Coloque sua visão direitista à prova

Situação 1: Um fumante inveterado, dois maços por dia por 30 anos, morre de câncer no pulmão. A viúva resolve pedir uma indenização milionária, acusando a indústria de cigarros que o marido consumia de ser responsável por sua morte. A acusação alega que as propagandas do produto não empenhavam-se o bastante para deixar claro às pessoas os efeitos deletérios do cigarro, viciando-as a ponto de, quando percebiam o dano, não conseguirem mais largar.

A defesa se baseia na liberdade do indivíduo. A empresa não obrigou o falecido a consumir o produto. Os alertas sobre vício e composição estavam na embalagem e cabe a cada um optar pelo que usa ou deixa de usar.

Se você estivesse no júri, votaria a favor de uma milionária indenização à viúva, ou consideraria que a vontade de fumar do marido era questão de liberdade individual dele e, portanto, de sua responsabilidade, não podendo gerar sanções punitivas a terceiros?

Situação 2: Um empregado demitido toma um porre e invade a sede da ex-companhia armado com uma pistola adquirida no mercado negro. Executa a sangue frio meia dúzia de diretores da empresa. Uma das viúvas não se contenta com a responsabilização individual do assassino e processa também a fabricante da arma.

A acusação alega que a empresa não coibiu a distribuição de seu produto no mercado negro nem realizou ações educativas suficientes para evitar que pessoas com problemas o usassem para cometer chacinas. Sendo, logo, corresponsável pelo ato, tendo em vista que seu produto é letal e precisa que todas as arestas em torno dele sejam aparadas.

A defesa atesta que a responsabilidade pelo crime brutal é do assassino. Um sujeito que surtou e usou a pistola de maneira desmesurada, como poderia ter feito com uma faca ou qualquer outra “arma branca”. Armas não matam sozinhas, as pessoas o fazem. O fato da arma ser vendida no mercado negro não conta com o endosso da empresa, que só distribui aos negociantes autorizados. O fato de haver contrabando e um mercado paralelo precisa ser coibido pelos agentes da lei, não por ela.

Você, no júri, consideraria a fabricante da pistola corresponsável pelo crime ou a absolveria?

Os casos acima foram livremente adaptados, respectivamente do livro e do filme “O Júri”, de John Grisham, escritor de thrillers jurídicos americano. A linguagem do autor, já quase um roteiro pronto, chegou a Hollywood num bom filme – já antigo – com o ótimo Gene Hackman, além de Dustin Hoffman e John Cusack.

Grisham, democrata da gema, é claro, milita pela responsabilização das empresas. No livro, onde o caso é com a empresa de cigarros, tira da cartola toda sorte de argumentos para mostrar como as empresas malignas, visando apenas o maldito lucro, investem pesado em propaganda para invadirem os apriscos das pessoas puras e as sujar com sua nicotina assassina, sem que os pobres diabos possam defender-se.

No filme, onde a empresa maligna é a de armas, ocorre o mesmo proselitismo. Se não criassem suas máquinas metálicas de matar, o mundo certamente seria uma enorme e intocada Disneylândia de sonhos, porém, como os homens produzem e vendem armas, o mal se instalou sobre o universo!

Elenquei as duas situações como capazes de colocar nossas convicções à prova, por compreender que ambas apelam a um forte elemento emocional. A construção maniqueísta pode turvar a análise fria dos fatos. De repente, arrancar alguns milhões de uma empresa milionária que produz coisas que podem causar morte pode se tornar uma tentação.

Leia o livro ou assista o filme. Na pior das hipóteses tome partido a partir dos parcos elementos que forneci. Embrenhe-se neste júri e avalie se você é um protetor dos “vitimizados”, que mistura piedade com justiça, ou se é alguém que consegue conceber que as pessoas são responsáveis por seus atos.

Se você atribuir culpa a qualquer um que não seja, na situação 1 o fumante, e na situação 2 o assassino, ainda há um ranço esquerdista vitimizador em você, que precisa ser tratado…

 

Por Renan Alves da Cruz 

 

Leia também: 

A Dupla face imoral da esquerda

Globo, junto com você?

Meu Google Reaça. Episódio 1: “O Intelectual de Esquerda”.

Por que Sou Conservador?

Você cansou? Eu também! É hora de fortalecermos a direita brasileira

Um comentário em “Coloque sua visão direitista à prova”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *