5 motivos para conservadores assistirem The Walking Dead

The Walking Dead é um sucesso. Logo, você não precisa de justificativas conservadoras para assisti-lo.

Aliás, há riqueza na cultura popular. Riqueza de valores e, principalmente, a possibilidade de confrontação consigo mesmo ante as situações apresentadas. Se a cultura clássica possuí atemporalidade e se escora na beleza e transcendência, a cultura popular resume o presente e fornece possibilidade de autoanálise e formação de valores.

Em meio ao lixo cultural que nos sitia, há bons filmes, músicas e seriados excelentes. Temos aqui no portal análises de filmes mediante perspectiva conservadora como Match Point, A Bruxa, Corrente do mal, Três anúncios para um crime, Sniper Americano, Relatos Selvagens e etc.

Do mesmo modo, temos uma série de textos sobre Breaking Bad à luz do conservadorismo, além de textos avulsos sobre séries como Black Mirror, a própria The Walking Dead, The Crown e etc.

Além de nossa série sobre o Rock e a Direita que conta com análises de diversas músicas e artistas.

Portanto, esta não é uma análise destituída de reflexão prévia a respeito de como produções culturais nos trazem boas oportunidades de reflexão e enriquecimento.

Há uma palavra que em minha opinião resume The Walking Dead: BARBÁRIE.

Sendo conservadores, prezamos pelos valores que sustentam a sociedade, por consequência, militamos em prol de valores que nos impeçam de vivenciar a barbárie. Em The Walking Dead ela recai sobre o mundo através de um vírus desolador, transformando os mortos em zumbis famintos.

Mas muito se engana quem pensa que o cerne do seriado é algo tão tolo e fantasioso como meros zumbis atrás de carne humana.

The Walking Dead é sobre sobrevivência em tempo de barbárie.

“Sendo conservadores, prezamos pelos valores que sustentam a sociedade, por consequência, militamos em prol de valores que nos impeçam de vivenciar a barbárie.”

Se você, como eu, é um conservador, listo cinco motivos para que você reserve em seu rol de compromissos um tempo para assistir as nove temporadas deste seriado.

1- A ruína apresentada em The Walking Dead mostra o quanto precisamos da estrutura civilizacional que construímos para que a barbárie não impere. O conservador respeita tradições consolidadas porque entende que elas asseguram nossa continuidade. Qualquer tragédia brusca que rompa o tecido da civilização nos entrega à barbárie.

2- A premissa de Rousseau, de que o homem nasce bom, mas é corrompido pela sociedade, é uma das principais muletas da esquerda para não responsabilizar as pessoas por seus atos, quando o que acontece é justamente o contrário. O mal é inerente à natureza humana. Retirado os freios impostos pela vida em sociedade, o homem tende à perversão. Em The Walking Dead, quando o mal se instala e as leis não existem mais, o lado bárbaro dos homens passa a aflorar. E isto ocorre porque, diferente do que Rousseau e a esquerda alegam, a sociedade não nos corrompe, mas civiliza.

3- A luta pela sobrevivência dos personagens no seriado implica o agrupamento. Ninguém consegue sobreviver sozinho por muito tempo. A formação de grupos, reorganização e escolha de líderes simula a formação dos humanos em sociedade. Neste processo de coletivização se torna nítido que o funcionamento do grupo depende da consciência e da responsabilização individual, num processo que naturalmente segrega os que tentam se aproveitar do grupo, ao mesmo tempo em que “empodera” aqueles que produzem mais e melhor. Este é um microcosmo brilhante da sociedade e do natural funcionamento meritocrático dela.

“Diferente do que Rousseau e a esquerda alegam, a sociedade não nos corrompe, mas civiliza.” 

4- O desespero advindo do caos permite que ditadores com retórica apaixonada agreguem sob sua tutela os mais apavorados. Discursos inflamados e promessas fáceis permitem que genocidas em potencial sejam aclamados pelo povo desesperançado. Esta seara é muito explorada em The Walking Dead. A figura do ditador deplorável que engana as pessoas dizendo o que elas querem ouvir, cria uma estrutura de poder em torno de si, assume o controle do armamento de todos e passa a oprimir o povo. Qualquer um que tentar questioná-lo é executado sumariamente. Pensar por conta própria se torna crime capital, fazendo eco inclusive aos ditadores do mundo real. Pol Pot, por exemplo, executava gente que usava óculos, pois os considerava intelectuais. E, para ditadores, quem pensa por conta própria é uma ameaça.

5- O teor sociológico, antropológico e psicológico rascunhado em The Walking Dead é fecundo. Princípios inerentes à sociedade são colocados em xeque o tempo todo. Quanto tempo a caridade, a empatia, o respeito e a solidariedade resistiriam diante do terror pleno? O que faríamos para sobreviver se estivéssemos numa realidade de “nós contra eles”, sendo “eles” simplesmente um outro grupo de pessoas que também luta por água e comida? The Walking Dead se tornou um clássico da TV ainda em exibição. Italo Calvino define um livro como clássico quando ele nunca termina o que tem a dizer. Creio que o mesmo se dará com The Walking Dead. Mesmo se assistido muitos anos após sua produção fornecerá reflexões importantes à sociedade, seja qual for os desafios que ela esteja enfrentando.

Por Renan Alves da Cruz 

26/11/2018

 

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