Colégios, contratem professores que não doutrinam!

Um erro cometido em relação à análise do problema da doutrinação é o de considerar que ela acontece apenas em escolas públicas.

Na verdade, o problema atinge o sistema educacional como um todo, atuando também de maneira intensa na rede particular. Não raro, os professores são os mesmos, entretanto a escola particular dispõe de meios de contenção da doutrinação mais efetivos que a pública.

Muitas vezes o professor que doutrina na escola pública (e que jura não ser doutrinador e deplora o Escola sem Partido), atua também na rede particular de maneira diferente, lá sim não doutrinando, bloqueado pela contenção natural ocasionada pela possibilidade de demissão. Sua hipocrisia é notória, porque nega a doutrinação, mas tanto sabe que a pratica, que não a repete num ambiente em que ela pode resultar em sua demissão.

Outros, no entanto, mesmo na rede particular, encontram ambientes propícios à doutrinação. Nestes casos ela sempre ocorrerá, pois o doutrinador só se camufla quando seus próprios interesses estão em perigo. Quando não estiverem, ele dará azo ao seu instinto passional de priorizar a causa ideológica em detrimento ao conhecimento objetivo.

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Conheci professores dos dois tipos: que doutrinavam na pública, mas se seguravam nas particulares, e os que doutrinavam nas duas, e o faziam porque não eram questionados, de modo que perceberam a brecha.

Em suma, o problema também vige na rede privada e muitos pais estão pagando suadas mensalidades, certos de estarem proporcionando a melhor educação disponível aos filhos, quando na verdade, estão pagando para que sejam doutrinados contra seus princípios.

Mas diferente da escola pública, em que a superação do problema exige ações a longo prazo, com a aprovação do Escola sem Partido como ponto de partida, tendo em vista que a estabilidade dos professores os garante uma posição de quase inquestionabilidade, na rede particular a superação deste problema é mais simples.

Antes de prosseguir, abro um parêntese para explicar que quando menciono a quase inquestionabilidade do professor, não estou anulando as agruras diárias que os professores de ensino público no Brasil enfrentam e o quanto são questionados e frequentemente responsabilizados por um sistema falido que não funciona por vários fatores alheios à sua vontade. Conheço a realidade da escola pública brasileira não por ter ouvido falar, ou por ter lido sobre, mas a conheço de dentro da sala de aula.

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Quando menciono então a posição inquestionável do professor estou me restringindo ao conteúdo ensinado em sala. O professor da escola pública passa por muitas dificuldades, contudo raramente é questionado pelo que ensina. E deveria ser. Muitos bons professores brasileiros colhem os maus frutos de um sistema que blindou maus professores e não questionou o que estavam (ou não) ensinando.

E mesmo nas poucas vezes em que os professores recebem questionamentos, não importa se legítimos ou não, eles não são demitidos por isso.

As escolas particulares possuem a prerrogativa de demissão do professor que não se porte de acordo com as expectativas do cargo, e isto deve ser exercido. Se você possui um cargo diretivo ou de coordenação num colégio, você também é responsável pelo que é ensinado dentro da sala. Seu papel é vigiar para que o que é ensinado esteja de acordo com as expectativas do componente curricular e não se transformem e militância ideológica travestida de matéria.

O problema, aliás, pode ser resolvido já na contratação de novos professores. Escolas que estimam a objetividade do ensino devem já nos processos de seleção incluir questionamentos, avaliações e dinâmicas que englobem temas como a doutrinação escolar, o Escola sem Partido e o papel do professor dentro da aula, para terem instrumentos de percepção sobre o modo como aquele candidato percebe o ato de ensinar, seu papel e responsabilidade. Se entende o papel do professor como alguém que deve fomentar o pensamento crítico do aluno, e não alguém que inserirá o seu “pensamento crítico” no aluno.

Toda escola é rotulável e sujeita ao escrutínio. No caso da pública, dos pagadores de impostos, no das particulares, de seus contratantes de serviços. É esperado, portanto, que a rede privada, inserida na disputa de mercado, buscando o oferecimento do melhor serviço possível, opte por uma metodologia de incentivo à pluralidade de ideias, escolhendo professores que deem seguimento a este anseio, e não coloquem suas posições ideológicas a frente e supliciem o futuro acadêmico dos alunos sob sua tutela.

É responsabilidade do professor não doutrinar, bem como é responsabilidade dos diretores e coordenadores comprometidos com uma educação melhor a escolha de professores comprometidos com uma educação não calcada em suas opiniões ideológicas pessoais.

Colégios, reestruturem seus processos seletivos e contratem professores que não doutrinam.

Por Renan Alves da Cruz 

 

Publicado originalmente no portal Gospel Prime

 

 

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2 comentários em “Colégios, contratem professores que não doutrinam!”

  1. Onde eu estudo, na hora da prova, temos q escrever o q o professor quer, não a nossa opinião sobre um tema. Muitas vezes presenciei bullying feito abertamente por professores esquerdistas em alunos q pensam diferente deles ou q são evangélicos e católicos. Eles não dão notas boas, mesmo q o trabalho seja bom. E ameaçam até reprovar quem os questionam em sala de aula!!!

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