativa de uma doidivanas revolução.

Diante disso tudo confesso minha grande e total decepção em saber que o pré-candidato à presidente da República, Jair Bolsonaro, apoia a greve.

Em postagem sua nas redes sociais o deputado expressa-se da seguinte forma:

Lamentavelmente Bolsonaro perde a oportunidade de apresentar-se à nação como um estadista e age como um agitador de torcidas. O que faria então o presidente Jair Bolsonaro diante de centenas de rodovias bloqueadas por aqueles que eventualmente não concordem com alguma medida do seu governo? Acho que essa possibilidade por si só seria suficiente para deixar qualquer pré-candidato e vou além, qualquer conservador com as barbas de molho.

Acredito que foi isso que Guilherme Fiuza pensou ao escrever em sua conta no twitter que seja à direita ou a esquerda, estamos chocando o ovo da serpente. Esse é o cerne da questão ao fazer de um ato corporativista um movimento de reivindicação política.

Voltando à postagem de Bolsonaro, será isso que ele fará se eleito presidente com os promotores da atual greve? Ok. Mas para ser coerente e não ser chamado de hipócrita terá que agir da mesma forma diante das rodovias bloqueadas por todos os demais “protestos” que optarem por essa estratégia. E dando-se legitimidade a essa forma de fazer política, nenhum governante, seja ele quem for, conseguirá ter um mínimo de governabilidade.

Ir as ruas pode muito bem ser a expressão de uma sadia e democrática indignação, mas também pode ser um estridente grito de autoritarismo cujo resultado não é outro senão o caos institucional.

Por Jakson Miranda

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