Congresso reflete a fragilidade da democracia no Brasil

A democracia no Brasil tem passado por inúmeros testes e continuará a passar até sua consolidação plena, ou seja, ainda não possuímos uma democracia forte e robusta, longe disso.

É possível que a afirmação de que o Brasil já não é o mesmo depois das manifestações dos últimos anos soe como clichê. Sem dúvida, os milhões que foram as ruas contribuíram de forma decisiva para que os políticos agissem de forma célere no impeachment de Dilma Rousseff.

No mundo das hipóteses que jamais será possível serem comprovadas, podemos dizer que sem os protestos e as ruas ocupadas, Dilma ainda estaria na presidência da República.

Assim, louvamos a democracia no Brasil e a liberdade de expressão que nos dão a honrada obrigação (direito) de nos opormos a um determinado governante.

Eu ficaria feliz se essa narrativa fosse finalizada com o ponto acima, porém, a história da realidade política brasileira não se encerra com o aparente final feliz das massas, legal e pacificamente abreviando o mandato da petista.

Hoje, as ruas estão ocupadas pelos veículos e pelos transeuntes, preocupados com suas obrigações ordinárias. Vida que segue. E é possível que permaneça assim por alguns anos.

Protestamos e apeamos Dilma Rousseff do poder, levando consigo o Partido dos Trabalhadores.  Nas eleições municipais, o repúdio ao PT foi acachapante.

Acontece que ao tirarmos Dilma do poder, deixamos em seu lugar o PMDB que por treze anos fora fiel aliado dos petistas. Nas eleições de 2016, trocamos PT por PSDB.

Decerto que tínhamos consciência que o resultado imediato seria esse e isso reflete o quão frágil é a democracia no Brasil. Não temos muitas opções!

Essa triste realidade pode ser percebida em toda sua crueza na recente eleição no Congresso para a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado.

Ao verificar os nomes e partidos dos postulantes as respectivas cadeiras, o cidadão pode ficar com a sensação de que nada mudou.

Na Câmara, Rodrigo Maia tem seguido à risca o script da politicagem, acenando tanto para ex-aliados de Eduardo Cunha como para o PC do B.

Jair Bolsonaro entrou na disputa e amealhou 4 votos. Esse é o tamanho da direita na Câmara dos Deputados? É possível que sim. Caso contrário, essa direita teria se articulado em torno de um nome cuja pauta atendesse as demandas que a sociedade enxerga como importantes e espera que o Parlamento exerça sua função e debata tais demandas.

O que não é natural e crível dentro de uma democracia pluralista é um político de um partido visto como representante da direita, (DEM) fazer concessões e alianças com legendas à esquerda com o único fim de presidir a Casa. Trata-se de alianças benéficas à sociedade?

O que ocorre na Câmara só não é pior do que aquilo que se passa no senado. Sai Renan Calheiros, entra seu amigo e aliado Eunicio de Oliveira. Para fazer valer o “espírito” democrático da casa, o peemedebista foi submetido a uma intensa disputa contra o senador José Medeiros, do PSD – MT. (atenham-se a ironia)

Enquanto isso o STF toma para si a “missão” de decidir questões que deveriam ser debatidas pela sociedade e votadas pelo parlamento: Casamento gay, aborto, a legalização de drogas, porte de armas, doutrinação ideológica nas escolas, etc.

São situações que nos provam cabalmente que o caminho rumo a uma democracia forte e amadurecida está longe de acabar, em outras palavras, trata-se de uma árdua caminhada.

Em suma, apesar de comemorarmos as mudanças ocorridas em 2016, a mensagem que o Congresso nos envia dão mostras de que tal comemoração deve ser comedida. Mais que isso, nos manda um sinal de alerta para as eleições de 2018, afinal, se retrocedermos ao espírito que dominou a política nacional até então, se voltarmos a nos deitar em berço esplendido, estaremos rumando à estaca zero e assim a esquerda e seus próceres continuarão ditando os rumos da política e cultura da nossa nação.

Por Jakson Miranda

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Um comentário em “Congresso reflete a fragilidade da democracia no Brasil”

  1. Enquanto não nos unirmos não teremos força. Por isso eu apóio o Partido Militar que está em processo de homologação e acredito que todos os conservadores deveriam fazer o mesmo por ser o grupo conservador de maior organização no país nesse momento, já em vias de homologar um partido político.

    Entretanto, o Partido Militar precisa da colaboração de todos os de boa vontade com assinaturas de apoiamento: http://www.partidomilitar.com.br

    Sugiro até que seja feita uma entrevista com o Capitão Augusto, líder desse movimento, para que as pessoas conheçam melhor essa iniciativa.

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