Depoimento de Silas Malafaia, ou, receber dízimos e ofertas é caso de polícia?

O Depoimento de Silas Malafaia deu o que falar.

Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, foi alvo de mandato de condução coercitiva na Operação Timóteo, que investiga um esquema de corrupção envolvendo royalties. Quer saber mais sobre a Operação Timóteo? Curta nossa página para ter acesso ao link [sociallocker] http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/pastor-malafaia-e-alvo-de-mandado-de-conducao-coercitiva-na-operacao-timoteo/[/sociallocker]

É desnecessário dizermos que apoiamos toda e qualquer investigação que objetive combater a corrupção, problema crônico do Brasil. Não obstante, no que tange a Operação Timóteo e ao Pastor Malafaia, urge separarmos o joio do trigo.

Antes, porém, uma observação,

Em 2011 o autoproclamado “bispo” Edir Macedo, da IURD, tornou-se réu sob a acusação de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Não consta que Macedo tenha sido alvo de ação da polícia. Não consta que Macedo tenha tido expedido contra si, mandato de condução coercitiva para prestar depoimentos. Não consta nem mesmo que Macedo tenha prestado algum depoimento aos investigadores.

Do mesmo modo, não houve avalanches de memes nas redes sociais tripudiando Edir Macedo nem consta que seu nome tenha figurado nos Tops Trends.

Na outra ponta, ao noticiar-se a investigação da PF e de que o depoimento de Silas Malafaia se deu nos moldes com que Lula foi levado a depor pela PF, as redes sociais foram inundadas por memes envolvendo o Pastor. Ontem, seu nome esteve entre os mais buscados no Google e figurou no Top Trends do Twitter.

O que eu quero dizer com isso?

Diferentemente de Edir Macedo, Silas Malafaia ao mesmo tempo em que incomoda muita gente, é visto por muitos outros como uma personalidade influente. Daí o regozijo de uns e a surpresa de outros. Alguns, desejosos de sua queda. Por qual motivo Silas Malafaia os incomoda? Outros receiam que ele deixe de incomodar.

Separando o joio do trigo

No meio disso tudo, surgem aqueles que aproveitam a oportunidade para atacar a fé cristã e seus princípios. Aparentemente, não se trata de um ataque nos moldes praticados por terroristas ou os de regimes totalitários, mas, não deixa de ser um tipo de ataque que pode muito bem servir tanto a terroristas quanto a ditadores.

São pessoas que defendem apaixonadamente que as igrejas paguem impostos. Acham um absurdo que a Constituição vede ao Estado instituir imposto sobre os templos. Não sabem que a lei NÃO é um privilégio apenas dos templos cristãos, ou fingem não saber.  Curtindo nossa página, você terá acesso ao link de um interessante artigo sobre o tema. [sociallocker]https://artigos.gospelprime.com.br/isencao-impostos-igrejas/[/sociallocker]

Esses mesmos, criticam o recolhimento dos dízimos e a doação de ofertas. São criticas que nos dão um exemplo claro do momento histórico em que vivemos e sinal dos tempos futuros, aonde a igreja cristã já é violentamente perseguida e continuará a ser, justamente por fazer aquilo que a Palavra de Deus orienta a fazer.

Tal tipo de provocação é repugnante.

Para que servem os dízimos e ofertas? Sim, são usados para o sustento de pastores quando esses não exercem outra atividade e dedicam tempo integral à igreja. São pastores que podem levar uma vida confortável sim, sem grandes sobressaltos financeiros, não obstante, os mesmos dízimos e as mesmas ofertas, são destinados ao sustento de pastores e missionários em países remotos e por vezes perigosos, que vivem nas condições mais adversas possíveis.

Apenas para isso? Não! Em tempos de crise financeira como a que vivemos atualmente, centenas de famílias recebem auxilio das igrejas com a doação de cestas básicas e até mesmo com a compra de medicamentos sem falar nos diferentes tipos de trabalhos sociais, que vão desde da distribuição de alimentos a moradores de rua à manutenção de instituições que cuidam de dependentes químicos.

Esses são apenas alguns exemplos de trabalho que as igrejas fazem, com os dízimos e as ofertas, sem alarde, apesar dos incontáveis obstáculos e desafios.

E tenho absoluta certeza de que tais trabalhos são realizados pelas igrejas do Pastor Silas Malafaia.

Tá ok. E a investigação da Policia Federal? E o depoimento de Silas Malafaia, por meio de mandato coercitivo?

Vejam bem, não é novidade para ninguém que Malafaia pede ofertas de uma forma, digamos, constante. Por outro lado, nem o pastor, nem o dono de um bar de esquina, tem a obrigação de saber previamente, a origem do dinheiro que entra, seja na igreja, seja no pequeno estabelecimento comercial.

Se alguém doa à igreja recursos de origem ilícita, certamente que não tem a aprovação da igreja e muito menos do Altíssimo. Contra si, deve recair todo o rigor da Lei de Deus e da lei do homem.

Se alguém compra um refrigerante com recursos de origem ilícita, certamente que não tem a aprovação nem do dono do estabelecimento e muito menos do código penal.

Se tal prática conta com a conivência do pastor, em um caso, ou do dono do estabelecimento comercial no outro, não há outro nome para a situação senão lavagem de dinheiro.

Mas não é exatamente disso que estamos falando? Não é exatamente disso de que Silas Malafaia pode ser investigado?

Sobre o caso, só há duas alternativas: Silas Malafaia recebeu a oferta e não sabia da origem do recurso.

Ou,

Silas Malafaia simulou o recebimento da oferta para praticar lavagem de dinheiro. (Curioso que deve ser o primeiro tipo de lavagem de dinheiro declarado à Receita Federal)Nesse caso, seremos os primeiros a torcer para que a justiça se cumpra. Todavia, aqui há um problema: Malafaia não é qualquer um. Tem posses, lida com pessoas milionárias. Dar-se-ia ao privilégio de cair por 100 mil reais?

Sinceramente, se a Policia Federal não trouxer à tona que o pastor faz parte de um esquema milionário de lavagem de dinheiro, acho dificílimo que Malafaia tenha praticado o ilícito por 100 mil.

Assim, a hipótese de que a oferta foi recebida SEM conhecimento de sua origem, parece-me ser a mais plausível.

Sob essa ótica, reside um gravíssimo problema: Ou a Policia Federal quis fazer espetáculo ou, está sendo usada para objetivos que nada dizem respeito ao combate a corrupção. A quem interessa?

Será que já chegamos ao ponto em que receber dízimos e ofertas constitui por si só, caso de polícia?

Por Jakson Miranda

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